Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro

sexta-feira, 14 de junho de 2013

scrabble


Hoje eu e o rato jogámos a primeira partida de Scrabble.
Para lhe ensinar as regras, fizemos jogo aberto e sem pontuações, embora lhe fosse explicando como funcionava o regime de pontos.
À terceira jogada, salta o rato:
- Pode-se vender letras?
- Vender letras, como?
- Eu dava-te um M e tu davas-me um A.
A isto chama-se tecnicamente, na minha profissão, aplicação de conhecimentos adquiridos a novas situações.
Trocando por miúdos, depois de um fim-de-semana a jogar Monopólio com os irmãos e os amigos, tentou fazer negócio comigo.
Aceitei, claro.
Afinal, dá sempre mais gozo jogar com pessoas inteligentes...
(para saber quem é o senhor da fotografia https://www.facebook.com/architoys, onde aprendi tudo o que sei sobre o jogo e de onde copiei a imagem)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

beco vezes três


Dia 7, em S. Pedro do Sul.
Três vezes o beco: de manhã, à tarde e à noite.
De dia para escolas. à noite para todos.
Os três no palco.
Eu, na plateia, a jorrar baba de orgulho!
Foi muito muito bom. Gostei muito.
(obrigada ao Bando simplesmente por existir)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

resposta de rato


Ontem, ao jantar, o F. estava a contar da prova semanal que está a fazer na escolinha.
O A., descrente:
- Prova semanal no 1º ano?! Tu nem sabes escrever...
Resposta rápida do rato:
- Sei escrever totó que é o que tu és!
E foi buscar papel e caneta, escreveu e acrescentou por baixo o significado, não fosse o irmão não perceber!
Os ratos são assim. É preciso ter cuidado com eles.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Grigory, o generoso


Grigory Sokolov tocou ontem, uma vez mais, na Casa da Música.
O programa foi extenso. E entre os tormentos de Schubert e os de Beethoven, sobrevivi com algum cansaço a tantas notas (porque se ouvem todas) a revolverem-me as entranhas.
Confesso que só descansei o espírito durante os seis extras com que Sokolov nos brindou.
A generosidade daquele homem é enorme. Maior do que a sua arte. Que é simplesmente descomunal.
Imaginar que dedica a sua vida a partilhar a sua generosidade com plateias de todo o mundo é... de uma incomensurável generosidade.
Grigory, o generoso. É só o que me apetece dizer.

domingo, 26 de maio de 2013

alfabetismo de rato


oficialmente, desde o dia 22 deste mês, o rato está alfabetizado.
ontem, decidiu escrever o nome dos vários objetos da casa.
quando chegou ao computador... quase morreu de riso.
é que para quem aprende pelo método global as palavras escondem palavras...
e convenhamos que a designação do aparellho é no mínimo irónica se pensarmos na composição da palavra por simples justaposição.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

o rato


A primeira partida com relógio e...
o rato ganha!
Os grandes que se cuidem...
Sim, porque a mim fez-me um cheque à pastora enquanto eu nem tive tempo para pestanejar!
Grande rato! A começar assim ainda acaba Karpov ou Kasparov.
(a baba das mães é muito peganhenta, valha-nos deus!)

terça-feira, 21 de maio de 2013

a nêspera


(trabalho do Afonso, para a disciplina de Português, 8º ano)

é que acontece
aos  alunos
que andam na escola
a dar sentido
ao que acontece

quarta-feira, 15 de maio de 2013

o beco


como disse o Vasco, e tão bem, como argumento para o irmão ir a vila do conde cantar o beco, "fazer o beco é fazer história".
e foi. e fizeram história por duas vezes. em dois concertos consecutivos, apenas com pausa para lanchar.
no renovado e lindíssimo teatro neiva.
foi muito bonito.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Pina


 O rato ainda é, teórica e restritamente falando, analfabeto.
Mas já sabe bem quem é Pina Baush.
Abençoado analfabetismo o dos ratos!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

xadrez



Há poucas coisas melhores do que vê-los a jogar xadrez. Os três, à díada. Como manda a teoria de Simmel!

sábado, 20 de abril de 2013

o rato Chico


A auto consciência do seu pequeno tamanho revela-se ao pequeno almoço no reconhecimento da alcunha que o Rui lhe pôs há já muito tempo na escolinha.
- Sou mesmo um rato. Um rato Chico. Sou o mais pequeno do 1º ano, dos 5 anos e dos 4 anos. A partir de agora têm de me chamar rato Chico. Se me chamarem só Chico ou Francisco não respondo!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

faz sentido?

regressados de seis dias de gambozinices na aldeia, os meus filhos vêm enormes.
enormes de felicidade.
enormes de sentido.
enormes de capacidade para discernirem, os mais velhos, o que a escola lhes não dá.
o que os gambozinos lhes deram e dão e continuarão a dar.
faz sentido uma escola sem sentido?
todas as manhãs me pergunto por que raio os obrigo a ir para uma escola sem sentido.
e a única resposta com que consigo satisfazer-me transitoriamente é: porque terão de ser eles a dar sentido à escola.
faz sentido?
(nem eu própria acredito...)



sábado, 6 de abril de 2013

na aldeia

Seis dias na aldeia.
É assim que começa o terceiro período n'Os Gambozinos.
Aqui a casa está vazia. Lá deve estar cheia.
Como o coração deles.
E o meu.
(esta postagem é dedicada à Claúdia Almendra, por ter reparado em nós)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

esquerdo ou direito


Um lanchinho com o F.. No meio do leite com chocolate vem a bomba:
- Mãe, eu sou esquerdo ou direito?
Fico completamente às escuras.
- E tu? És esquerda ou direita?
Ah! Faz-se luz!
Temos uma longa conversa sobre o grande capital, distribuição de riqueza, poder económico, opressão, exploração. Tudo coisas que deslizam bem com leite com chocolate!
-E eu? Sou esquerdo ou direito?
Pois. Isso terás um dia de ser tu a decidir.
Essa parte não me compete.
É assim que eles crescem, não é?
(E ainda é analfabeto. O que será quando começar a ler...)

terça-feira, 26 de março de 2013

habemus Moretti

Não sou freudiana. Mas gosto particularmente de uma história que se conta sobre Freud.
No final de uma conferência, uma senhora interpela-o, em urgência:
- Senhor Professor, diga-me, por favor, o que devo fazer para ser uma boa mãe?
Freud pára uns segundos e depois responde:
- Faça o que quiser e o que sentir, porque de qualquer maneira vai fazer mal feito.
Acho que é esta a única grande lição de Freud para mães-galinhas-coruja-canguru como eu!
A outra grande lição são os filmes deNanni Moretti.

 
Sonhos de ouro é um filme de 1981, com um Moretti ainda muito novo, mas já absolutamente genial.
Ainda assim, Habemus Papam continua a ser o meu preferido.
 

 
Digamos que é um luxo ter Moretti e Piccoli juntos no Vaticano.
A arte é um milhão de vezes melhor que a vida.
Felizmente faz parte da vida. Digo eu.

terça-feira, 19 de março de 2013

ao avô


 
"A relação entre avós e netos é muito importante e só traz benefícios. Sem ela, perdemos muito. Os avós são uma espécie de pais que já foram promovidos, como no exército, quando nos chamam e nos dizem, Sr. Carlos, foi promovido a tenente. Com os avós acontece o mesmo, só que não recebem medalha alguma.
A convivência entre duas gerações distintas é essencial, devido aos diferentes conhecimentos, pois ambas se podem ensinar.
Um avô é alguém que toma conta de nós, e nós também tomamos conta dele. Se esta relação não existir é como se se tivesse apagado o passado com um pano molhado, por isso não devemos molhar a cara aos nossos avós. Um avô húmido é um avô estragado!
Quando estamos com alguém mais velho, alguém que já viveu a sua vida e dos filhos, alguém que conhece o mundo melhor do que outro ser qualquer, se estivermos com eles ganhamos essa sabedoria, como se fôssemos ligados um ao outro e os avós transferissem a sua sabedoria para nós, mas num ficheiro comprimido, que ao longo dos anos vamos abrindo.

Mas, a melhor de todas as coisas é quando o avô nos dá um abraço, uma abraço como não existe outro, quentinho, aconchegado e com tanto sentimento que até temos de abrir a boca para que consiga entrar, e para não ficarmos de boca aberta, ali parados, aproveitamos para dizer “adoro-te”.
Por isso mesmo, ter um avô é como ter um doce, mas que acaba. Por isso, aproveitemos ao máximo. E lembrem-se: os avós odeiam não receber medalhas na promoção.

                                                                                                                             Ao Avô…
Nº de palavras: algumas, suficientes. "

(Afonso, 21 de fevereiro de 2013, composição no teste de Português, 8º ano)

sábado, 9 de março de 2013

a colheita de 71

valter hugo mãe e afonso cruz.
a colheita de 71.

"Não vou descansar até que todos os leitores descubram o Afonso Cruz, Já prometi usar de violência física para obrigar um a um a ler a maravilha que ele escreve.. e não estou a brincar.
Faz-me a alma luxuosa. Passo a ter jóias na imaginação"
(Valter Hugo Mãe)


evergreens é também um luxo. por dentro e por fora.


cá em casa bastou mostrar um bocadinho dos livros e dos discos. e eles ficaram maravilhados.
eu... eu estou completamente dependente.
mas eu sou assim. uma obsessiva.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Jonita



Estamos todos com os olhos cansados das lágrimas e os corações assustados das saudades que nunca vamos matar. Na quinta feira à noite soube que estavam à espera da hora certa para lhe desligarem as máquinas e tive de guardar tudo dentro de mim até sexta às seis da tarde, quando juntei os três
à minha volta e partilhei com eles a notícia. Julguei que ia rebentar. E desde aí estamos mais juntos, mais próximos, mais certos do que é importante para nós.
Os rituais antropológicos de celebração da vida no momento da morte são de uma força telúrica esgotante. No domingo, revolvemo-nos como o mar, como a terra. Subimos montes e calvagámos planícies em segundos. Vivemos a felidade dentro da mais profunda tristeza. E descobrimos que os extremos se tocam. Porque a vida é um cíclo fechado e por isso não tem fim, disse a Teia. Mas o infinto nem sempre cabe dentro de nós e derramam-se-nos as lágrimas como ondas que nos querem encharcar o corpo para que nos lembremos de o enxugar.
Era mãe. E a sua filha mais velha, aTeia, como não podia deixar de ser leu um excerto de O Principezinho. E ganhámos o trigo, como a raposa. E depois cantámos. Porque a vida dela era também feita de canções. E a mãe dela sorriu, um sorriu grande. Feliz por ter dado à luz uma filha enorme.
Só quero que um dia me recordem assim. E chorem, com o coração encharcado em memórias boas, boas, como eram os beijos dela, que nos ficavam agarrados à bochecha como o sol quando quase nos queima.
Só quero que um dia os meus filhos fiquem no ar, em pleno voo, como ficaram os dela. E precisem apenas do vento para continuar a voar.
A vida é uma missão e a Jonita cumpriu-a, disse o Afonso.
Agora a Jonita está espalhada em todos nós, disse o meu pai.
Que bom estar protegida entre duas gerações tão sábias.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

água das pedras


O V. pediu-me para lhe comprar uma garrafa de água das pedras limão.
No carro, o F. pede para provar. O irmão, mais velho, adverte:
- Cuidado, é um bocadinho forte...
O F. prova e franze as sobrancelhas:
- É bom, mas gosto mais de coca-cola, esta tem muitas pedras!
(passe a publicidade. às pedras, claro!)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

brincolagens

Jogar é bom. Mas melhor ainda é quando o jogo foi feito cá em casa, com umas brincolagens (é linda a palavra!)