Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

cores

No fim-de-semana passado, o A. pediu-me para o ensinar a tecer no tear.
Já tinha experimentado o tear de cartão, mas a ideia da máquina não lhe passava.
Como não temos um tear a sério, ajudei-o a montar uma teia num pequeno e rudimentar tear que guardei da minha infância.
E durante uma tarde inteira teceu.
Entretanto, o V. coloria desenhos...
E o F. brincava com as molas da roupa...
Cada um passou a tarde a brincar com as cores, à sua maneira.
Eu, por mim, tive uma tarde tranquila e muito colorida!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

pirileca II

Ontem o F. foi com a escolinha à Casa da Música.
Os grandes foram munidos de trotinetas e skates.
Os pequeninos levaram os cinco sentidos apurados.
Quando o fui buscar, perguntei-lhe como tinha sido.
- Nem me fales de pirilecas, por amor de Deus! Era só para cima e para baixo, para cima e para biaxo...
É que parece que estava uma pirileca com dois homens a limpar os vidros da Casa.
AH, e o V. informou-me que são os homens que têm um comando para accionar a pirileca. Não está nenhum homem cá em baixo.
Extraordinário mundo das pirilecas!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

água de vaca

Parados no semáforo. Um camião frigorífico à nossa frente com publicidade ao leite Vigor.
Pelo retrovisor aprecio a concentração do F. a observar o camião. E depois o sorriso daquela lâmpada que aparece na BD por cima da cabeça das personagens.
- Mãe, vou-te contar uma coisa engraçada. Este camião é de água de vaca!
E o sorriso dele espalha-se numa gargalhadinha tímida.
Afinal não é tão mau como isso não ser do tempo dos leiteiros e das padeiras. O mundo ainda tem o seu encanto!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ceci n'es pas une pomme

Magritte tê-lo-ia dito assim.
O F., ontem ao jantar, com uma banana disse de outra maneira:
-É um barco... uma lua... um arco-íris!
E como ele estava muito cansado eu comi aquilo tudo com compota de abóbora!
Não era uma maçã, mas soube-me mesmo bem.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

férias

Não desaparecemos do mapa... mas quase.
Estamos de férias no nosso pequeno paraíso e este ano a máquina de costura está no sítio do computador e o tricot no saco dos artigos e livros de estudo.
Fazer férias este ano significa não fazer aquilo que fiz o ano inteiro.
Portanto...
Até Setembro!

domingo, 25 de julho de 2010

bolas de sabão

Hoje o F. esteve a fazer bolas de sabão sentado na beira da piscina, enquanto eu nadava.
Eram oito e meia da manhã e a água estava azul e morna e as bolas deslizavam sobre a superfície lisa luminosa que eu tentava não agitar.
- Olha, as bolas a nadar, mãe! Plof! Rebentou...
A vida é, de facto um mistério maravilhoso.
Compreendo agora como a minha mãe, com setenta anos, ficou perturbada quando o V., espontaneamente e sem qualquer intuito de maldade (creio que pelo contrário...), lhe perguntou se quando morresse queria ser enterrada ou cremada. A minha mãe, como todas as mães (imagino) não quer morrer. Ponto final. O resto não lhe interessa, na verdade.
Mas a vida é, quer queiramos quer não, uma bola de sabão largada pela manhã, que voa, flutua e um dia...
- Plof! Rebentou...
Parece-me que é disto que deve tratar a filosofia que alguns fazem com crianças.
Eu, por mim, limito-me a deixá-los fazer bolas de sabão. Acho que não é preciso muito mais.

domingo, 18 de julho de 2010

o bebé

O F. já repetiu várias vezes a história de, perante uma situação que lhe conto, dizer que viu tudo da minha bolsinha.
Há, dias, porém, a coisa foi mais longe.
Estava eu a contar-lhe, já não me lembro o quê, de quando tinha a idade dele.
- Eu vi, eu estava na tua bolsinha e vi! - declarou.
- Não, F., desta vez ainda não estavas não minha bolsinha, eu era assim pequenina como tu...
- Então onde estava? Estava na tua barriga?
- Não, F., eu era uma menina pequenina, ainda não tinha bebés na barriga...
- Então... Estava na barriga do avô, não era?
Ups! E o que se diz depois disto? Eu só fui capaz de um vago...
- Mais ou menos...
Para mim um bebé é sempre um bebé. Esteve sempre lá, desde que o vi assim (ver as imagens em "fora de cartel").

sexta-feira, 16 de julho de 2010

a pintura generosa

Há dias, no carro de regresso a casa, o F.:
- Mãe, hoje tenho de lavar os pés. Estão muito sujos!
- Ai sim?
- Estive a pintar.
- Com os pés?
- Não - retorquiu o V. - com o pincel, só que deixou cair os pincel nos pés!
- Ah, não há problema , isso sai tudo no banho.
- A L. é que estava... parecia uma macieira!
E, eu a vê-lo pelo retrovisor, com as mãos a apontar vários pontos nas bochechas:
- Verde, azul... preto...
Parecia uma macieira...

sábado, 10 de julho de 2010

há dias para lembrar


Há dias para esquecer.
Há dias para lembrar. Ontem foi mais um deles, entre os tantos destas últimas semanas.
Foi a festa das quatro bandeirinhas. A minha, que me doutorei, a da Sara, que se mestrou, a da Manela, que me orientou e orientou pela primeira vez e a da Paula, que também orientou e doutorou ontem pela primeira vez. O V. fez as bandeirinhas, com os nossos retratos, o A. as quiches e eu a mousse de chocolate. O meu irmão fez a sangria e... bom, foi a melhor festa dos últimos vinte anos, seguramente.
Além de nós, as propriamente embandeiradas, tínhamos entre nós uma estrela.
Cantámos noite dentro e o céu ficou mais brilhante. Os miúdos brincaram até caírem de cansaço. Primeiro o V. no colo da Carla, depois o A., vestido em cima da sua cama e.... o F. só depois de toda a gente ter ido embora e de me ter ajudado a acabar de arrumar a sala! As meninas aguentaram a pé firme, cheias de sono e o P. saiu como se fosse quase tão fresco como se fosse da manhã!
Há dias cheios de amigos. Há dias coloridos. Há dias que esticam.Há dias que deviam durar para sempre.
Há dias que ficam para a história.
É por isso que é muito bom que haja pessoas que percebem de dias e escrevam e ilustrem um livro para todos os dias!



sábado, 3 de julho de 2010

dias felizes

Nem dá para acreditar que numa única semana se possam juntar tantas emoções!
Na segunda-feira, prestei provas de doutoramento, na Faculdade.
Na terça,levei os manos a colher sangue, fui assistir à defesa da dissertação de mesrado da Sara (e essa sim foi uma defesa!) e à tarde montámos e desmontámos a exposição dos quintArtistas.
Na quarta estive pendurada nos formalismos buroráticos do encerramento do ano lectivo, mas ainda fui comer um sorvete (com ou sem panqueca) ao Café Progresso com os meus três filhotes.
Na quinta tentei meter numa mala tudo o que uma mulher precisa para não se sentir infeliz fora de casa eà noite deitei os três, um a um, com umas boas noites muito especiais.~
Na sexta, levantei-me às quatro e meia da manhã e cheguei a Oxford ao meio dia, depois de um voo, dois combois e um metro.Nada mau!
A cidade é fascinante, sobretudo porque tem uma livraria absolutamente delirante chama Blackwell! E ainda por cima hoje é o dia da Alice! Livros para crianças aos molhos e em saldos.... Por que raio hei-de ter e respeitar as restrições dos voos lowcost?






Embora extenuante, até a Conferência está a ser uma história bem contada, bem escrita, cheia de personagens interessantes e beissímimas ilustrações do que ainda há de mais bonito na Humanidade.

domingo, 27 de junho de 2010

nem todos os cravos são vermelhos...

O F. está a fazer puzzles junto à janela norte da sala.
De repente levanta-se, empoleira-se na poltrona para chegar ao interruptor e declara:
- O sol é um cravo e eu não consigo ver porque o sol está desse lado, não está aqui, está noutras terras, na terra dos cangurus!
Passei quatro anos a estudar os sentidos intersubjectivos entre crianças, considerando a sua agência, as culturas infantis, teoricamente inscrita num paradigma interpretativo e metodologicamente fiel à etnografia... E ainda não consigo perceber o que o meu filho de três anos quer dizer com "o sol é um cravo"!
Merecerei realmente o título que, teoricamente, me atribuirão amanhã? 

terça-feira, 22 de junho de 2010

feira do livro

No sábado, fomos à feira do livro, depois de tomarmos um lanche matinal na belíssima Ateneia.
 Não bastando a Avenida dos Aliados não ter uma única árvore, ou seja, um único palmo de sombra, os expositores das barraquinhas foram certamente concebidos para povos nórdicos ou então para equipas de basquetebol.
Quer isto dizer que passei o tempo todo com o F. ao colo, salvo quando ele descobriu que conversar com polícias é uma actividade de enorme interesse. Não sei o nome do senhor agente, mas prestou um grande serviço ao F. e às minhas costas! Ah, e eu fiquei a saber que ainda há polícias que preferem o Winnie de Pooh aos modernos e horríveis Gormitis (falamos de desenhos animados na televisão, claro!), o que é sempre entusiasmante.
Como temos aquele vício frenético de frequentar livrarias, a feira não nos mostrou nada de muito novo.
Por isso, à parte os Geronimos Stiltons a preço mais proporcional ao tempo de leitura dos manos, o F. comprou apenas dois livros:
Este...

E este...
Dois livros muito bonitos, com aqueles detalhes tão importantes como, para o primeiro, poder e dever virar-se de pernas para o ar e, para o segundo, poder ser facilmente transformado num fabuloso livro para colorir.
Eu, por mim, fiquei-me por uma onda mais didáctica, agora que estou a um saltinho da grande apresentação dos trabalhos dos meus alunos inspirados em Klimt.
O pai, infelizmente, está doente e não pôde ir connosco. Ele teria certamente muito mais livros para comprar, mas pelo menos o F. leu-lhe os dele.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

na praia

A melhor praia do mundo começou ontem.
Sim, a praia da escolinha (que faz parte do currículo de todos) é a melhor do mundo! Não conheço mais ninguém que abra o portão da sua casa e acolha 45 crianças durante trê semanas para tomarem banho de mangueira e trocarem de calções, almoçarem, dormirem a sesta na relva ou subirem às árvores para passarem a hora do eremita a ler ou simplesmente a pensar, continuarem as aulas ao ar livre e regressarem ao Porto a horas decentes, felizes, sem terem de cozer dentro de uma camioneta!
E quando nessa praia estão vários três irmãos, incluindo os nossos filhos, a praia é definitivamente a melhor do mundo.
A generosidade de certas pessoas é incomensurável... mesmo!
O F. (aliás, os três!) anda felicíssimo, só ainda tem pouca cultura balnear (também é o primeiro ano de praia assim a sério).
Ontem, apesar de a época ter aberto a 1 de Junho sem vigilância por causa do estado do mar, aparentemente numa propositada medida cívica ou de diminuição do déficit ou de controlo de natalidade (há coisas arrepiantes neste país!!!), hoje os nadadores salvadores retomaram o serviço e, supus eu, as tradicionais barracas de praia estariam já a povoar a praia. Pois enganei-me...
- Então, F., hoje já tinham barraca?
- Não! Só uma tenda às riscas.

Claro, uma tenda às riscas, como é que não me lembrei disso...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ilustração para jogar

O especialista em puzzles cá de casa é o V. (além de mim, claro!). Mas o F. está a revelar-se. Depois dos puzzles de poucas e grandes peças, hoje conseguiu fazer sozinho o primeiro puzzle um pouco mais complexo.
Temos uma colecção de puzzles da Djeco, mas este é o mais pequeno.
O meu preferido é este...
Um puzzle comprido (aqui só um pormenor) e cheio de animais felizes.
Mas, há muito mais que puzzles bonitos. Os jogos da Djeco são todos lindos.
E há desde cubos, a jogos de cartas. É um mundo!
Isto para não falar dos papéis para origamis, das máscaras e dos carimbos.

O segredo? Simples. Pôr ilustradores a desenhar os motivos do jogos!
Algumas empresas nacionais podiam lembrar-se disso, não?

domingo, 6 de junho de 2010

not a box!

Há meses que o F. me pede, recorrentemente, que lhe faça um carro do lixo com uma caixa de cartão. Felizmente, a caixa não tem aparecido e o carro também não.
Na sexta-feira, nem de propósito, o F. encontrou no escritório do avô uma caixa vazia e...



Não é um modelo clássico mas funciona muito bem. Desde ontem que circula pela casa e hoje de manhã também foi carro de gelados! 

domingo, 30 de maio de 2010

pais e filhos e pais

Na sexta-feira, no carro, a caminho da escola, o F. teve uma ideia fantástica.
- Mãe, quando nós formos grandes, tu e o pai vão ser pequeninos e nós vamos ser os vossos pais!
- Que boa ideia!
Mas o V., que está na idade da razão, comentou com ironia:
- Três pais?! Gays?!
- Três pais... Não me parece má ideia...
Alguém tem alguma coisa contra?
É que eu não. Sobretudo, porque os meus filhos vão ser meus pais e eu a filha deles!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

o meu tio


Com os avós fora, o A. está a ter a extraordinária experiência de passar mais tempo com o meu irmão.
Os tios são pessoas absolutamente fantásticas, mesmo quando (e talvez sobretudo) não são da América e são bastante mais novos que os nossos pais. Felizmente, tive a mesma sorte.
Este tio vive mesmo aqui ao lado e passou uma tarde com o A.. Aliás, para ser exacta, não foi só o tio, foi a tia quase-quase também.
É fácil perceber porque é que o A. só fala nessa tarde e está ansioso que seja sexta-feira para repetir a dose.
É que dá para imaginar o que é os três sentados à volta da mesa da sala, o tio a escrever a tese de doutoramento, a tia quase-quase a fazer power points para a defesa do mestrado e ele, o A., a fazer trabalhos de casa de 5ºano!
Depois, o lanche, os vídeos no you tube e... tudo o mais que ele não contou mas que  o encheu de felicidade.
A família continua a ser o caldinho onde se formam as grandes pessoas, mesmo e sobretudo se ainda são pequeninas.
Eu, por mim, instituia, já agora, o dia mundial do tio!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ler para crer


Na semana passada, o V. e o A. passaram os serões sentados no sofá a lerem um ao outro, em voz alta e alternadamente, capítulos de um livro de Geronimo Stilton.
Foi bonito vê-los, entretidos, a lerem um para o outro.
Ontem, depois do jantar, sentaram-se os dois, cada um no seu sofá e leram, silenciosamente, em conjunto.
A partilha é, de facto, um grande método de aprendizagem!

domingo, 23 de maio de 2010

afinal, fumar quase que mata!

Ontem, no nosso pequeno paraíso rural, o A. e o V. fizeram a sua primeira experiência tabágica. O A. enrolou uma nota do Monopólio, acendeu-a numa das extremidades com o isqueiro do pai e mandou o V. fumar. O resultado foi o que não podia deixar de ser: uma valentíssima engasgadela!
Depois, o A. quis experimentar ele próprio e o resultado foi mais ou menos tão fatal como o fora para o V..
Conclusão:
- Ó mãe, como é que o pai consegue fumar? Isto é horrível!
- Talvez não usando notas de Monopólio e pondo qualquer coisa do tipo tabaco dentro do papel? Ainda assim, também acho que não é grande coisa...
- É mesmo mau!
Não será isto melhor que cento e vinte e três aulas de formação cívica anti-tabaco e campanhas fundamentalistas contra o pai deles? E o avô, já agora... E muitos dos nossos melhores amigos...
Eu acho que sim.
Assim como acho que eles devem brincar com o fogo e queimar-se... Ainda que isso implique terem derretido dois baldes velhos que são usados no campo (mas isso foi um segredo que partilharam só com o pai).
Fico contente por os meus filhos ainda serem crianças como as de antigamente... Nós, por exemplo!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

flores

Hoje é dia da mãe. Foi o F. que disse, já há vários dias, porque hoje as mães foram todas à aula de música dos pequeninos da escolinha.
A mim, como de costume, cheirou-me a flores. Não sei por que razão ouvir meninos e meninas tão pequeninos a cantar me cheira a flores. Mas é verdade.
Pareciam mesmo este molhinho de tulipas a dizer "olhem para nós, olhem para nós!"
A fotografia é de um dos blogs onde passeio para ver coisas bonitas. Fica o link. http://www.yarnstorm.blogs.com/jane_brocket/