Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro
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segunda-feira, 3 de junho de 2013
Grigory, o generoso
Grigory Sokolov tocou ontem, uma vez mais, na Casa da Música.
O programa foi extenso. E entre os tormentos de Schubert e os de Beethoven, sobrevivi com algum cansaço a tantas notas (porque se ouvem todas) a revolverem-me as entranhas.
Confesso que só descansei o espírito durante os seis extras com que Sokolov nos brindou.
A generosidade daquele homem é enorme. Maior do que a sua arte. Que é simplesmente descomunal.
Imaginar que dedica a sua vida a partilhar a sua generosidade com plateias de todo o mundo é... de uma incomensurável generosidade.
Grigory, o generoso. É só o que me apetece dizer.
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
a flauta mágica
Comecei a tocar piano aos sete, flauta de bisel aos dez e flauta transversal aos doze.
Aos dezassete estudava quatro horas por dia, lia as partituras todas que encontrava, acompanhava os discos todos que comprava.
Depois entrei para o ensino superior, depois comecei a dar aulas, depois apaixonei-me e daí para a frente a flauta passou a ser aquilo que eu deveria ter continuado a estudar mas nunca tinha tempo.
Finalmente, agora, com três filhos, tenho tempo para aprender a tocar. Não para ler partituras, para acompanhar discos, mas para aprender a tocar como gente grande.
O meu professor é dezassete anos mais novo que eu e, pelo menos, dezassete anos mais sábio que eu na arte de fazer música com um tubo metálico cheio de buracos e tampas.
Ontem estivemos uma hora e meia a jogar o jogo que ele me tenta ensinar há mais de nove meses: chama-se "onde está o diafragma" (que é assim uma espécie da caça aos gambozinos!). É um jogo muito difícil de jogar. Para mim, que cada vez mais me convenço de que me tiraram o diafragma numa das três cesarianas que me fizeram, e, para ele, que não percebe como é possível viver sem uma membrana vital (vital para um flautista, entenda-se!).
Em nove meses ainda não consegui encontrar o meu diafragma, mas decididamente encontrei o mais persistente caçador de diafragmas do mundo!
E ainda por cima toca como Rampal, Galway e Fromanger todos juntos (além dos outros, claro!) .
É caso para dizer: ele há gajos do caraças!
sábado, 28 de maio de 2011
o primeiro gomo da tangerina
Quando se tem três filhos, o primeiro gomo da tangerina acontece infinitas vezes.
As tangerinas são tantas, os gomos infindáveis, e os gestos sempre sábios.
O v. foi ontem, pela primeira vez, à casa da música ver/ouvir a orquestra sinfónica tocar mozart.
O a. foi pela segunda vez (ainda que a primeira se lhe tenha diluído na memória) ver/ouvir os stomp no coliseu.
O f. ficou em casa, pela primeira vez (porque nisto é sempre a primeira vez!), com a mãe só para ele.
Eu comecei a ler caim (como se nota pela ausência de maiúsculas).
E o pai foi para a cama, muito muito cedo, pela primeira vez com a alma cheia de nós.
Porque na noite anterior tivemos uma longa e profunda conversa a cinco (sim que o f. também ouve, embora nem sempre fale) sobre a vida, a morte, os pontos de vista e experiências pessoais.
Os manos ficaram a perceber que nisto da vida não há que tomar partidos.
No fundo, o sumo e o rumo da vida.
Num beijo.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
como ser um explorador do mundo
Foi com um pé de partida nos três cantos que o três manos têm viajado por um mundo de música por descobrir. Primeiro, cada um dos protagonistas dos Cantos: o Sérgio, o Zé Mário (por quem, como Gambozinos, têm um carinho muito especial, sobretudo o A., que o conheceu pessoalmente no lançamento do Com quatro pedras na mão) e ainda o Fausto.
E, depois, como as canções são como as cerejas, vieram os Deolinda e a Adriana Calcanhoto, porque agora os discos e dvd's cá de casa saltaram todos para fora dos armários e andam espalhados pelo chão.
E cantam, e dançam, e decoram letras, e comentam, e acompanham com baterias improvisadas e guitarras electricamente invisíveis e... quase não querem ir para a escola porque lhes interrompe a sessão musical das sete da manhã!
É bom ter filhos assim, com quem se cantam as nossas canções.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
três cantos
Ontem estivemos os quatro a ver/ouvir o "Três Cantos" que passou já tarde no canal 1, no dia 25, e que gravei numa velhinha VHS.
Os manos gostaram tanto do concerto que já combinámos que aquela cassete vai ter direito a etiqueta porque "fica para a vida"!
Para a vida ficara-me as canções do Ségio, do Zé Mário e do Fausto, que as tenho todas ainda na cabeça, naquela memória surpreendente que desperta com os primeiros acordes.
Para a vida, creio, vão ficar-lhes três cantos de canções e um entusiasmo enorme pela música que se faz no nosso país.
Assim, a história das nossas vidas fica ainda mais entrelaçada, com o FMI e os sons da revolução e da esperança a cruzarem-se de novo no meu (nosso) caminho, agora percorrido com mais três pares de pés.
Nós éramos da idade deles, assim mais coisa menos coisa, quando se ouviu a Grândola na rádio.
Eu acredito que a liberdade está a passar por aqui, de qualquer maneira!
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sábado, 9 de abril de 2011
o mundo que eu gostava que existisse
O Zé Mário Branco escreveu a letra para uma canção que a Suzana Ralha musicou e O Bando dos Gambozinos canta, cujo refrão é:
Entre o vago e o profundo
Entre a dor e a malandrice
O Porto é sinal de um mundo
Que eu gostava que existisse
Os Gambozinos são o sinal da escola que eu gostava que existisse.
Ontem, O V. estava com dores de barriga na aula de história. Durante a aula de filosofia esteve deitado no banco. Porque nos Gambozinos pode aprender-se filosofia deitado num banco e com dores de barriga. Só que o V. adormeceu. E acordou quando caiu do banco abaixo. O Rui só lhe disse para ir dormir para "os segredos" (uns cantinhos de sotão onde as crianças brincam, descansam e têm aulas, também). E o V. foi. E dormiu. E quando o fui buscar já não tinha dores de barriga, nem sono. Mas tinha uma experiência de aula inesquecível!
De tal maneira que já hoje estivemos a conversar sobre o episódio da banheira de Arquimedes e de como o V. podia ter descoberto qualquer coisa interessantíssima ao cair do banco, não estivesse seco e a dormir numa aula de filosofia!
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
o peixe
O A. descobriu o cinema. No domingo viu o Big Fish, de Tim Burton comigo. Agora está a vê-lo com o V. e com o pai.
- Um bom filme, mãe, pode-se ver muitas vezes que não cansa!
Contei-lhe da minha tia A. que foi ao cinema sete vezes ver o Amadeus.
- A sério?
A sério. É um filme que havemos de ver. Até porque na sexta-feira passada, o F. lembrou-se que já não via o Papageno há muito tempo e entrámos numa nova temporada de Flautas Mágicas. O F. conhece-as e lembra-se de todas. Mas continua a preferir os cenários de Hopper e o filme do Bergman. Com três anos dir-se-ia que tem critérios exigentes de selecção.
E quanto ao grande peixe, a vida é mesmo assim: tornamo-nos nas nossas próprias histórias.
A mim parece-me bonito...
- Um bom filme, mãe, pode-se ver muitas vezes que não cansa!
Contei-lhe da minha tia A. que foi ao cinema sete vezes ver o Amadeus.
- A sério?
A sério. É um filme que havemos de ver. Até porque na sexta-feira passada, o F. lembrou-se que já não via o Papageno há muito tempo e entrámos numa nova temporada de Flautas Mágicas. O F. conhece-as e lembra-se de todas. Mas continua a preferir os cenários de Hopper e o filme do Bergman. Com três anos dir-se-ia que tem critérios exigentes de selecção.
E quanto ao grande peixe, a vida é mesmo assim: tornamo-nos nas nossas próprias histórias.
A mim parece-me bonito...
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sábado, 10 de julho de 2010
há dias para lembrar
Há dias para esquecer.
Há dias para lembrar. Ontem foi mais um deles, entre os tantos destas últimas semanas.
Foi a festa das quatro bandeirinhas. A minha, que me doutorei, a da Sara, que se mestrou, a da Manela, que me orientou e orientou pela primeira vez e a da Paula, que também orientou e doutorou ontem pela primeira vez. O V. fez as bandeirinhas, com os nossos retratos, o A. as quiches e eu a mousse de chocolate. O meu irmão fez a sangria e... bom, foi a melhor festa dos últimos vinte anos, seguramente.
Além de nós, as propriamente embandeiradas, tínhamos entre nós uma estrela.Cantámos noite dentro e o céu ficou mais brilhante. Os miúdos brincaram até caírem de cansaço. Primeiro o V. no colo da Carla, depois o A., vestido em cima da sua cama e.... o F. só depois de toda a gente ter ido embora e de me ter ajudado a acabar de arrumar a sala! As meninas aguentaram a pé firme, cheias de sono e o P. saiu como se fosse quase tão fresco como se fosse da manhã!
Há dias cheios de amigos. Há dias coloridos. Há dias que esticam.Há dias que deviam durar para sempre.
Há dias que ficam para a história.
É por isso que é muito bom que haja pessoas que percebem de dias e escrevam e ilustrem um livro para todos os dias!
domingo, 7 de março de 2010
casa da música
Os Gambozinos são a outra casa deles.
Às vezes, transforma-se na nossa outra casa, também, onde podemos passar uma tarde inteira a ouvir pessoas pequeninas e pessoas menos pequeninas a fazer música.
De repente, transformamo-nos, assim, numa espécie de enorme família musical, graças à Suzana.
Às vezes, transforma-se na nossa outra casa, também, onde podemos passar uma tarde inteira a ouvir pessoas pequeninas e pessoas menos pequeninas a fazer música.
De repente, transformamo-nos, assim, numa espécie de enorme família musical, graças à Suzana.
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