Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

cabelos


Não sei porquê, mas todas as crianças gostam de cortar os cabelos às bonecas.
Eu também o fiz, diversas vezes.
Às escondidas, claro!
Ontem, o F. pediu-me para cortar o cabelo à boneca que anda cá por casa há muitos anos.
Em vez de dizer que não, como fazem as mães, estive a ajudá-lo para que a pobre criatura não ficasse com uma crista, que era mesmo o que ele queria.
Não é melhor que eles façam estas coisas connosco do que às escondidas?
Claro que isto altera substancialmente a tradicional relação entre mães e filhos, mas não estará ela já bastante alterada?
se em alguns casos essas relações andam pelos cabelos, sejamos nós, então, os protagonistas da alteração, pelo menos!
Digo eu...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

nós em festa


Ou por outras palavras "wii party".
Há mais de um ano que o aparelho está cá em casa, mas só agora é que lhe damos verdadeiramente uso.
Até porque agora o F. também joga!
É absolutamente impressionante para uma criatura da minha idade, que nasceu virtualmente na idade da pedra, como uma criança de cinco anos pode dominar o mundo da tecnologia sem saber ler. O F. conhece todos os procedimentos necessários para começar, continuar, recuar, recomeçar, optar e concluir, não um, mas qualquer jogo.
Ele aprende exactamente como eu aprendi a fritar batatas com a minha avó: observando.
A  minha avó fazia as melhores batatas fritas do mundo. Cortadas num instrumento que eu também tenho, dispunha-as sobre um pano como quem prepara as cartas para uma paciência e depois secava-as, com outro pano, e recolhia-as, num baralho que ia deslizando para dentro da sertã.
É o mesmo que acertar com a mãozinha no sítio certo, carregar A, ou B para voltar para trás, seleccionar o Mii, o número de jogadores, o jogo e jogar.
E a vitória sabe a batatas fritas da minha avó! 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

depilação higiénica


Não sei como é nas casas com meninas, mas aqui os meus rapazes sempre souberam de tudo.
O A. fez várias vezes instalações dignas de prémios internacionais com pensos higiénicos e o V. nunca se obstou de comentar o meu bigode de creme descolorante.
Ontem, o F. também se revelou já completamente ao nível das práticas femininas, com grande astúcia.
Sentando no balcão da casa de banho, tirou a proteção de um penso higiénico diário carefree (passe a publicidade) e aplicou-o sobre a canela, de cima para baixo como mandam as instruções (não dos pensos, claro!):
- Posso tirar os pêlos, mãe?
Claro, pois então? Haverá método mais higiénico?
E num gesto eficaz e quase profissional, arrancou com rapidez o dito penso, de baixo para cima, como manda a lei, estampando-se-lhe um sorriso na cara.
Apesar de tudo, a semelhança entre uma banda de cera depilatória e um penso higiénico não é pura coincidência!