Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

fantasmas


O F. sabe que os fantasmas não existem. Ou melhor, sabe que há coisas que existem porque acreditamos nelas e coisas que existem, simplesmente. Mais ou menos como o pai natal.
A casa da escolinha chama-se Casa dos Fantasmas e os ditos fantasmas fazem trinta por uma linha e convivem com os meninos através de cartas, surpresas, acontecimentos.
O F. sabe que os fantasmas não existem, mas esta noite acordou de um pesadelo e contou-me:
- Mãe, eu sei que os fantasmas não existem, mas no meu sonho existiam. Eu estava sozinho na escola e vinha um fantasma e levava-me.
- Foi só um sonho, F., já passou.
- Não foi um sonho, foi um pesadelo! E lá os fantasmas existiam!
Como dizia o outro: Yo no creo en las brujas, pero que las hay las hay!
Os fantasmas são da mesma raça...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

o erro como metáfora


Depois de uma reunião da escolinha em que uma mãe revelou que a filha dizia pico encostado em vez de pico emprestado, demonstrando uma capacidade metafórica de que nem todos os escritores (deveria dizer escrevedores, mais propriamente) são capazes, uma vez que os picos emprestados ficam, de facto, encostados ao cartão para onde deveriam ter saltado não tivesse alguma coisa corrido menos bem durante aquela semana.
Depois de a S. ter dado um saquinho de sementes de cores ao F., que ele comeu umas atrás das outras resistindo convictamente aos pedidos suplicantes dos irmãos de "Por favor, dá-me uma amêndoa, só uma, por favor!"
Depois de um novo filme de Miyzaki em que uma bruxa esformou um menino em porco e a transformação, tanto quanto pude perceber do que vi do filme foi definitiva.
Depois de pensar muito sobre a escola, o erro, os meus filhos, a vida em geral... Acho que vou inventar a pedagogia do erro. O erro ao poder como forma subversiva e criativa de esformar a escola num sítio mais encostado a nós, onde se lancem à terra sementes de cores para que o mundo se transforme num sítio mais colorido, perfumado e agradável para vivermos.
Além de tudo, como eu própria vou começar (ou já comecei) a dar erros ortográficos nada melhor que instigar o erro nos outros!
Viva o erro! O erro ao poder! Viva a subversão!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

fim-de-semana p'ra ganhar coragem


No sábado começámos o nosso tão esperado fim-de-semana em Lisboa. Eu e os três manos.
Depois de uma viagem de comboio de filme, com aquela chuva imparável a pintar de aguarela a paisagem deslizante, fomos para dentro das histórias da Paula, na casa dela.
Não sei do que gostei mais. Se da chuva, se dos bonecos, se da casa, se das salas do Victor.
Acho que gostei mais de tudo, como os meus filhos costumam dizer.
No domingo, em Oeiras, as bruxas sairam à rua.
O A., de cara branca, o V., de pirata, o F. de Shrek (foi que o se arranjou quentinho para o tamanho dele..) e a M. de propriamente bruxa. Os quatro, sozinhos, de noite, percorreram a rua da mãe d'água de lá para cá, tocando a cada uma das portas, sistematicamente.
A colheita do dia foi generosa e as dores de barriga de segunda-feira também!
Foi um fim-de semana absolutamente inesquecível... para todos, creio.