Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

zexágonos


Não tenho nada contra formas geométricas. Nem sequer contra hexágonos, em particular.
Ou melhor, se calhar tenho.
A verdade é que nunca percebi a necessidade de ensinar as formas geométricas às crianças pequenas.
Sempre que um dos meus filhos (e já falo do terceiro!) me aparece a recitar quadrados, triângulos, rectângulos e círculos, como quem papagueia a tabuada sem saber multiplicar, fico com os nervos em franja. Não consigo explicar porquê, mas irrita-me.
Mas, decididamente, a Ana é mais evoluída que as outras educadoras e conseguiu tirar-me do sério e destas minhas manias inexplicáveis.
No carro, e a propósito da grade de uma porta em frente à qual paramos, enquanto o sinal está fechado, o V. começa a descortinar as formas geométricas da grade:
- São... losangos... e triângulos e... hexágonos...
- Eu também sei o Zéxagono! - declara o F. do seu silêncio atento. 
- Não sabes nada! - avança o V., céptico.
- Sei, sei. O Zéxágono tem seis bicos.
- Pois... - recua o V. - Mas não é Zéxagono: é Josexágono!!!
A minha relação com as figuras geométricas nunca mais será a mesma, depois de hoje.
Efectivamente, são eles que mudam o mundo!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

tarte de chila com nozes

Fazer tarte de chila começando pela chila é promessa de várias tardes bem passadas.
A tradição manda que seja tudo feito com as mãos, sob pena de a chila ficar a saber a peixe.
Portanto, primeiro há que atirar com a chila para o chão para que se parta. Grande diversão!


Estando a chila bem madura tira-se-lhe a casca com bastante facilidade... sobretudo se for com dez mãos!

 

Depois, há que tirar-lhe todas as sementes (que a ameaça do sabor a peixe é temível!)... e ninguém quer ficar doente!


E, finalmente, esfiar todo o miolo e deixá-lo em água de um dia para o outro., porque ninguém é tolo!


No dia seguinte, há que fazer a tarte.Faz-se doce de chila (roubando sempre 100g ao peso do acúcar!), juntam-se quatro ovos inteiros e 100g de nozes moídas, uma base de massa quebrada e...


Voilá! Uma tarte bem preparada!


É caso para dizer: uma verdadeira brincadeira de crianças!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

nódoas

Ontem, ao vestir o F. descobri que ele tinha imensas nódoas (negras, verdes, amareladas, aqueles vários tons que as pisaduras vão tendo ao longo do tempo) nas pernas. Ossos do ofício de brincar!
Comentei.
- Ena pá, tantas nódoas!
 Ele respondeu:
- Tenho de ir para lavar!
Decididamente, gosto do sentido prático dos meus filhos.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

frágil

A vida é, decididamente, muito frágil. Mas o que fica dessa fragilidade tem uma força imensa, quando é expresso sob a forma de arte.
O Teatro de Marionetas do Porto é uma estrutura sólida... que deve ter sofrido um enorme abalo com a fragilidade da vida.
Mas a passadeira rolante segue e as caixas não acabam.
Cada momento de "Frágil" é... inesquecível. Como quem o criou.

sábado, 29 de janeiro de 2011

vaidades...

Quando uma mãe se sente realmente feliz, dá-se a algumas vaidades. Como, por exemplo, ter o privilégio de ter peças feitas especialmente para si.
A Sara das mãos de fada trabalha e (espero!) diverte-se com os desafios que lhe vou propondo.
E eu, por mim, fico ainda mais feliz!


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

a melhor escola possível

O A. queixa-se da palermice dos adolescentes da escola dele.
O V. não consegue perceber a palermice dos adolescentes da escola do A.
Isto tudo no meio de uma conversa sobre pilinhas e risos patéticos de crianças patéticas e a palermice adolescente e patética dos governos que decidiram que é preciso dar educação sexual às crianças nas escolas (depois queixem-se que elas engravidem aos 13 anos!).
A Antena 2 transmitiu ontem, precisamente, um extraordinário programa sobre a palermice da educação sexual nas escolas.
A verdade é que os meus filhos não comungam das palermices gerais da sociedade em que vivemos, felizmente. A escola que lhes demos, até agora, tem sido a melhor possível.
Uma escola que é uma verdadeira família, onde os professores gostam do que fazem, fazem o que querem e, além de toda a gente aprender com toda a gente, divertem-se a rodos!
Quando é que conseguimos uma escola pública onde os professores ditem senhor mário, em vez de sumário, os tpc sejam assumidamente designados por tortura para crianças, ah, e quando as crianças têm de ficar para além do tempo lectivo podem usufruir de um tempo de pregamento (esta é da autoria do F.), em vez do clássico e aborrecido prolongamento. Uma escola em que as crianças não têm nomes repetidos, porque ternamente lhes são aplicadas alcunhas, uma escola em que se joga xadrez, se pensa filosofia, se dança, se canta, se anda na rua a pé ao sol e à chuva, se trabalha em salas com sofás, almofadas, tapetes, lareiras, mesas de sala de jantar e cadeiras que se parecem com as da casa das nossas avós, em que cada sala tem um nome próprio e há animais de estimação como nas nossas casas, onde se toma chá de pequenino e onde os valores humanos circulam por entre o tempo como fantasmas, atravessando paredes.
Educação sexual? E que tal crescerem e pensarem na educação para os afectos? Tavez não fosse má ideia...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

11 coisas boas em 11 dias

1. O ano novo não parece igual ao velho.
2. O tempo estica quando gostamos de quem passa com ele.
3. Voltar a trabalhar não custa assim tanto.
4. Uma Sizzix não é essencial para nos entreter, mas ajuda.
5. A fada dos dentes existe mesmo.
6. Um abraço com cinco semanas de Tailândia dentro enche-nos a alma.
7. Ver um bom filme é sempre uma grande experiência.
8. Há tantas coisas boas que as pessoas não fazem porque vêem televisão...
9. A chuva traz-nos mais depressa os amigos para dentro de casa.
10. A Casa da Música mudou mesmo a cidade.
11. A M. vai casar com o F. depois de amanhã e eu vou ser a madrinha !

domingo, 2 de janeiro de 2011

irmãos


- Sabes, mãe, o sol é o irmão mais velho da lua!, segredou-me o F. anteontem.
Pareceu-me uma boa frase para terminar o ano.
- Bom dia, irmão mais novo da lua!, disse o pai ontem, ao desejar um bom ano ao F.
Parece-me uma boa frase para começar o ano.
Feliz 2011, manos!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

feitos em casa com muito espírito natalício

Se o grau de felicidade de uma família se medisse pela qualidade dos presentes de Natal, aposto que nós, este ano, ganhávamos.
Cada um fez, durante semanas, dias, horas, presentes para cada um dos outros. Numa família de cinco isso significa que cada um fez quatro presentes e, no total, se fizeram vinte presentes (por acaso, foram dezassete porque o pai fez um quatro-em-um!).
Todos com imaginação, dedicação e sobretudo muito espírito natalício. A reutilização de materiais foi a técnica mais usada.
E mais não digo...

Do F. para o V.

Do F. para o A.

Do F. para o pai

Do F. para a mãe

Do V. para o F.

Do V. para o A.

Do V. para o pai

Do V. (o colar) e do A. (a caixa) para a mãe 

Do A. para o F.

Do A. para o V.

Do A. para o pai

Da mãe para o F. (sem acabamentos!)

Os outros presentes não podem aparecer aqui porque têm retratos nossos ou de pessoas que nos são muito querisas, mas são igualmente bonitos (digo eu...)
O Natal foi, pois, muito feliz por aqui.
Até porque, ainda por cima, o Pai Natal satisfez os mais profundos desejos de cada um dos meninos e deu uma trotineta enorme ao A., um skate (a sério, nada de imitações!) ao V. e uma trotineta pequenininha ao F.
Como me dizia o A. ontem:
- Sabes, mãe, se eu pedisse uma coisa ao Pai Natal não ia pedir isto... Mas era mesmo isto que eu queria.
É a vantagem de acreditar!


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

crescendo devagarinho


O F. não cresce assim tão depressa como parece, felizmente.
Enquanto me ajudar a pôr a louça na mánica de lavar, acordar com a roupa molhada por estranspirar e se queixar que quando o abraço o desgano ainda vai sendo pequenino.
Mas pequenino mesmo ficou ontem quando, a explicar-me um episódio de mr. Magoo (a sua nova obsessão!) declarou que aquele homem no écrã era o feiciteiro que faz maldiços!
Ainda bem que não é só o peixe que morre pela boca. O crescimento também!

sábado, 11 de dezembro de 2010

não há 3 sem 4...


Pois é, o F. fez mesmo 4 anos e fez questão de nos lembrar isso quase todos os dias desde aí.

A sua festa foi muito feliz. A pantera cor-de-rosa também foi convidada, o que dá sempre uma tonalidade menos azul à casa!
Os presentes foram simplesmente fantásticos!






Melhor que isto era difícil! Obrigada a todos... (esta frase soa-me familiar...)

domingo, 5 de dezembro de 2010

mãos de fada

Num cantinho encantador, muito perto do Hospital da Prelada, as mãos da Sara transformam fios em peças tão delicadas que parecem feitas por mãos de fada.
Além disso, a própria Sara é encantadora e delicada como tudo o que faz e de que se rodeia.
Trazer as suas peças para casa é incentivar o seu trabalho e ter a certeza de que ninguém tem uma peça igual à nossa.
Eu vou voltar lá, muitas vezes!






quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

os 24 dias até ao Natal

Começou a contagem crescente.
Os manos montaram a árvore e eu, imbuída de verdadeiro espírito natalício, consegui terminar o nosso calendário do advento deste ano.


Com papel vegetal picotado, pintado, cosido, furado e pendurado...





- Uau! - gritaram eles quando entraram em casa.
Assim vale a pena!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ovos passos

O F. continua a crescer e não tarda muito vai deixar de ter três anos, o que quer dizer que vai ficar mesmo grande. Ou melhor, ainda maior.
Felizmente, quando fala ainda se nota que é pequenino e que, espero, continuará a sê-lo mesmo quando for grande.
Hoje houve festa na escolinha (que, é preciso que se diga, não teve actividades lectivas em solidadariedade para com a greve geral - uma atitude muito bonita, em minha opinião) e, como tal, houve bolo. Gosto sempre de saber de que são os bolos (faz-me crescer água na boca). O F. esclareceu-me:
- Era laranja e branco com ovos passos!
Ovos passos... Talvez uma combinação entre ovos moles e uvas passas?
Nunca se sabe. Ainda assim, ovos passos parece-me abensonhado!
E devem parecer-se com esta pintura que o F. fez há um mais de um mês atrás.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

o meu avô

A família (e os amigos, também!) são aquilo que me prende à vida.
Este fim-de-semana foi o fim-de-semana da minha família.
O meu irmão doutorou-se no último dia dos seus 29 anos, no dia seguinte fez 30 anos e, ontem, a minha única tia de sangue fez 70 anos.
Como se não bastasse a sucessão de emoções, ainda tive direito a um presente que me deixou emocionadíssima.
A minha tia ofereceu-me um retrato muito especial.
A minha avó tinha-o à cabeceira da cama.
Agora que a cama foi embora, o retrato veio para junto de mim.
São estas coisas, pequeninas, que me prendem verdadeiramente à vida.
Tenho pena de não ter sido capaz de guardar o meu avô na memória, mas tenho-o dentro do coração. Assim. Exactamente. Com a cabeça nele encostada.

sábado, 20 de novembro de 2010

o meu namorado

O F. anda naquela fase adorável em que é o meu namorado.
De manhã dá-me beijinhos e repete vezes sem conta tu és linda!
Anteontem, acrescentou ainda:
- O pai não vai casar contigo. Eu é que vou casar contigo!
E deu-me um daqueles abraços apertados que sabem a filho enamorado...
Eu, por mim, também estou (sempre?!) naquela fase adorável de achar os meus filhos encantadores.
E, para dizer a verdade, não é nada mau ter assim uma espécie de três namorados para além do pai deles!
Ah, e ainda há o Peter, claro! Mas esse é só um coelho!!!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

diospiros, laranjas e margaridas

Os fins-de-semana parecem ser agora o nosso maior desejo.
E as semanas vão ficando tão pequeninas que nem dá tempo para escrever os posts!
Foi o primeiro fim-de-semana de Novembro.
Com o disopireiro carregado de enormes bolas cor-de-laranja...
O cheiro das laranjas que ficaram por colher...
A cor das margaridas a conversarem aos molhos...