Hoje o F. esteve a fazer bolas de sabão sentado na beira da piscina, enquanto eu nadava.
Eram oito e meia da manhã e a água estava azul e morna e as bolas deslizavam sobre a superfície lisa luminosa que eu tentava não agitar.
- Olha, as bolas a nadar, mãe! Plof! Rebentou...
A vida é, de facto um mistério maravilhoso.
Compreendo agora como a minha mãe, com setenta anos, ficou perturbada quando o V., espontaneamente e sem qualquer intuito de maldade (creio que pelo contrário...), lhe perguntou se quando morresse queria ser enterrada ou cremada. A minha mãe, como todas as mães (imagino) não quer morrer. Ponto final. O resto não lhe interessa, na verdade.
Mas a vida é, quer queiramos quer não, uma bola de sabão largada pela manhã, que voa, flutua e um dia...
- Plof! Rebentou...
Parece-me que é disto que deve tratar a filosofia que alguns fazem com crianças.
Eu, por mim, limito-me a deixá-los fazer bolas de sabão. Acho que não é preciso muito mais.
Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro
domingo, 25 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
o bebé
O F. já repetiu várias vezes a história de, perante uma situação que lhe conto, dizer que viu tudo da minha bolsinha.
Há, dias, porém, a coisa foi mais longe.
Estava eu a contar-lhe, já não me lembro o quê, de quando tinha a idade dele.
- Eu vi, eu estava na tua bolsinha e vi! - declarou.
- Não, F., desta vez ainda não estavas não minha bolsinha, eu era assim pequenina como tu...
- Então onde estava? Estava na tua barriga?
- Não, F., eu era uma menina pequenina, ainda não tinha bebés na barriga...
- Então... Estava na barriga do avô, não era?
Ups! E o que se diz depois disto? Eu só fui capaz de um vago...
- Mais ou menos...
Para mim um bebé é sempre um bebé. Esteve sempre lá, desde que o vi assim (ver as imagens em "fora de cartel").
Há, dias, porém, a coisa foi mais longe.
Estava eu a contar-lhe, já não me lembro o quê, de quando tinha a idade dele.
- Eu vi, eu estava na tua bolsinha e vi! - declarou.
- Não, F., desta vez ainda não estavas não minha bolsinha, eu era assim pequenina como tu...
- Então onde estava? Estava na tua barriga?
- Não, F., eu era uma menina pequenina, ainda não tinha bebés na barriga...
- Então... Estava na barriga do avô, não era?
Ups! E o que se diz depois disto? Eu só fui capaz de um vago...
- Mais ou menos...
Para mim um bebé é sempre um bebé. Esteve sempre lá, desde que o vi assim (ver as imagens em "fora de cartel").
Etiquetas:
coisas de criança,
filosofia,
livros,
marionetas
sexta-feira, 16 de julho de 2010
a pintura generosa
Há dias, no carro de regresso a casa, o F.:
- Mãe, hoje tenho de lavar os pés. Estão muito sujos!
- Ai sim?
- Estive a pintar.
- Com os pés?
- Não - retorquiu o V. - com o pincel, só que deixou cair os pincel nos pés!
- Ah, não há problema , isso sai tudo no banho.
- A L. é que estava... parecia uma macieira!
E, eu a vê-lo pelo retrovisor, com as mãos a apontar vários pontos nas bochechas:
- Verde, azul... preto...
Parecia uma macieira...
sábado, 10 de julho de 2010
há dias para lembrar
Há dias para esquecer.
Há dias para lembrar. Ontem foi mais um deles, entre os tantos destas últimas semanas.
Foi a festa das quatro bandeirinhas. A minha, que me doutorei, a da Sara, que se mestrou, a da Manela, que me orientou e orientou pela primeira vez e a da Paula, que também orientou e doutorou ontem pela primeira vez. O V. fez as bandeirinhas, com os nossos retratos, o A. as quiches e eu a mousse de chocolate. O meu irmão fez a sangria e... bom, foi a melhor festa dos últimos vinte anos, seguramente.
Além de nós, as propriamente embandeiradas, tínhamos entre nós uma estrela.Cantámos noite dentro e o céu ficou mais brilhante. Os miúdos brincaram até caírem de cansaço. Primeiro o V. no colo da Carla, depois o A., vestido em cima da sua cama e.... o F. só depois de toda a gente ter ido embora e de me ter ajudado a acabar de arrumar a sala! As meninas aguentaram a pé firme, cheias de sono e o P. saiu como se fosse quase tão fresco como se fosse da manhã!
Há dias cheios de amigos. Há dias coloridos. Há dias que esticam.Há dias que deviam durar para sempre.
Há dias que ficam para a história.
É por isso que é muito bom que haja pessoas que percebem de dias e escrevam e ilustrem um livro para todos os dias!
sábado, 3 de julho de 2010
dias felizes
Nem dá para acreditar que numa única semana se possam juntar tantas emoções!
Na segunda-feira, prestei provas de doutoramento, na Faculdade.
Na terça,levei os manos a colher sangue, fui assistir à defesa da dissertação de mesrado da Sara (e essa sim foi uma defesa!) e à tarde montámos e desmontámos a exposição dos quintArtistas.
Na quarta estive pendurada nos formalismos buroráticos do encerramento do ano lectivo, mas ainda fui comer um sorvete (com ou sem panqueca) ao Café Progresso com os meus três filhotes.
Na quinta tentei meter numa mala tudo o que uma mulher precisa para não se sentir infeliz fora de casa eà noite deitei os três, um a um, com umas boas noites muito especiais.~
Na sexta, levantei-me às quatro e meia da manhã e cheguei a Oxford ao meio dia, depois de um voo, dois combois e um metro.Nada mau!
A cidade é fascinante, sobretudo porque tem uma livraria absolutamente delirante chama Blackwell! E ainda por cima hoje é o dia da Alice! Livros para crianças aos molhos e em saldos.... Por que raio hei-de ter e respeitar as restrições dos voos lowcost?
Na segunda-feira, prestei provas de doutoramento, na Faculdade.
Na terça,levei os manos a colher sangue, fui assistir à defesa da dissertação de mesrado da Sara (e essa sim foi uma defesa!) e à tarde montámos e desmontámos a exposição dos quintArtistas.
Na quarta estive pendurada nos formalismos buroráticos do encerramento do ano lectivo, mas ainda fui comer um sorvete (com ou sem panqueca) ao Café Progresso com os meus três filhotes.
Na quinta tentei meter numa mala tudo o que uma mulher precisa para não se sentir infeliz fora de casa eà noite deitei os três, um a um, com umas boas noites muito especiais.~
Na sexta, levantei-me às quatro e meia da manhã e cheguei a Oxford ao meio dia, depois de um voo, dois combois e um metro.Nada mau!
A cidade é fascinante, sobretudo porque tem uma livraria absolutamente delirante chama Blackwell! E ainda por cima hoje é o dia da Alice! Livros para crianças aos molhos e em saldos.... Por que raio hei-de ter e respeitar as restrições dos voos lowcost?
Embora extenuante, até a Conferência está a ser uma história bem contada, bem escrita, cheia de personagens interessantes e beissímimas ilustrações do que ainda há de mais bonito na Humanidade.
domingo, 27 de junho de 2010
nem todos os cravos são vermelhos...
O F. está a fazer puzzles junto à janela norte da sala.
De repente levanta-se, empoleira-se na poltrona para chegar ao interruptor e declara:
- O sol é um cravo e eu não consigo ver porque o sol está desse lado, não está aqui, está noutras terras, na terra dos cangurus!
Passei quatro anos a estudar os sentidos intersubjectivos entre crianças, considerando a sua agência, as culturas infantis, teoricamente inscrita num paradigma interpretativo e metodologicamente fiel à etnografia... E ainda não consigo perceber o que o meu filho de três anos quer dizer com "o sol é um cravo"!
Merecerei realmente o título que, teoricamente, me atribuirão amanhã?
De repente levanta-se, empoleira-se na poltrona para chegar ao interruptor e declara:
- O sol é um cravo e eu não consigo ver porque o sol está desse lado, não está aqui, está noutras terras, na terra dos cangurus!
Passei quatro anos a estudar os sentidos intersubjectivos entre crianças, considerando a sua agência, as culturas infantis, teoricamente inscrita num paradigma interpretativo e metodologicamente fiel à etnografia... E ainda não consigo perceber o que o meu filho de três anos quer dizer com "o sol é um cravo"!
Merecerei realmente o título que, teoricamente, me atribuirão amanhã?
terça-feira, 22 de junho de 2010
feira do livro
No sábado, fomos à feira do livro, depois de tomarmos um lanche matinal na belíssima Ateneia.
Não bastando a Avenida dos Aliados não ter uma única árvore, ou seja, um único palmo de sombra, os expositores das barraquinhas foram certamente concebidos para povos nórdicos ou então para equipas de basquetebol.
Quer isto dizer que passei o tempo todo com o F. ao colo, salvo quando ele descobriu que conversar com polícias é uma actividade de enorme interesse. Não sei o nome do senhor agente, mas prestou um grande serviço ao F. e às minhas costas! Ah, e eu fiquei a saber que ainda há polícias que preferem o Winnie de Pooh aos modernos e horríveis Gormitis (falamos de desenhos animados na televisão, claro!), o que é sempre entusiasmante.
Como temos aquele vício frenético de frequentar livrarias, a feira não nos mostrou nada de muito novo.
Por isso, à parte os Geronimos Stiltons a preço mais proporcional ao tempo de leitura dos manos, o F. comprou apenas dois livros:
Este...
Eu, por mim, fiquei-me por uma onda mais didáctica, agora que estou a um saltinho da grande apresentação dos trabalhos dos meus alunos inspirados em Klimt.
O pai, infelizmente, está doente e não pôde ir connosco. Ele teria certamente muito mais livros para comprar, mas pelo menos o F. leu-lhe os dele.
Não bastando a Avenida dos Aliados não ter uma única árvore, ou seja, um único palmo de sombra, os expositores das barraquinhas foram certamente concebidos para povos nórdicos ou então para equipas de basquetebol.
Quer isto dizer que passei o tempo todo com o F. ao colo, salvo quando ele descobriu que conversar com polícias é uma actividade de enorme interesse. Não sei o nome do senhor agente, mas prestou um grande serviço ao F. e às minhas costas! Ah, e eu fiquei a saber que ainda há polícias que preferem o Winnie de Pooh aos modernos e horríveis Gormitis (falamos de desenhos animados na televisão, claro!), o que é sempre entusiasmante.
Como temos aquele vício frenético de frequentar livrarias, a feira não nos mostrou nada de muito novo.
Por isso, à parte os Geronimos Stiltons a preço mais proporcional ao tempo de leitura dos manos, o F. comprou apenas dois livros:
Este...
E este...
Dois livros muito bonitos, com aqueles detalhes tão importantes como, para o primeiro, poder e dever virar-se de pernas para o ar e, para o segundo, poder ser facilmente transformado num fabuloso livro para colorir.Eu, por mim, fiquei-me por uma onda mais didáctica, agora que estou a um saltinho da grande apresentação dos trabalhos dos meus alunos inspirados em Klimt.
O pai, infelizmente, está doente e não pôde ir connosco. Ele teria certamente muito mais livros para comprar, mas pelo menos o F. leu-lhe os dele.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
na praia
A melhor praia do mundo começou ontem.
Sim, a praia da escolinha (que faz parte do currículo de todos) é a melhor do mundo! Não conheço mais ninguém que abra o portão da sua casa e acolha 45 crianças durante trê semanas para tomarem banho de mangueira e trocarem de calções, almoçarem, dormirem a sesta na relva ou subirem às árvores para passarem a hora do eremita a ler ou simplesmente a pensar, continuarem as aulas ao ar livre e regressarem ao Porto a horas decentes, felizes, sem terem de cozer dentro de uma camioneta!
E quando nessa praia estão vários três irmãos, incluindo os nossos filhos, a praia é definitivamente a melhor do mundo.
A generosidade de certas pessoas é incomensurável... mesmo!
O F. (aliás, os três!) anda felicíssimo, só ainda tem pouca cultura balnear (também é o primeiro ano de praia assim a sério).
Ontem, apesar de a época ter aberto a 1 de Junho sem vigilância por causa do estado do mar, aparentemente numa propositada medida cívica ou de diminuição do déficit ou de controlo de natalidade (há coisas arrepiantes neste país!!!), hoje os nadadores salvadores retomaram o serviço e, supus eu, as tradicionais barracas de praia estariam já a povoar a praia. Pois enganei-me...
- Então, F., hoje já tinham barraca?
- Não! Só uma tenda às riscas.
Claro, uma tenda às riscas, como é que não me lembrei disso...
Sim, a praia da escolinha (que faz parte do currículo de todos) é a melhor do mundo! Não conheço mais ninguém que abra o portão da sua casa e acolha 45 crianças durante trê semanas para tomarem banho de mangueira e trocarem de calções, almoçarem, dormirem a sesta na relva ou subirem às árvores para passarem a hora do eremita a ler ou simplesmente a pensar, continuarem as aulas ao ar livre e regressarem ao Porto a horas decentes, felizes, sem terem de cozer dentro de uma camioneta!
E quando nessa praia estão vários três irmãos, incluindo os nossos filhos, a praia é definitivamente a melhor do mundo.
A generosidade de certas pessoas é incomensurável... mesmo!
O F. (aliás, os três!) anda felicíssimo, só ainda tem pouca cultura balnear (também é o primeiro ano de praia assim a sério).
Ontem, apesar de a época ter aberto a 1 de Junho sem vigilância por causa do estado do mar, aparentemente numa propositada medida cívica ou de diminuição do déficit ou de controlo de natalidade (há coisas arrepiantes neste país!!!), hoje os nadadores salvadores retomaram o serviço e, supus eu, as tradicionais barracas de praia estariam já a povoar a praia. Pois enganei-me...
- Então, F., hoje já tinham barraca?
- Não! Só uma tenda às riscas.
Claro, uma tenda às riscas, como é que não me lembrei disso...
quinta-feira, 10 de junho de 2010
ilustração para jogar

O especialista em puzzles cá de casa é o V. (além de mim, claro!). Mas o F. está a revelar-se. Depois dos puzzles de poucas e grandes peças, hoje conseguiu fazer sozinho o primeiro puzzle um pouco mais complexo.
Temos uma colecção de puzzles da Djeco, mas este é o mais pequeno.O meu preferido é este...
Um puzzle comprido (aqui só um pormenor) e cheio de animais felizes.
Mas, há muito mais que puzzles bonitos. Os jogos da Djeco são todos lindos.
E há desde cubos, a jogos de cartas. É um mundo!
Isto para não falar dos papéis para origamis, das máscaras e dos carimbos.
O segredo? Simples. Pôr ilustradores a desenhar os motivos do jogos!
Algumas empresas nacionais podiam lembrar-se disso, não?
domingo, 6 de junho de 2010
not a box!
Há meses que o F. me pede, recorrentemente, que lhe faça um carro do lixo com uma caixa de cartão. Felizmente, a caixa não tem aparecido e o carro também não.
Na sexta-feira, nem de propósito, o F. encontrou no escritório do avô uma caixa vazia e...Não é um modelo clássico mas funciona muito bem. Desde ontem que circula pela casa e hoje de manhã também foi carro de gelados!
domingo, 30 de maio de 2010
pais e filhos e pais
Na sexta-feira, no carro, a caminho da escola, o F. teve uma ideia fantástica.
- Mãe, quando nós formos grandes, tu e o pai vão ser pequeninos e nós vamos ser os vossos pais!
- Que boa ideia!
Mas o V., que está na idade da razão, comentou com ironia:
- Três pais?! Gays?!
- Três pais... Não me parece má ideia...
Alguém tem alguma coisa contra?
É que eu não. Sobretudo, porque os meus filhos vão ser meus pais e eu a filha deles!
- Mãe, quando nós formos grandes, tu e o pai vão ser pequeninos e nós vamos ser os vossos pais!
- Que boa ideia!
Mas o V., que está na idade da razão, comentou com ironia:
- Três pais?! Gays?!
- Três pais... Não me parece má ideia...
Alguém tem alguma coisa contra?
É que eu não. Sobretudo, porque os meus filhos vão ser meus pais e eu a filha deles!
quinta-feira, 27 de maio de 2010
o meu tio
Com os avós fora, o A. está a ter a extraordinária experiência de passar mais tempo com o meu irmão.
Os tios são pessoas absolutamente fantásticas, mesmo quando (e talvez sobretudo) não são da América e são bastante mais novos que os nossos pais. Felizmente, tive a mesma sorte.
Este tio vive mesmo aqui ao lado e passou uma tarde com o A.. Aliás, para ser exacta, não foi só o tio, foi a tia quase-quase também.
É fácil perceber porque é que o A. só fala nessa tarde e está ansioso que seja sexta-feira para repetir a dose.
É que dá para imaginar o que é os três sentados à volta da mesa da sala, o tio a escrever a tese de doutoramento, a tia quase-quase a fazer power points para a defesa do mestrado e ele, o A., a fazer trabalhos de casa de 5ºano!
Depois, o lanche, os vídeos no you tube e... tudo o mais que ele não contou mas que o encheu de felicidade.
A família continua a ser o caldinho onde se formam as grandes pessoas, mesmo e sobretudo se ainda são pequeninas.
Eu, por mim, instituia, já agora, o dia mundial do tio!
terça-feira, 25 de maio de 2010
Ler para crer
Foi bonito vê-los, entretidos, a lerem um para o outro.
Ontem, depois do jantar, sentaram-se os dois, cada um no seu sofá e leram, silenciosamente, em conjunto.
A partilha é, de facto, um grande método de aprendizagem!
domingo, 23 de maio de 2010
afinal, fumar quase que mata!
Ontem, no nosso pequeno paraíso rural, o A. e o V. fizeram a sua primeira experiência tabágica. O A. enrolou uma nota do Monopólio, acendeu-a numa das extremidades com o isqueiro do pai e mandou o V. fumar. O resultado foi o que não podia deixar de ser: uma valentíssima engasgadela!
Depois, o A. quis experimentar ele próprio e o resultado foi mais ou menos tão fatal como o fora para o V..
Conclusão:
- Ó mãe, como é que o pai consegue fumar? Isto é horrível!
- Talvez não usando notas de Monopólio e pondo qualquer coisa do tipo tabaco dentro do papel? Ainda assim, também acho que não é grande coisa...
- É mesmo mau!
Não será isto melhor que cento e vinte e três aulas de formação cívica anti-tabaco e campanhas fundamentalistas contra o pai deles? E o avô, já agora... E muitos dos nossos melhores amigos...
Eu acho que sim.
Assim como acho que eles devem brincar com o fogo e queimar-se... Ainda que isso implique terem derretido dois baldes velhos que são usados no campo (mas isso foi um segredo que partilharam só com o pai).
Fico contente por os meus filhos ainda serem crianças como as de antigamente... Nós, por exemplo!
Depois, o A. quis experimentar ele próprio e o resultado foi mais ou menos tão fatal como o fora para o V..
Conclusão:
- Ó mãe, como é que o pai consegue fumar? Isto é horrível!
- Talvez não usando notas de Monopólio e pondo qualquer coisa do tipo tabaco dentro do papel? Ainda assim, também acho que não é grande coisa...
- É mesmo mau!
Não será isto melhor que cento e vinte e três aulas de formação cívica anti-tabaco e campanhas fundamentalistas contra o pai deles? E o avô, já agora... E muitos dos nossos melhores amigos...
Eu acho que sim.
Assim como acho que eles devem brincar com o fogo e queimar-se... Ainda que isso implique terem derretido dois baldes velhos que são usados no campo (mas isso foi um segredo que partilharam só com o pai).
Fico contente por os meus filhos ainda serem crianças como as de antigamente... Nós, por exemplo!
quarta-feira, 19 de maio de 2010
flores
Hoje é dia da mãe. Foi o F. que disse, já há vários dias, porque hoje as mães foram todas à aula de música dos pequeninos da escolinha.
A mim, como de costume, cheirou-me a flores. Não sei por que razão ouvir meninos e meninas tão pequeninos a cantar me cheira a flores. Mas é verdade.
Pareciam mesmo este molhinho de tulipas a dizer "olhem para nós, olhem para nós!"
A fotografia é de um dos blogs onde passeio para ver coisas bonitas. Fica o link. http://www.yarnstorm.blogs.com/jane_brocket/
A mim, como de costume, cheirou-me a flores. Não sei por que razão ouvir meninos e meninas tão pequeninos a cantar me cheira a flores. Mas é verdade.
Pareciam mesmo este molhinho de tulipas a dizer "olhem para nós, olhem para nós!"
A fotografia é de um dos blogs onde passeio para ver coisas bonitas. Fica o link. http://www.yarnstorm.blogs.com/jane_brocket/
segunda-feira, 17 de maio de 2010
à luz da sombra
Na sexta-feira, enquanto o papa se passeava pelas ruas do Porto, os meus três filhos estavam em Serralves com a escolinha. Vieram encantados com a exposição de Lourdes Castro/Manuel Zimbro.
O F. explicou:
- A Lourdes Casca não 'tava lá. Só 'tava a senhora, a Filipa (a guia da visita).
Ontem, fui guiada pelo V. na minha primeira (segunda deles) visita à exposição, com o F. sempre a mostrar-me os recantos do museu. Foi fantástico ouvir as explicações do V. sobre cada obra. Nunca tive um guia tão emocionado, bem informado e emocinante, também!
As minhas obras preferidas são, claro, os lençóis bordados...
Mas fiquei fascinada pelo herbário de sombras e pelos trabalhos de Zimbro.
Ver exposições também através dos olhos deles é ainda mais bonito que vê-las só com os meus próprios olhos!
O F. explicou:
- A Lourdes Casca não 'tava lá. Só 'tava a senhora, a Filipa (a guia da visita).
Ontem, fui guiada pelo V. na minha primeira (segunda deles) visita à exposição, com o F. sempre a mostrar-me os recantos do museu. Foi fantástico ouvir as explicações do V. sobre cada obra. Nunca tive um guia tão emocionado, bem informado e emocinante, também!
As minhas obras preferidas são, claro, os lençóis bordados...
Mas fiquei fascinada pelo herbário de sombras e pelos trabalhos de Zimbro.
Ver exposições também através dos olhos deles é ainda mais bonito que vê-las só com os meus próprios olhos!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
vou soprar e bufar e a casa vai pelo ar...
... e foi! Pois o divertimento tem sempre dois sentidos.
Não se pode ter uma casa dentro de uma casa durante muito tempo, não é?
Há que criar espaço para coisas novas. Esta já era!
E acho que foi tão divertido deitar a casa abaixo como brincar dentro dela... digo eu!
segunda-feira, 10 de maio de 2010
parece que crescemos mas não...
Como o A. deixou de tocar piano, ontem andei de fita métrica a ver se podíamos pôr o piano fora do quarto dele. O F. seguiu-me todos os gestos, como sempre, atentíssimo.
Infelizmente, já não temos parede para o piano. Entre estantes de livros e janelas os pedacinhos brancos tão desejados desaparecem todos!
Decidi, em voz alta, que o melhor será esperar que o A. se mude de novo para o quarto do V., daqui a dois anos, quando estiverem os dois na mesma escola e o F. mude para o quarto com o piano.
- Fixe! - declarou o F.
- Sim, mas é só quando tiveres quase cinco anos...
- Mãe... Podes fazer um bolo para eu fazer cinco anos?
- Posso, F., mas primeiro tens de fazer quatro anos e é só no Inverno...
- Então podes fazer um bolo de quatro anos? E um depois um de cinco e embrulhar para guardar até ao Inverno?
Quem é que pode dizer que não a uma proposta destas?
É que crescer é mesmo como diz o Manuel António Pina (e cantam os Gambozinos)
Infelizmente, já não temos parede para o piano. Entre estantes de livros e janelas os pedacinhos brancos tão desejados desaparecem todos!
Decidi, em voz alta, que o melhor será esperar que o A. se mude de novo para o quarto do V., daqui a dois anos, quando estiverem os dois na mesma escola e o F. mude para o quarto com o piano.
- Fixe! - declarou o F.
- Sim, mas é só quando tiveres quase cinco anos...
- Mãe... Podes fazer um bolo para eu fazer cinco anos?
- Posso, F., mas primeiro tens de fazer quatro anos e é só no Inverno...
- Então podes fazer um bolo de quatro anos? E um depois um de cinco e embrulhar para guardar até ao Inverno?
Quem é que pode dizer que não a uma proposta destas?
É que crescer é mesmo como diz o Manuel António Pina (e cantam os Gambozinos)
Parece que crescemos mas não.
Somos sempre do mesmo tamanho.
As coisas que em volta estão
é que mudam de tamanho.
Ficam de nós tão distantes
que às vezes já mal as vemos
por isso é que parece que crescemos
e que somos maiores que dantes.
sábado, 8 de maio de 2010
mantinhas de Klimt
Ensinar, creio, não é mais do que contagiar os outros com aquilo que somos, sabemos, sentimos, acreditamos, gostamos... Há dias, uma aluna perguntou-me:
- A professora gosta mesmo daquilo que faz, não gosta?
- Gosto, claro! Mas porquê?
- Porque se nota... Quando está a mostrar-nos coisas fala assim como se quisesse... que nós nos entusiasmemos...
- É verdade!
E também é verdade que é absolutamente maravilhoso encontrar pessoas pequeninas que nos entendem tão bem. Que se deixam contagiar pelo nosso entusiasmo.
O resultado? Amazing! Ou como dizia Tomé, ver para crer!
- A professora gosta mesmo daquilo que faz, não gosta?
- Gosto, claro! Mas porquê?
- Porque se nota... Quando está a mostrar-nos coisas fala assim como se quisesse... que nós nos entusiasmemos...
- É verdade!
E também é verdade que é absolutamente maravilhoso encontrar pessoas pequeninas que nos entendem tão bem. Que se deixam contagiar pelo nosso entusiasmo.
O resultado? Amazing! Ou como dizia Tomé, ver para crer!
crescer para cima com sensibilidade e bom senso
Na quinta-feira, os manos foram à primeira consulta de obesidade no Hospital de S. João. Se alguma vez eu podia imaginar vir a ter filhos com excesso de peso...
Mas há que assumir a realidade e fazer tudo o que podemos para que a vida deles seja saudável e, sobretudo, para que se sintam felizes.
O A., em especial, anda muito infeliz na escola. É terrível como os outros meninos o discriminam por não ser magro! Felizmente, arranjou um amigo leal, amoroso, tranquilo e... gordinho, também. Os dois juntos sentem-se bem. Mas a vida deles está a ser dura.
É espantoso como há profissionais de saúde que sabem falar com os nossos filhos e torná-los mais felizes em pouco minutos!
Os nossos jantares têm sido deliciosos, divertidos e, com esta brincadeira de aprender a comer, o A. já aprendeu a calcular a área dos círculos e atransformá-los em quadrados. É que a carne e o peixe do jantar são medidos pelos círculos mágicos que temos na cozinha e correspondem à palma da mão de cada um. E cortar carne e peixe em círculo não é a nossa especialidade!
Mas há que assumir a realidade e fazer tudo o que podemos para que a vida deles seja saudável e, sobretudo, para que se sintam felizes.
O A., em especial, anda muito infeliz na escola. É terrível como os outros meninos o discriminam por não ser magro! Felizmente, arranjou um amigo leal, amoroso, tranquilo e... gordinho, também. Os dois juntos sentem-se bem. Mas a vida deles está a ser dura.
É espantoso como há profissionais de saúde que sabem falar com os nossos filhos e torná-los mais felizes em pouco minutos!
Os nossos jantares têm sido deliciosos, divertidos e, com esta brincadeira de aprender a comer, o A. já aprendeu a calcular a área dos círculos e atransformá-los em quadrados. É que a carne e o peixe do jantar são medidos pelos círculos mágicos que temos na cozinha e correspondem à palma da mão de cada um. E cortar carne e peixe em círculo não é a nossa especialidade!
A nossa verdadeira especialidade, cá em casa, é mesmo fazer da vida um lugar bonito para viver. E isso implica não passar por cima daquilo que é menos agradável e encarar os problemas de frente, com orgulho e sem preconceitos, com sensibilidade e bom senso.
Subscrever:
Mensagens (Atom)























