Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro

segunda-feira, 1 de julho de 2013

bicicletas

1979

Não sei números. Mas sei que muitas das crianças que conheço não sabem andar de biclicleta. E as que sabem fazem-no mal. Sem confiança.
Uma escola que se preocupa em ensinar as crianças a andar de bicicleta e que as põe a andar pelas ruas de Miramar existe.
Há cerca de cinquenta meninos e meninas que têm a sorte de conhecer esta escola.
Três são os meus!
Sabem todos andar de bicicleta, que eu não deixo estas coisas por mãos alheias.
Mas ter a oportunidade de andar numa Vilar enferrujada não é para todos os dias!

sábado, 29 de junho de 2013

ainda a sopa


Este livro é de 1977.
Eu tinha dez anos e nunca tive um livro assim.
Absolutamente delicioso.
De uma simplicidade extraordinária.
Com um sentido de humor requintado.
Cheio de ilustrações belíssimas.
Tive uma infância muito feliz.
Mas não feliz assim.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

sopa de rato

Ontem. Oito da tarde. Nos Gambozinos o rato desafia um enorme para jogar xadrez. Oito e dez. O enorme não desiste de ganhar ao rato e deixa os colegas seguirem para a aula de música. Oito e quinze. O rato faz um xeque imparável ao enorme!
Vou dar-lhe uma prenda.


Afinal, não é todos os dias que um rato leva a melhor a um enorme!
A vida dentro das casas dos Gambozinos ultrapassa a imaginação... é verdadeira arte, eu diria.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Tintin et sa copine

O desafio era: criar uma parceira para o Tintin.
O resultado foi muito bom!



 
 









terça-feira, 25 de junho de 2013

são joão

Este ano foi o rato quem fez a cascata na varanda.
Assim, sempre a assobiar.


E na noite do dia, foi assim.
No paraíso.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

les beaux esprits...

... se rencontrent, (como costuma dizer a minha amiga preferida do mundo) nem que seja nos tapetes.
A foto de capa no FB  oficial do Valter Hugo Mãe.


A  foto do tapete cá de casa.

 
Ele tem cão, eu tenho filhos.
Ele é filho de mil homens, eu sou mãe de mil filhos.
Ele escreve bons livros, eu leio bons livros.
Ele tem bom gosto quando compra tapetes, eu compro tapetes com bom gosto.
Como diria o nosso muito muito Pina e cantam os Gambozinos:
"É muito bom ser diferente
Mas também é bom ser igual
E às vezes ser como toda a gente
É uma forma diferente de se ser diferente
Quando toda a gente é desigual"
(ok, Leonor, tenho 15 anos... e tu róis-te de inveja!)
 



quarta-feira, 19 de junho de 2013

"somos todos gambozinos"

 
Eles são todos outra vez 100% Gambozinos, pelo menos enquanto a escola (aos mais velhos) lhes dá sossego para serem quem querem.
Três semanas de praia mais duas semanas de atividades absolutamente únicas (qual Universidade Júnior, qual carapuça!) e depois, sim, estarão prontos para ir de férias com a família.
Para quem não sabe quem são os Gambozinos fica aqui um pequeno esclarecimento.
http://jpn.c2com.up.pt/2009/11/02/escolinha_dos_gambozinos_ensinar_portugues_com_musica_e_xadrez.html
(Para nós, este vídeo é uma das formas de estarmos com a Jonita sempre que precisamos dela fora de nós. E ainda são imensas as vezes em que precisamos...)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

scrabble


Hoje eu e o rato jogámos a primeira partida de Scrabble.
Para lhe ensinar as regras, fizemos jogo aberto e sem pontuações, embora lhe fosse explicando como funcionava o regime de pontos.
À terceira jogada, salta o rato:
- Pode-se vender letras?
- Vender letras, como?
- Eu dava-te um M e tu davas-me um A.
A isto chama-se tecnicamente, na minha profissão, aplicação de conhecimentos adquiridos a novas situações.
Trocando por miúdos, depois de um fim-de-semana a jogar Monopólio com os irmãos e os amigos, tentou fazer negócio comigo.
Aceitei, claro.
Afinal, dá sempre mais gozo jogar com pessoas inteligentes...
(para saber quem é o senhor da fotografia https://www.facebook.com/architoys, onde aprendi tudo o que sei sobre o jogo e de onde copiei a imagem)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

beco vezes três


Dia 7, em S. Pedro do Sul.
Três vezes o beco: de manhã, à tarde e à noite.
De dia para escolas. à noite para todos.
Os três no palco.
Eu, na plateia, a jorrar baba de orgulho!
Foi muito muito bom. Gostei muito.
(obrigada ao Bando simplesmente por existir)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

resposta de rato


Ontem, ao jantar, o F. estava a contar da prova semanal que está a fazer na escolinha.
O A., descrente:
- Prova semanal no 1º ano?! Tu nem sabes escrever...
Resposta rápida do rato:
- Sei escrever totó que é o que tu és!
E foi buscar papel e caneta, escreveu e acrescentou por baixo o significado, não fosse o irmão não perceber!
Os ratos são assim. É preciso ter cuidado com eles.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Grigory, o generoso


Grigory Sokolov tocou ontem, uma vez mais, na Casa da Música.
O programa foi extenso. E entre os tormentos de Schubert e os de Beethoven, sobrevivi com algum cansaço a tantas notas (porque se ouvem todas) a revolverem-me as entranhas.
Confesso que só descansei o espírito durante os seis extras com que Sokolov nos brindou.
A generosidade daquele homem é enorme. Maior do que a sua arte. Que é simplesmente descomunal.
Imaginar que dedica a sua vida a partilhar a sua generosidade com plateias de todo o mundo é... de uma incomensurável generosidade.
Grigory, o generoso. É só o que me apetece dizer.

domingo, 26 de maio de 2013

alfabetismo de rato


oficialmente, desde o dia 22 deste mês, o rato está alfabetizado.
ontem, decidiu escrever o nome dos vários objetos da casa.
quando chegou ao computador... quase morreu de riso.
é que para quem aprende pelo método global as palavras escondem palavras...
e convenhamos que a designação do aparellho é no mínimo irónica se pensarmos na composição da palavra por simples justaposição.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

o rato


A primeira partida com relógio e...
o rato ganha!
Os grandes que se cuidem...
Sim, porque a mim fez-me um cheque à pastora enquanto eu nem tive tempo para pestanejar!
Grande rato! A começar assim ainda acaba Karpov ou Kasparov.
(a baba das mães é muito peganhenta, valha-nos deus!)

terça-feira, 21 de maio de 2013

a nêspera


(trabalho do Afonso, para a disciplina de Português, 8º ano)

é que acontece
aos  alunos
que andam na escola
a dar sentido
ao que acontece

quarta-feira, 15 de maio de 2013

o beco


como disse o Vasco, e tão bem, como argumento para o irmão ir a vila do conde cantar o beco, "fazer o beco é fazer história".
e foi. e fizeram história por duas vezes. em dois concertos consecutivos, apenas com pausa para lanchar.
no renovado e lindíssimo teatro neiva.
foi muito bonito.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Pina


 O rato ainda é, teórica e restritamente falando, analfabeto.
Mas já sabe bem quem é Pina Baush.
Abençoado analfabetismo o dos ratos!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

xadrez



Há poucas coisas melhores do que vê-los a jogar xadrez. Os três, à díada. Como manda a teoria de Simmel!

sábado, 20 de abril de 2013

o rato Chico


A auto consciência do seu pequeno tamanho revela-se ao pequeno almoço no reconhecimento da alcunha que o Rui lhe pôs há já muito tempo na escolinha.
- Sou mesmo um rato. Um rato Chico. Sou o mais pequeno do 1º ano, dos 5 anos e dos 4 anos. A partir de agora têm de me chamar rato Chico. Se me chamarem só Chico ou Francisco não respondo!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

faz sentido?

regressados de seis dias de gambozinices na aldeia, os meus filhos vêm enormes.
enormes de felicidade.
enormes de sentido.
enormes de capacidade para discernirem, os mais velhos, o que a escola lhes não dá.
o que os gambozinos lhes deram e dão e continuarão a dar.
faz sentido uma escola sem sentido?
todas as manhãs me pergunto por que raio os obrigo a ir para uma escola sem sentido.
e a única resposta com que consigo satisfazer-me transitoriamente é: porque terão de ser eles a dar sentido à escola.
faz sentido?
(nem eu própria acredito...)



sábado, 6 de abril de 2013

na aldeia

Seis dias na aldeia.
É assim que começa o terceiro período n'Os Gambozinos.
Aqui a casa está vazia. Lá deve estar cheia.
Como o coração deles.
E o meu.
(esta postagem é dedicada à Claúdia Almendra, por ter reparado em nós)