O A. e o V. sabem e gostam de mitologia. Ontem, deitaram-se os dois à meia-noite (o V. enfiado na cama do A.!) para poderem ver até ao fim um filme que o meu irmão lhes deu: Troy.
Acho que o facto de tratarem Aquiles por tu lhes vai ser útil, de qualquer forma, no futuro.
Os bons livros ilustrados que se vão fazendo por aí foram, muito antes dos filmes, os responsáveis pela paixão dos dois pelos deuses.
Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro
sábado, 9 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
leves fardos são estes
A convite da própria Mafalda (a do desenho) fomos ontem ao CLP.
Para todos, foi uma experiência única, aquele Génesis dito pelo Luís Carvalho.
Acho que depois de ontem, a teoria do Big Bang nunca mais vai convencer-nos!
O GÉNESIS
Jeová por alcunha - o Padre Eterno,
Deus muitíssimo padre e muito pouco eterno,
Teve uma ideia suja, uma ideia infeliz:
Pôs-se a esgravatar co’o dedo no nariz,
Tirou desse nariz o que o nariz encerra,
Deitou isso depois cá baixo, e fez-se a Terra.
Em seguida tirou da cabeça o chapéu.
Pô-lo em cima da Terra, e zás, formou o céu.
Mas o chapéu azul do Padre Omnipotente
Era um velho penante, um penante indecente,
Já muito carcomido e muito esburacado,
E eis aí porque o Céu ficou todo estrelado.
Depois o Criador (honra lhe seja feita!)
Achou a sua obra uma obra imperfeita,
Mundo sarrafaçal, globo de fancaria,
Que nem um aprendiz de Deus assinaria,
E furioso escarrou no mundo sublunar,
E a saliva ao cair na Terra fez o mar.
Depois, para que a igreja arranjasse entre os povos
Com bulas da cruzada, alguns cruzados novos,
E Tartufo pudesse inda dessa maneira
Jejuar, sem comer de carne à sexta-feira,
Jeová fez então para a crença devota
A enguia, o bacalhau e a pescada-marmota.
Em seguida meteu a mão pelo socavo,
Mais profundo e maior que a caverna de Caco,
E arrancando de lá parasitas estranhos,
De toda a qualidade e todos os tamanhos,
Lançou-os sobre a Terra, e deste modo insonte
Fez ele o megatério e fez o mastodonte.
Depois, para provar em suma quanto pode
Um Criador, tirou dois pêlos do bigode,
Cortou-os em milhões e milhões de bocados,
(Obra em que ele estragou quatrocentos machados)
Dispersou-os no globo, e foi desta maneira
Que nasceu o carvalho, o plátano e a palmeira.
Por fim com barro vil, assombro da olaria!,
O que é que imaginais que o Criador faria?
Um pote? não; um bicho, um bípede com rabo,
A que uns chamam Adão e outros Simão. Ao cabo
O pobre Criador sentindo-se já fraco,
(Coitado, tinha feito o universo e um macaco
Em seis dias!) pensou: Deixemo-nos de asneiras,
Trago já uma dor horrível nas cadeiras,
Fastio... Isto dá cabo até de uma pessoa...
Nada, toca a dormir uma sonata boa!-
Descalçou-se, tirou os óc’los e o chinó,
Pitadeou com delícia alguns trovões em pó,
Abriu, para cair num sono repentino,
O alfarrábio chamado o livro do Destino,
E enflanelando bem a carcaça caduca,
com o barrete azul-celeste até à nuca,
Fez ortodoxamente o seu sinal da cruz
Como qualquer de nós, tossiu, soprou à luz,
E de pança pró ar, num repoiso bendito,
Espojou-se, estirou-se ao longo do infinito
Num imenso enxergão de névoa e luz doirada.
E até hoje, que eu saiba, inda não fez mais nada.
Guerra Junqueiro
Para todos, foi uma experiência única, aquele Génesis dito pelo Luís Carvalho.
Acho que depois de ontem, a teoria do Big Bang nunca mais vai convencer-nos!
O GÉNESIS
Jeová por alcunha - o Padre Eterno,
Deus muitíssimo padre e muito pouco eterno,
Teve uma ideia suja, uma ideia infeliz:
Pôs-se a esgravatar co’o dedo no nariz,
Tirou desse nariz o que o nariz encerra,
Deitou isso depois cá baixo, e fez-se a Terra.
Em seguida tirou da cabeça o chapéu.
Pô-lo em cima da Terra, e zás, formou o céu.
Mas o chapéu azul do Padre Omnipotente
Era um velho penante, um penante indecente,
Já muito carcomido e muito esburacado,
E eis aí porque o Céu ficou todo estrelado.
Depois o Criador (honra lhe seja feita!)
Achou a sua obra uma obra imperfeita,
Mundo sarrafaçal, globo de fancaria,
Que nem um aprendiz de Deus assinaria,
E furioso escarrou no mundo sublunar,
E a saliva ao cair na Terra fez o mar.
Depois, para que a igreja arranjasse entre os povos
Com bulas da cruzada, alguns cruzados novos,
E Tartufo pudesse inda dessa maneira
Jejuar, sem comer de carne à sexta-feira,
Jeová fez então para a crença devota
A enguia, o bacalhau e a pescada-marmota.
Em seguida meteu a mão pelo socavo,
Mais profundo e maior que a caverna de Caco,
E arrancando de lá parasitas estranhos,
De toda a qualidade e todos os tamanhos,
Lançou-os sobre a Terra, e deste modo insonte
Fez ele o megatério e fez o mastodonte.
Depois, para provar em suma quanto pode
Um Criador, tirou dois pêlos do bigode,
Cortou-os em milhões e milhões de bocados,
(Obra em que ele estragou quatrocentos machados)
Dispersou-os no globo, e foi desta maneira
Que nasceu o carvalho, o plátano e a palmeira.
Por fim com barro vil, assombro da olaria!,
O que é que imaginais que o Criador faria?
Um pote? não; um bicho, um bípede com rabo,
A que uns chamam Adão e outros Simão. Ao cabo
O pobre Criador sentindo-se já fraco,
(Coitado, tinha feito o universo e um macaco
Em seis dias!) pensou: Deixemo-nos de asneiras,
Trago já uma dor horrível nas cadeiras,
Fastio... Isto dá cabo até de uma pessoa...
Nada, toca a dormir uma sonata boa!-
Descalçou-se, tirou os óc’los e o chinó,
Pitadeou com delícia alguns trovões em pó,
Abriu, para cair num sono repentino,
O alfarrábio chamado o livro do Destino,
E enflanelando bem a carcaça caduca,
com o barrete azul-celeste até à nuca,
Fez ortodoxamente o seu sinal da cruz
Como qualquer de nós, tossiu, soprou à luz,
E de pança pró ar, num repoiso bendito,
Espojou-se, estirou-se ao longo do infinito
Num imenso enxergão de névoa e luz doirada.
E até hoje, que eu saiba, inda não fez mais nada.
Guerra Junqueiro
terça-feira, 28 de setembro de 2010
o sabor dos dias
O A. tem uma nova professora de Língua Portuguesa e anda entusiasmado com o facto de ela não se limitar ao manual escolar e apresentar propostas pessoais que o estão, claramente, a entusiasmar.
No sábado começou o seu diário. E está a descobrir o sabor dos dias através dos pequenos registos que faz no seu novo caderno azul, todos os fins de tarde.
Ainda bem que há professores assim!
No sábado começou o seu diário. E está a descobrir o sabor dos dias através dos pequenos registos que faz no seu novo caderno azul, todos os fins de tarde.
Ainda bem que há professores assim!
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
lanches
À quinta-feira, eu e o F. lanchamos juntos para podermos estar algum tempo a sós, sem irmãos, antes de voltarmos todos para casa.
Ontem, comemos "bolachas com chapéu", da família dos húngaros, e quando tirámos a última o F. pediu-me "engordar o saco de plástico para depois arrebentar"!
Os nossos lanches são assim!
Ontem, comemos "bolachas com chapéu", da família dos húngaros, e quando tirámos a última o F. pediu-me "engordar o saco de plástico para depois arrebentar"!
Os nossos lanches são assim!
domingo, 19 de setembro de 2010
coelhices
Depois de um acidente nas férias (que não vou relatar) temos agora um animal de estimação.
O F. anda fascinado com as capacidades do Peter. O pai anda simplesmente babado. O A. e o V. entusiasmados e responsáveis e eu...
Que mais poderia desejar que ter em casa uma das mais famosas personagens da história dos livros ilustrados para crianças?
O F. anda fascinado com as capacidades do Peter. O pai anda simplesmente babado. O A. e o V. entusiasmados e responsáveis e eu...
Que mais poderia desejar que ter em casa uma das mais famosas personagens da história dos livros ilustrados para crianças?
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
cores
No fim-de-semana passado, o A. pediu-me para o ensinar a tecer no tear.
Já tinha experimentado o tear de cartão, mas a ideia da máquina não lhe passava.
Como não temos um tear a sério, ajudei-o a montar uma teia num pequeno e rudimentar tear que guardei da minha infância.
E durante uma tarde inteira teceu.
E o F. brincava com as molas da roupa...
Cada um passou a tarde a brincar com as cores, à sua maneira.
Eu, por mim, tive uma tarde tranquila e muito colorida!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
pirileca II
Ontem o F. foi com a escolinha à Casa da Música.
Os grandes foram munidos de trotinetas e skates.
Os pequeninos levaram os cinco sentidos apurados.
Quando o fui buscar, perguntei-lhe como tinha sido.
- Nem me fales de pirilecas, por amor de Deus! Era só para cima e para baixo, para cima e para biaxo...
É que parece que estava uma pirileca com dois homens a limpar os vidros da Casa.
AH, e o V. informou-me que são os homens que têm um comando para accionar a pirileca. Não está nenhum homem cá em baixo.
Extraordinário mundo das pirilecas!
Os grandes foram munidos de trotinetas e skates.
Os pequeninos levaram os cinco sentidos apurados.
Quando o fui buscar, perguntei-lhe como tinha sido.
- Nem me fales de pirilecas, por amor de Deus! Era só para cima e para baixo, para cima e para biaxo...
É que parece que estava uma pirileca com dois homens a limpar os vidros da Casa.
AH, e o V. informou-me que são os homens que têm um comando para accionar a pirileca. Não está nenhum homem cá em baixo.
Extraordinário mundo das pirilecas!
Etiquetas:
casa da música,
coisas de criança,
pirileca
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
água de vaca
Parados no semáforo. Um camião frigorífico à nossa frente com publicidade ao leite Vigor.
Pelo retrovisor aprecio a concentração do F. a observar o camião. E depois o sorriso daquela lâmpada que aparece na BD por cima da cabeça das personagens.
- Mãe, vou-te contar uma coisa engraçada. Este camião é de água de vaca!
E o sorriso dele espalha-se numa gargalhadinha tímida.
Afinal não é tão mau como isso não ser do tempo dos leiteiros e das padeiras. O mundo ainda tem o seu encanto!
Pelo retrovisor aprecio a concentração do F. a observar o camião. E depois o sorriso daquela lâmpada que aparece na BD por cima da cabeça das personagens.
- Mãe, vou-te contar uma coisa engraçada. Este camião é de água de vaca!
E o sorriso dele espalha-se numa gargalhadinha tímida.
Afinal não é tão mau como isso não ser do tempo dos leiteiros e das padeiras. O mundo ainda tem o seu encanto!
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
ceci n'es pas une pomme
Magritte tê-lo-ia dito assim.
O F., ontem ao jantar, com uma banana disse de outra maneira:
-É um barco... uma lua... um arco-íris!
E como ele estava muito cansado eu comi aquilo tudo com compota de abóbora!
Não era uma maçã, mas soube-me mesmo bem.
O F., ontem ao jantar, com uma banana disse de outra maneira:
-É um barco... uma lua... um arco-íris!
E como ele estava muito cansado eu comi aquilo tudo com compota de abóbora!
Não era uma maçã, mas soube-me mesmo bem.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
férias
Não desaparecemos do mapa... mas quase.
Estamos de férias no nosso pequeno paraíso e este ano a máquina de costura está no sítio do computador e o tricot no saco dos artigos e livros de estudo.
Fazer férias este ano significa não fazer aquilo que fiz o ano inteiro.
Portanto...
Até Setembro!
Estamos de férias no nosso pequeno paraíso e este ano a máquina de costura está no sítio do computador e o tricot no saco dos artigos e livros de estudo.
Fazer férias este ano significa não fazer aquilo que fiz o ano inteiro.
Portanto...
Até Setembro!
domingo, 25 de julho de 2010
bolas de sabão
Hoje o F. esteve a fazer bolas de sabão sentado na beira da piscina, enquanto eu nadava.
Eram oito e meia da manhã e a água estava azul e morna e as bolas deslizavam sobre a superfície lisa luminosa que eu tentava não agitar.
- Olha, as bolas a nadar, mãe! Plof! Rebentou...
A vida é, de facto um mistério maravilhoso.
Compreendo agora como a minha mãe, com setenta anos, ficou perturbada quando o V., espontaneamente e sem qualquer intuito de maldade (creio que pelo contrário...), lhe perguntou se quando morresse queria ser enterrada ou cremada. A minha mãe, como todas as mães (imagino) não quer morrer. Ponto final. O resto não lhe interessa, na verdade.
Mas a vida é, quer queiramos quer não, uma bola de sabão largada pela manhã, que voa, flutua e um dia...
- Plof! Rebentou...
Parece-me que é disto que deve tratar a filosofia que alguns fazem com crianças.
Eu, por mim, limito-me a deixá-los fazer bolas de sabão. Acho que não é preciso muito mais.
Eram oito e meia da manhã e a água estava azul e morna e as bolas deslizavam sobre a superfície lisa luminosa que eu tentava não agitar.
- Olha, as bolas a nadar, mãe! Plof! Rebentou...
A vida é, de facto um mistério maravilhoso.
Compreendo agora como a minha mãe, com setenta anos, ficou perturbada quando o V., espontaneamente e sem qualquer intuito de maldade (creio que pelo contrário...), lhe perguntou se quando morresse queria ser enterrada ou cremada. A minha mãe, como todas as mães (imagino) não quer morrer. Ponto final. O resto não lhe interessa, na verdade.
Mas a vida é, quer queiramos quer não, uma bola de sabão largada pela manhã, que voa, flutua e um dia...
- Plof! Rebentou...
Parece-me que é disto que deve tratar a filosofia que alguns fazem com crianças.
Eu, por mim, limito-me a deixá-los fazer bolas de sabão. Acho que não é preciso muito mais.
Etiquetas:
coisas de criança,
educação,
filosofia
domingo, 18 de julho de 2010
o bebé
O F. já repetiu várias vezes a história de, perante uma situação que lhe conto, dizer que viu tudo da minha bolsinha.
Há, dias, porém, a coisa foi mais longe.
Estava eu a contar-lhe, já não me lembro o quê, de quando tinha a idade dele.
- Eu vi, eu estava na tua bolsinha e vi! - declarou.
- Não, F., desta vez ainda não estavas não minha bolsinha, eu era assim pequenina como tu...
- Então onde estava? Estava na tua barriga?
- Não, F., eu era uma menina pequenina, ainda não tinha bebés na barriga...
- Então... Estava na barriga do avô, não era?
Ups! E o que se diz depois disto? Eu só fui capaz de um vago...
- Mais ou menos...
Para mim um bebé é sempre um bebé. Esteve sempre lá, desde que o vi assim (ver as imagens em "fora de cartel").
Há, dias, porém, a coisa foi mais longe.
Estava eu a contar-lhe, já não me lembro o quê, de quando tinha a idade dele.
- Eu vi, eu estava na tua bolsinha e vi! - declarou.
- Não, F., desta vez ainda não estavas não minha bolsinha, eu era assim pequenina como tu...
- Então onde estava? Estava na tua barriga?
- Não, F., eu era uma menina pequenina, ainda não tinha bebés na barriga...
- Então... Estava na barriga do avô, não era?
Ups! E o que se diz depois disto? Eu só fui capaz de um vago...
- Mais ou menos...
Para mim um bebé é sempre um bebé. Esteve sempre lá, desde que o vi assim (ver as imagens em "fora de cartel").
Etiquetas:
coisas de criança,
filosofia,
livros,
marionetas
sexta-feira, 16 de julho de 2010
a pintura generosa
Há dias, no carro de regresso a casa, o F.:
- Mãe, hoje tenho de lavar os pés. Estão muito sujos!
- Ai sim?
- Estive a pintar.
- Com os pés?
- Não - retorquiu o V. - com o pincel, só que deixou cair os pincel nos pés!
- Ah, não há problema , isso sai tudo no banho.
- A L. é que estava... parecia uma macieira!
E, eu a vê-lo pelo retrovisor, com as mãos a apontar vários pontos nas bochechas:
- Verde, azul... preto...
Parecia uma macieira...
sábado, 10 de julho de 2010
há dias para lembrar
Há dias para esquecer.
Há dias para lembrar. Ontem foi mais um deles, entre os tantos destas últimas semanas.
Foi a festa das quatro bandeirinhas. A minha, que me doutorei, a da Sara, que se mestrou, a da Manela, que me orientou e orientou pela primeira vez e a da Paula, que também orientou e doutorou ontem pela primeira vez. O V. fez as bandeirinhas, com os nossos retratos, o A. as quiches e eu a mousse de chocolate. O meu irmão fez a sangria e... bom, foi a melhor festa dos últimos vinte anos, seguramente.
Além de nós, as propriamente embandeiradas, tínhamos entre nós uma estrela.Cantámos noite dentro e o céu ficou mais brilhante. Os miúdos brincaram até caírem de cansaço. Primeiro o V. no colo da Carla, depois o A., vestido em cima da sua cama e.... o F. só depois de toda a gente ter ido embora e de me ter ajudado a acabar de arrumar a sala! As meninas aguentaram a pé firme, cheias de sono e o P. saiu como se fosse quase tão fresco como se fosse da manhã!
Há dias cheios de amigos. Há dias coloridos. Há dias que esticam.Há dias que deviam durar para sempre.
Há dias que ficam para a história.
É por isso que é muito bom que haja pessoas que percebem de dias e escrevam e ilustrem um livro para todos os dias!
sábado, 3 de julho de 2010
dias felizes
Nem dá para acreditar que numa única semana se possam juntar tantas emoções!
Na segunda-feira, prestei provas de doutoramento, na Faculdade.
Na terça,levei os manos a colher sangue, fui assistir à defesa da dissertação de mesrado da Sara (e essa sim foi uma defesa!) e à tarde montámos e desmontámos a exposição dos quintArtistas.
Na quarta estive pendurada nos formalismos buroráticos do encerramento do ano lectivo, mas ainda fui comer um sorvete (com ou sem panqueca) ao Café Progresso com os meus três filhotes.
Na quinta tentei meter numa mala tudo o que uma mulher precisa para não se sentir infeliz fora de casa eà noite deitei os três, um a um, com umas boas noites muito especiais.~
Na sexta, levantei-me às quatro e meia da manhã e cheguei a Oxford ao meio dia, depois de um voo, dois combois e um metro.Nada mau!
A cidade é fascinante, sobretudo porque tem uma livraria absolutamente delirante chama Blackwell! E ainda por cima hoje é o dia da Alice! Livros para crianças aos molhos e em saldos.... Por que raio hei-de ter e respeitar as restrições dos voos lowcost?
Na segunda-feira, prestei provas de doutoramento, na Faculdade.
Na terça,levei os manos a colher sangue, fui assistir à defesa da dissertação de mesrado da Sara (e essa sim foi uma defesa!) e à tarde montámos e desmontámos a exposição dos quintArtistas.
Na quarta estive pendurada nos formalismos buroráticos do encerramento do ano lectivo, mas ainda fui comer um sorvete (com ou sem panqueca) ao Café Progresso com os meus três filhotes.
Na quinta tentei meter numa mala tudo o que uma mulher precisa para não se sentir infeliz fora de casa eà noite deitei os três, um a um, com umas boas noites muito especiais.~
Na sexta, levantei-me às quatro e meia da manhã e cheguei a Oxford ao meio dia, depois de um voo, dois combois e um metro.Nada mau!
A cidade é fascinante, sobretudo porque tem uma livraria absolutamente delirante chama Blackwell! E ainda por cima hoje é o dia da Alice! Livros para crianças aos molhos e em saldos.... Por que raio hei-de ter e respeitar as restrições dos voos lowcost?
Embora extenuante, até a Conferência está a ser uma história bem contada, bem escrita, cheia de personagens interessantes e beissímimas ilustrações do que ainda há de mais bonito na Humanidade.
domingo, 27 de junho de 2010
nem todos os cravos são vermelhos...
O F. está a fazer puzzles junto à janela norte da sala.
De repente levanta-se, empoleira-se na poltrona para chegar ao interruptor e declara:
- O sol é um cravo e eu não consigo ver porque o sol está desse lado, não está aqui, está noutras terras, na terra dos cangurus!
Passei quatro anos a estudar os sentidos intersubjectivos entre crianças, considerando a sua agência, as culturas infantis, teoricamente inscrita num paradigma interpretativo e metodologicamente fiel à etnografia... E ainda não consigo perceber o que o meu filho de três anos quer dizer com "o sol é um cravo"!
Merecerei realmente o título que, teoricamente, me atribuirão amanhã?
De repente levanta-se, empoleira-se na poltrona para chegar ao interruptor e declara:
- O sol é um cravo e eu não consigo ver porque o sol está desse lado, não está aqui, está noutras terras, na terra dos cangurus!
Passei quatro anos a estudar os sentidos intersubjectivos entre crianças, considerando a sua agência, as culturas infantis, teoricamente inscrita num paradigma interpretativo e metodologicamente fiel à etnografia... E ainda não consigo perceber o que o meu filho de três anos quer dizer com "o sol é um cravo"!
Merecerei realmente o título que, teoricamente, me atribuirão amanhã?
terça-feira, 22 de junho de 2010
feira do livro
No sábado, fomos à feira do livro, depois de tomarmos um lanche matinal na belíssima Ateneia.
Não bastando a Avenida dos Aliados não ter uma única árvore, ou seja, um único palmo de sombra, os expositores das barraquinhas foram certamente concebidos para povos nórdicos ou então para equipas de basquetebol.
Quer isto dizer que passei o tempo todo com o F. ao colo, salvo quando ele descobriu que conversar com polícias é uma actividade de enorme interesse. Não sei o nome do senhor agente, mas prestou um grande serviço ao F. e às minhas costas! Ah, e eu fiquei a saber que ainda há polícias que preferem o Winnie de Pooh aos modernos e horríveis Gormitis (falamos de desenhos animados na televisão, claro!), o que é sempre entusiasmante.
Como temos aquele vício frenético de frequentar livrarias, a feira não nos mostrou nada de muito novo.
Por isso, à parte os Geronimos Stiltons a preço mais proporcional ao tempo de leitura dos manos, o F. comprou apenas dois livros:
Este...
Eu, por mim, fiquei-me por uma onda mais didáctica, agora que estou a um saltinho da grande apresentação dos trabalhos dos meus alunos inspirados em Klimt.
O pai, infelizmente, está doente e não pôde ir connosco. Ele teria certamente muito mais livros para comprar, mas pelo menos o F. leu-lhe os dele.
Não bastando a Avenida dos Aliados não ter uma única árvore, ou seja, um único palmo de sombra, os expositores das barraquinhas foram certamente concebidos para povos nórdicos ou então para equipas de basquetebol.
Quer isto dizer que passei o tempo todo com o F. ao colo, salvo quando ele descobriu que conversar com polícias é uma actividade de enorme interesse. Não sei o nome do senhor agente, mas prestou um grande serviço ao F. e às minhas costas! Ah, e eu fiquei a saber que ainda há polícias que preferem o Winnie de Pooh aos modernos e horríveis Gormitis (falamos de desenhos animados na televisão, claro!), o que é sempre entusiasmante.
Como temos aquele vício frenético de frequentar livrarias, a feira não nos mostrou nada de muito novo.
Por isso, à parte os Geronimos Stiltons a preço mais proporcional ao tempo de leitura dos manos, o F. comprou apenas dois livros:
Este...
E este...
Dois livros muito bonitos, com aqueles detalhes tão importantes como, para o primeiro, poder e dever virar-se de pernas para o ar e, para o segundo, poder ser facilmente transformado num fabuloso livro para colorir.Eu, por mim, fiquei-me por uma onda mais didáctica, agora que estou a um saltinho da grande apresentação dos trabalhos dos meus alunos inspirados em Klimt.
O pai, infelizmente, está doente e não pôde ir connosco. Ele teria certamente muito mais livros para comprar, mas pelo menos o F. leu-lhe os dele.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
na praia
A melhor praia do mundo começou ontem.
Sim, a praia da escolinha (que faz parte do currículo de todos) é a melhor do mundo! Não conheço mais ninguém que abra o portão da sua casa e acolha 45 crianças durante trê semanas para tomarem banho de mangueira e trocarem de calções, almoçarem, dormirem a sesta na relva ou subirem às árvores para passarem a hora do eremita a ler ou simplesmente a pensar, continuarem as aulas ao ar livre e regressarem ao Porto a horas decentes, felizes, sem terem de cozer dentro de uma camioneta!
E quando nessa praia estão vários três irmãos, incluindo os nossos filhos, a praia é definitivamente a melhor do mundo.
A generosidade de certas pessoas é incomensurável... mesmo!
O F. (aliás, os três!) anda felicíssimo, só ainda tem pouca cultura balnear (também é o primeiro ano de praia assim a sério).
Ontem, apesar de a época ter aberto a 1 de Junho sem vigilância por causa do estado do mar, aparentemente numa propositada medida cívica ou de diminuição do déficit ou de controlo de natalidade (há coisas arrepiantes neste país!!!), hoje os nadadores salvadores retomaram o serviço e, supus eu, as tradicionais barracas de praia estariam já a povoar a praia. Pois enganei-me...
- Então, F., hoje já tinham barraca?
- Não! Só uma tenda às riscas.
Claro, uma tenda às riscas, como é que não me lembrei disso...
Sim, a praia da escolinha (que faz parte do currículo de todos) é a melhor do mundo! Não conheço mais ninguém que abra o portão da sua casa e acolha 45 crianças durante trê semanas para tomarem banho de mangueira e trocarem de calções, almoçarem, dormirem a sesta na relva ou subirem às árvores para passarem a hora do eremita a ler ou simplesmente a pensar, continuarem as aulas ao ar livre e regressarem ao Porto a horas decentes, felizes, sem terem de cozer dentro de uma camioneta!
E quando nessa praia estão vários três irmãos, incluindo os nossos filhos, a praia é definitivamente a melhor do mundo.
A generosidade de certas pessoas é incomensurável... mesmo!
O F. (aliás, os três!) anda felicíssimo, só ainda tem pouca cultura balnear (também é o primeiro ano de praia assim a sério).
Ontem, apesar de a época ter aberto a 1 de Junho sem vigilância por causa do estado do mar, aparentemente numa propositada medida cívica ou de diminuição do déficit ou de controlo de natalidade (há coisas arrepiantes neste país!!!), hoje os nadadores salvadores retomaram o serviço e, supus eu, as tradicionais barracas de praia estariam já a povoar a praia. Pois enganei-me...
- Então, F., hoje já tinham barraca?
- Não! Só uma tenda às riscas.
Claro, uma tenda às riscas, como é que não me lembrei disso...
quinta-feira, 10 de junho de 2010
ilustração para jogar

O especialista em puzzles cá de casa é o V. (além de mim, claro!). Mas o F. está a revelar-se. Depois dos puzzles de poucas e grandes peças, hoje conseguiu fazer sozinho o primeiro puzzle um pouco mais complexo.
Temos uma colecção de puzzles da Djeco, mas este é o mais pequeno.O meu preferido é este...
Um puzzle comprido (aqui só um pormenor) e cheio de animais felizes.
Mas, há muito mais que puzzles bonitos. Os jogos da Djeco são todos lindos.
E há desde cubos, a jogos de cartas. É um mundo!
Isto para não falar dos papéis para origamis, das máscaras e dos carimbos.
O segredo? Simples. Pôr ilustradores a desenhar os motivos do jogos!
Algumas empresas nacionais podiam lembrar-se disso, não?
domingo, 6 de junho de 2010
not a box!
Há meses que o F. me pede, recorrentemente, que lhe faça um carro do lixo com uma caixa de cartão. Felizmente, a caixa não tem aparecido e o carro também não.
Na sexta-feira, nem de propósito, o F. encontrou no escritório do avô uma caixa vazia e...Não é um modelo clássico mas funciona muito bem. Desde ontem que circula pela casa e hoje de manhã também foi carro de gelados!
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















