O meu pai tem um amigo de infância, alemão, com quem mantém contacto desde sempre e, provavelmente, até sempre.
O G. é, para mim, que o conheço mais das narrativas do meu pai do que pessoalmente, mais que uma pessoa. É assim uma espécie de personagem da história da nossa família.
Durante o pós guerra, a mãe do G. tomava semanalmente chá com as amigas alemãs e, rotativamente, em casa de cada uma, havia também uma das senhoras que rotativamente oferecia uma caixa de bombons à anfitriã.
Um dia, chegou a vez da mãe do G. receber as amigas em sua casa e receber a dita caixa de bombons.
Mais tarde, a mãe do G. ganhou coragem e confessou a uma das amigas, em quem depositava maior confiança, que ao abrir a caixa verificara que os bombons estavam estragados, claramente muito para lá do prazo de validade e bom estado de conservação.
Exclamação da amiga:
- E tu abriste?
É que, ao que parece, a caixa circulava, de casa em casa, de mão em mão, sem nunca ser aberta.
Era uma caixa táxi, como lhe chamou o G.
É uma história bonita, não é?
Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro
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sábado, 22 de outubro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
pensando melhor...
... prefiro os rapazes!
Domingo passámos a tarde em casa de uns tios para os manos conhecerem aqueles primos que já sabem que existem mas com quem nunca se encontraram.
Foi uma tarde inesquecível!
A M., que tem 3 anos mas o mesmo metro de comprimento que o F., está naquela fase obsessiva das princesas. Com um par de sapatos às bolinhas da avó não descansou enquanto não brinquei com ela à Cinderela. Sim, porque o F. não se mete nessas coisas!!!
Aliás, fez questão de deixar claro que não gostava dela, que a achava feiosa e que não estava mesmo para aturar meninas.
Só conseguimos que brincassem juntos na relva, com uma bola, o que valeu ao F. uma placagem daquelas de o deixar imobilizado no chão a reclamar para si próprio "Esta gaja!" (pois é, com quatro anos já fala assim, nada a fazer!) e, depois, com a avó às escondidas porque se meteram todos no guarda-vestido e, claro, foi uma festa.
Ah, e mesmo na hora de ir embora, pintaram juntos uma pobre boneca que ficou com ar de zombie. Mas foi mais o gozo da borradela do que interacção entre os dois!
A M. é um verdadeiro postal ilustrado, mas devo ser eu que já estou demasiado habituada a rapazes, porque... a verdade é que me aborreci um bocadinho por ter de brincar à Cinderela!
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quarta-feira, 6 de julho de 2011
o meu pai
Nem sempre a vida dos casais corre como se desejou, como se planeou, como se sonhou.
O importante é haver sentimentos fortes entre duas pessoas que geraram, neste caso, outras três pessoas.
O fundamental é as duas pessoas estarem eternamente unidas no bem-estar e na felicidade das outras três pessoas.
É por isso que a única coisa que conta é eles continuarem a dizer, agora e sempre:
- O MEU PAI É ÓPTIMO!
E não deixarem de ter um Pê de Pai, dê por onde der.
sábado, 28 de maio de 2011
o primeiro gomo da tangerina
Quando se tem três filhos, o primeiro gomo da tangerina acontece infinitas vezes.
As tangerinas são tantas, os gomos infindáveis, e os gestos sempre sábios.
O v. foi ontem, pela primeira vez, à casa da música ver/ouvir a orquestra sinfónica tocar mozart.
O a. foi pela segunda vez (ainda que a primeira se lhe tenha diluído na memória) ver/ouvir os stomp no coliseu.
O f. ficou em casa, pela primeira vez (porque nisto é sempre a primeira vez!), com a mãe só para ele.
Eu comecei a ler caim (como se nota pela ausência de maiúsculas).
E o pai foi para a cama, muito muito cedo, pela primeira vez com a alma cheia de nós.
Porque na noite anterior tivemos uma longa e profunda conversa a cinco (sim que o f. também ouve, embora nem sempre fale) sobre a vida, a morte, os pontos de vista e experiências pessoais.
Os manos ficaram a perceber que nisto da vida não há que tomar partidos.
No fundo, o sumo e o rumo da vida.
Num beijo.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
como ser um explorador do mundo
Foi com um pé de partida nos três cantos que o três manos têm viajado por um mundo de música por descobrir. Primeiro, cada um dos protagonistas dos Cantos: o Sérgio, o Zé Mário (por quem, como Gambozinos, têm um carinho muito especial, sobretudo o A., que o conheceu pessoalmente no lançamento do Com quatro pedras na mão) e ainda o Fausto.
E, depois, como as canções são como as cerejas, vieram os Deolinda e a Adriana Calcanhoto, porque agora os discos e dvd's cá de casa saltaram todos para fora dos armários e andam espalhados pelo chão.
E cantam, e dançam, e decoram letras, e comentam, e acompanham com baterias improvisadas e guitarras electricamente invisíveis e... quase não querem ir para a escola porque lhes interrompe a sessão musical das sete da manhã!
É bom ter filhos assim, com quem se cantam as nossas canções.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
três cantos
Ontem estivemos os quatro a ver/ouvir o "Três Cantos" que passou já tarde no canal 1, no dia 25, e que gravei numa velhinha VHS.
Os manos gostaram tanto do concerto que já combinámos que aquela cassete vai ter direito a etiqueta porque "fica para a vida"!
Para a vida ficara-me as canções do Ségio, do Zé Mário e do Fausto, que as tenho todas ainda na cabeça, naquela memória surpreendente que desperta com os primeiros acordes.
Para a vida, creio, vão ficar-lhes três cantos de canções e um entusiasmo enorme pela música que se faz no nosso país.
Assim, a história das nossas vidas fica ainda mais entrelaçada, com o FMI e os sons da revolução e da esperança a cruzarem-se de novo no meu (nosso) caminho, agora percorrido com mais três pares de pés.
Nós éramos da idade deles, assim mais coisa menos coisa, quando se ouviu a Grândola na rádio.
Eu acredito que a liberdade está a passar por aqui, de qualquer maneira!
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terça-feira, 5 de abril de 2011
bochecho
Desde que o Peter passou a ser o coelho que ia substituir (porque ao contrário das pessoas os animais são substituíveis, dizia-me há dias a C., que teve vários cães e sabe do que fala) o Pinha (que por ventura era o Pinhão, mas isso não é importante).
Desde que o Peter, porque era muito pequenino e exigia muitos cuidados e conquistou o coração do A., primeiro, e depois o de todos nós cá em casa, ficou connosco até ter idade para ir para a escolinha, onde é muito mais feliz que aqui em casa, porque tem muitos meninos a pegarem-lhe ao colo e a mimá-lo.
Desde esses dias, nunca mais se comeu coelho cá em casa. Fui eu quem pediu. E o C. cumpriu.
Hoje fez um jantar delicioso, daqueles à Jamie Oliver, cheio de legumes deliciosos.
Os meninos perguntaram o que era.
- Bochecho - respondeu o pai.
- O que é? Nunca comemos... - as perguntas foram sucessivas e repetidas a três vozes.
- Bochecho... é uma espécie de... borrego...
- Anho... - ajudei eu.
Ao jantar lambemos todos os dedos.
O pai pergunta sempre vinte vezes se está bom, quando cozinha, e por vinte vezes respondemos todos (excepto o F. que ou por intuição ou por embirração resolveu comer só arroz e cenoura!):
- Está óptimo!
E o pai:
- É tão bom como borrego?
- Tão bom?! Muito melhor! - respondeu o A.
E foi mesmo bom termos comido bochecho!
Afinal a vida dos omnívoros é mesmo assim, não é?
terça-feira, 29 de março de 2011
entre o oral e o escrito, o sentido prevalece
No ano passado, o A. passou uma vergonha na escola por ter escrito Jesusalém, em vez de Jerusalém. Nunca tendo visto a palavra escrita, fazia todo o sentido, para ele, que o topónimo fosse Jususalém!
Ontem, aconteceu o mesmo com o F.. Enquanto jantávamos, o V. contava os presentes que tinham sido oferecidos à sua amiga A., no domingo.
- Além de uma bolsinha com baton e essas coisas, não sei quem foi deu-lhe o livro do Ulisses.
- Do Tolices? - inquiriu logo o F.
Gargalhada geral, está-se a ver.
Mas, na verdade, não havia que rir.
Ulisses ainda não significa nada para o F. (a seu tempo lá chegará) e tolices é uma palavra com um sentido profundo na sua vida de quatro anos (e que quatro!).
Por mim, não vejo problema nenhum nestas confusões.
Afinal, antes de casar com o pai deles eu própria lhe perguntei uma vez, na frente do Atlas, que me dissesse onde era o Islão, que eu nunca tinha percebido. Naturalmente, ele riu-se. Mas casou comigo porque, na verdade, o conceito era bastante geográfico!
Em contrapartida, tive de lhe mostrar no mapa a Patagónia. É que ele achava que era a terra do Tio Patinhas... Fazia sentido!
A questão do erro é uma questão de conceito e preconceito. Digo eu!
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sábado, 19 de março de 2011
o cor-de-rosa
Para dizer a verdade, apesar de ter sido sempre uma menina muito menina, nunca fui uma menina do género cor-de-rosa. Talvez por isso fui contemplada com três filhos e salva da terrível tarefa de conseguir evitar o cor-de-rosa na roupa e acessórios de recém-nascidos (tarefa deveras dífícil!).
O F. é o único dos meus três filhos que não gosta de cor-de-rosa. Pelo menos, é o que ele diz!
Claro que abre uma excepção para a Pantera... mas isso é porque ela é pantera, mãe! (acho que ele ainda não domina bem a função dos artigos definidos, senão teria dito a pantera!)
O A. e o V. nunca se incomodaram com o cor-de-rosa, mas o F. é peremptório.
Há dias comprei meias para todos. O F. perguntou logo:
- Não trouxeste cor-de-rosa para mim, pois não?
Perante a minha confirmação, respirou de alívio:
- Ainda bem!
Assim sendo, e uma vez que apesar de tudo o A. e o V. não se entusiamam com as meias cor-de-rosa, sou a única a usar meias cor-de-rosa cá em casa. Embora quando conheci o pai deles ele tivesse umas meias cor-de-rosa, que adorava e que tinham sido brancas antes de conviverem na máquina de lavar com um par de meias vermelhas!
Mas isso é outra história...
O F. é o único dos meus três filhos que não gosta de cor-de-rosa. Pelo menos, é o que ele diz!
Claro que abre uma excepção para a Pantera... mas isso é porque ela é pantera, mãe! (acho que ele ainda não domina bem a função dos artigos definidos, senão teria dito a pantera!)
O A. e o V. nunca se incomodaram com o cor-de-rosa, mas o F. é peremptório.
Há dias comprei meias para todos. O F. perguntou logo:
- Não trouxeste cor-de-rosa para mim, pois não?
Perante a minha confirmação, respirou de alívio:
- Ainda bem!
Assim sendo, e uma vez que apesar de tudo o A. e o V. não se entusiamam com as meias cor-de-rosa, sou a única a usar meias cor-de-rosa cá em casa. Embora quando conheci o pai deles ele tivesse umas meias cor-de-rosa, que adorava e que tinham sido brancas antes de conviverem na máquina de lavar com um par de meias vermelhas!
Mas isso é outra história...
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
marcadores para livros
Com uma Sizzix, ums restos de cartolinas coloridas e um filho com vontade de fazer coisas bonitas, nasceram estes marcadores.
As ideias nascem-nos das mãos!
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
11 coisas boas em 11 dias
1. O ano novo não parece igual ao velho.
2. O tempo estica quando gostamos de quem passa com ele.
3. Voltar a trabalhar não custa assim tanto.
4. Uma Sizzix não é essencial para nos entreter, mas ajuda.
5. A fada dos dentes existe mesmo.
6. Um abraço com cinco semanas de Tailândia dentro enche-nos a alma.
7. Ver um bom filme é sempre uma grande experiência.
8. Há tantas coisas boas que as pessoas não fazem porque vêem televisão...
9. A chuva traz-nos mais depressa os amigos para dentro de casa.
10. A Casa da Música mudou mesmo a cidade.
11. A M. vai casar com o F. depois de amanhã e eu vou ser a madrinha !
2. O tempo estica quando gostamos de quem passa com ele.
3. Voltar a trabalhar não custa assim tanto.
4. Uma Sizzix não é essencial para nos entreter, mas ajuda.
5. A fada dos dentes existe mesmo.
6. Um abraço com cinco semanas de Tailândia dentro enche-nos a alma.
7. Ver um bom filme é sempre uma grande experiência.
8. Há tantas coisas boas que as pessoas não fazem porque vêem televisão...
9. A chuva traz-nos mais depressa os amigos para dentro de casa.
10. A Casa da Música mudou mesmo a cidade.
11. A M. vai casar com o F. depois de amanhã e eu vou ser a madrinha !
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
feitos em casa com muito espírito natalício
Se o grau de felicidade de uma família se medisse pela qualidade dos presentes de Natal, aposto que nós, este ano, ganhávamos.
Cada um fez, durante semanas, dias, horas, presentes para cada um dos outros. Numa família de cinco isso significa que cada um fez quatro presentes e, no total, se fizeram vinte presentes (por acaso, foram dezassete porque o pai fez um quatro-em-um!).
Todos com imaginação, dedicação e sobretudo muito espírito natalício. A reutilização de materiais foi a técnica mais usada.
E mais não digo...
Cada um fez, durante semanas, dias, horas, presentes para cada um dos outros. Numa família de cinco isso significa que cada um fez quatro presentes e, no total, se fizeram vinte presentes (por acaso, foram dezassete porque o pai fez um quatro-em-um!).
Todos com imaginação, dedicação e sobretudo muito espírito natalício. A reutilização de materiais foi a técnica mais usada.
E mais não digo...
Do F. para o V.
Do F. para o A.
Do F. para o pai
Do F. para a mãe
Do V. para o F.
Do V. para o A.
Do V. para o pai
Do V. (o colar) e do A. (a caixa) para a mãe
Do A. para o F.
Do A. para o V.
Do A. para o pai
Da mãe para o F. (sem acabamentos!)
Os outros presentes não podem aparecer aqui porque têm retratos nossos ou de pessoas que nos são muito querisas, mas são igualmente bonitos (digo eu...)
O Natal foi, pois, muito feliz por aqui.
Até porque, ainda por cima, o Pai Natal satisfez os mais profundos desejos de cada um dos meninos e deu uma trotineta enorme ao A., um skate (a sério, nada de imitações!) ao V. e uma trotineta pequenininha ao F.
Como me dizia o A. ontem:
- Sabes, mãe, se eu pedisse uma coisa ao Pai Natal não ia pedir isto... Mas era mesmo isto que eu queria.
É a vantagem de acreditar!
O Natal foi, pois, muito feliz por aqui.
Até porque, ainda por cima, o Pai Natal satisfez os mais profundos desejos de cada um dos meninos e deu uma trotineta enorme ao A., um skate (a sério, nada de imitações!) ao V. e uma trotineta pequenininha ao F.
Como me dizia o A. ontem:
- Sabes, mãe, se eu pedisse uma coisa ao Pai Natal não ia pedir isto... Mas era mesmo isto que eu queria.
É a vantagem de acreditar!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
os 24 dias até ao Natal
Começou a contagem crescente.
Os manos montaram a árvore e eu, imbuída de verdadeiro espírito natalício, consegui terminar o nosso calendário do advento deste ano.
- Uau! - gritaram eles quando entraram em casa.
Assim vale a pena!
Os manos montaram a árvore e eu, imbuída de verdadeiro espírito natalício, consegui terminar o nosso calendário do advento deste ano.
Com papel vegetal picotado, pintado, cosido, furado e pendurado...
- Uau! - gritaram eles quando entraram em casa.
Assim vale a pena!
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
o meu avô
A família (e os amigos, também!) são aquilo que me prende à vida.
Este fim-de-semana foi o fim-de-semana da minha família.
O meu irmão doutorou-se no último dia dos seus 29 anos, no dia seguinte fez 30 anos e, ontem, a minha única tia de sangue fez 70 anos.
Como se não bastasse a sucessão de emoções, ainda tive direito a um presente que me deixou emocionadíssima.
A minha tia ofereceu-me um retrato muito especial.
Este fim-de-semana foi o fim-de-semana da minha família.
O meu irmão doutorou-se no último dia dos seus 29 anos, no dia seguinte fez 30 anos e, ontem, a minha única tia de sangue fez 70 anos.
Como se não bastasse a sucessão de emoções, ainda tive direito a um presente que me deixou emocionadíssima.
A minha tia ofereceu-me um retrato muito especial.
A minha avó tinha-o à cabeceira da cama.
Agora que a cama foi embora, o retrato veio para junto de mim.
São estas coisas, pequeninas, que me prendem verdadeiramente à vida.
Tenho pena de não ter sido capaz de guardar o meu avô na memória, mas tenho-o dentro do coração. Assim. Exactamente. Com a cabeça nele encostada.
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