Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

pássaros zangados, irmãos felizes

Ter irmãos é, no mínimo, a melhor coisa do mundo.
Mas ter irmãos que fazem bolos é, no mínimo, a melhor das melhores coisas do mundo!


Estes seis anos serão sempre mais um momento de partilha entre irmãos para eles lembrarem...


domingo, 2 de dezembro de 2012

mytenes

Não me chamo Sandra.
Não sou sueca.
Não vivo na Alemanha.
Não as faço em crochet.
Não as vendo.
Não lhes chamo wrist worms.
Mas cada vez gosto mais delas.

 
 
Nos dias bons faço um par por noite.
Nas noites mais longas consigo dois pares.
 
 
As primeiras já seguiram para Lisboa para a Avó Mané. Nem deu tempo para as fotografar!
Chamei-lhe Mytenes, porque são minhas, só por isso.
 
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

iogurtes



Ao pequeno-almoço:
- F., tiras também do frigorífico um iogurte para mim? Dos sólidos, por favor...
- Queres de côco... ou de vaca?
- De vaca, por favor!
Para que conste, também já tivemos gelado de porco na arca!



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

pão de centeio


Aos cinco anos as palavras encerram uma riqueza tão grande que é de perguntar por que razão havemos de crescer e tornarmo-nos tão incapazes.
No sábado, fomos à Montra Nacional na Alfândega para conhecermos o que por cá se faz. Entre cães, queijos, submarinos e as magníficas peças da Sara Maia, um stand vendia crepes de centeio.
O F. estranhou o cheiro e expliquei-lhe de onde vinha.
No domingo de manhã, ainda no quentinho do édredon, o F. revisita mentalmente a Montra.
- Mãe, o que é centeio?
- Centeio é um cereal, como o milho e o trigo. É o daquele pão mais escuro que temos às vezes cá em casa.
- Pão de centeio... Pão de centeio é pão que se senta, não é?
Pão de sentei-o... não é mal visto, pois não?

sábado, 10 de novembro de 2012

a preto e branco


Enquanto os manos grandes se deliciam com Casino Royale, o F. rebola-se no tapete em frente à televisão.
- Mãe, quando os filmes eram a preto e branco vocês também eram pretos e cinzentos?
Eu disse que não, mas pensando bem não é isso que as fotografias comprovam!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

levar uma linha a contar histórias


Há muitos anos atrás, ainda eu andava na escola, do lá de lá, tive um caderno que tinha inscrita na capa a célebre frase de Paul Klee
DESENHAR É LEVAR UMA LINHA A DAR UM PASSEIO
Na altura, achei tão bonito e tão certo que ainda tenho o caderno, exatamente como quando o comprei. Por usar. Cheio de folhas brancas com linhas imaginárias a passear em cada uma delas.
Mas depois do recado do F. desenhado naquelas letras enroladinhas, apeteceu-me inventar outra:
ESCREVER É LEVAR UMA LINHA A CONTAR HISTÓRIAS
(provavelmente uma frase desatualizada para quem dedilha teclados...)

sábado, 27 de outubro de 2012

na ponta das letras


Nos Gambozinos, o ensino da escrita e da leitura é feito pelo método global. Pela experiência que tenho dos dois mais velhos, o método tem todas as vantagens do mundo, desde que seja cumprido com rigor.
O que acontece com o F. (e com todo os coleguinhas dele) é que não sabe ler (apenas sabe palavras e frases de cor), mas escreve como gente grande. E ver as letras dele desenharem-se no papel branco como ondas do mar a desenrolarem-se na praia, deixa-me completamente babada.
E, de repente, aquele que é o meu filho pequenino cresce e, nas pontas das letras, fica do meu tamanho.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

cacho de uva puxa dente

Não é um provérbio mas podia ser.
Ou melhor, acho que pode mesmo passar a ser.
Afinal, se os provérbios são do povo...
(nos tempos que correm a ideia de todos nós sermos povo é mais do que importante!)
Depois de um fim de semana (há dois atrás!) de vindimas, os dentes do F. começaram a cair.
A falta dos incisivos inferiores não dá muito nas vistas, mas os beijos ficam mais molhados, arejados e assobiados.
É bom!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

legos


Quando uma mão cheia de adultos inteligentes se juntam para pensar sobre a educação de crianças pequenas, o resultado pode ser absolutamente extraordinário.
No 1º ano, o F., para além de Português, Matemática, Inglês, Dança Criativa, Karaté, Ioga, Expressão Plástica, Música e Xadrês, tem aulas de Lego.
Sim, aulas de Lego!
Não é genial?

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

criaturas


O F. e o V. no banco de trás do carro no regresso da escola.
F. : - De que professora gostavas mais quando estavas nos Gambosinos? Da C. ou da S.O.?
V.: - Em termos profissionais... gostava mais da C. mas agora dou-me bem com as duas.
F: - E em termos de criatura?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

piratas e amigos



As férias de uma mãe só terminam com o fim das férias dos filhos. É uma vantagem!
A reentrada no quotidiano das horas, das obrigações e das exigências do mundo do trabalho na escola (para eles e para mim) tem-se feito devagarinho e sempre com um intenso sabor a cinema.
A descida da imaginação para a realidade, das férias para as não férias, do prazer para o dever não deve ser bruca, mas feita suavemente como uma daquelas aterragens em que não sentimos as rodas do avião tocarem o chão. Porque a fronteira entre o céu e a terra somos nós, apenas.
Depois de "Os Piratas", uma fabulosa animação stop motion que nos entusiasmou aos quatro, não apenas pelo resultado final mas quase sobretudo pelo acesso ao processo de realização (é também por isso que vale a pena comprar DVDs), os "Amigos Improváveis" esperaram que o F. adormecesse e deram-nos uma lição de vida, aos três, recheada de gargalhadas.
É para isto que serve a arte. A primeira, a segunda (sejam elas quais forem) e a sétima.
Digo eu, claro.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

chocolate


Isto é mesmo só falta de vontade de marcar o fim das férias mais cuis (que é o plural de cool, como é óbvio para quem tem cinco anos!) da minha vida!
Um Johnny Deep tão apetitoso como um chocolate, uma super Binoche e uma história deliciosa. Um filme para toda a família!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

férias

E pronto, estamos só mesmo a fazer as malas para irmos de férias.
Lá para Setembro voltamos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

é muito bom ser diferente


Em pleno século XXI, neste país, a dança ainda é para meninas e o desporto para rapazes.
Senão veja-se: há duas semanas, nas actividades do GADUP, o A. e V. eram apenas mais dois entre vinte rapazes. Meninas eram só duas!
Esta semana, no Balleteatro, são os dois únicos rapazes entre 11 meninas.
Bom para eles! Estão a aprender, mais uma vez, o que quer dizer o Manuel António Pina quando escreve
"é muito bom ser diferente
mas também é bom ser igual
mas às vezes ser como toda a gente
é uma forma diferente de se ser diferente
porque toda a gente é desigual"
Nada que eles não saibam, mas é sempre bom senti-lo no corpo!

terça-feira, 10 de julho de 2012

mergulhar no mapa


Três semanas de praia fazem parte do currículo da escolinha dos Gambozinos.
Porquê?
Porque ir à praia permite um milhão de aprendizagens que não se proporcionam noutros lugares.
Enterrar professores na areia, comer pão com óptimo, conversar com o nadador-salvador, tomar banho de mangueira, torcer calções, dormir na relva, ler em cima das árvores...
E, claro, mergulhar no mapa!
É que o mar, aquele mar da praia de Miramar, com a simples pergunta "que oceano é este?" transforma-se, súbita e extraordinariamente, em Oceano Atlântico. E já ninguém vai fisicamente tomar banho no mar, mas banhar-se no Oceano Atlântico e, cognitivamente, dá-se o necessário e desejável mergulho no mapa.
Ah, e se alguém decidir nadar sempre, sempre em frente...
Do outro lado há de estar a América, claro!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

sujar os pés


Cá em casa, parece que não há dois sem um!
O A. e V. saíram para umas pequenas férias com os avós e ao F. juntou-se o seu amigo P.
E nunca ficam duas camas vazias!
De manhã. Saímos com tempo. Porque uma mãe nunca se esquece que se pode esquecer de alguma coisa e há que ter tempo de voltar a subir para repescar o que ficou esquecido.
Foi o caso. A casa ainda está morna, mas lá fora está fresco e os casacos ficaram esquecidos.
Na preparação para a segunda descida, o P. pede para sujar os pés.
Sujar os pés quer dizer, entre nós, descalçarem-se e descerem as escadas e, de preferência, andarem um pouco pela garagem para que os pés fiquem bem negros.
Às oito e quarenta da manhã, atiraram crocs e sandálias pelo vão das escadas, desceram escadas a correr entre gargalhadas vibrantes e antes de sair a porta voltaram a calçar-se.
O que ganhámos com isso, além de uma boa disposição contagiante?
Primeiro, com cinco anos os dois amigos calçaram-se e descalçaram-se sozinhos mais do que seria suposto.
Segundo, fizeram lançamentos, o que é um treino fundamental para a vida.
Terceiro, desceram escadas a correr, sem cair.
Quarto, partilharam comigo a cumplicidade de fazer coisas que os adultos geralmente não os deixam fazer.
Quinto, mostraram ao mundo que não há razão para não fazermos da vida uma permanente diversão.
Ah, hoje ainda é dia de praia e o mar encarregar-se-á de lhes lavar os pés.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

a terceira alternativa



A ideia pesquei-a num sábio velhinho americano.
Ando a digeri-la há uns dias e ontem aproveitei a oportunidade e pus em prática.
Foi assim:
- Mãe, eu queria levar um boneco e uns carrinhos para a hora do eremita, mas não posso.
- Eu acho que podes...
- As professoras não deixam. Não sabes que não se pode levar nada para a praia?
- Mas se levares no bolso dos calções não deve haver problema... também trazes pedras da praia, não é?
- Ó mãe, até parece que tens cinco anos!!! Não se pode, não sabes? As pedras também não se pode.
- Ok. Mas tu trazes pedras, por isso também consegues levar bonecos...
- Não posso, mãe!
(já estava quase à beira das lágrimas)
- Olha, F. (terceira alternativa em ação) eu acho que podes. Há sempre uma maneira de conseguir as coisas.
Metemos o boneco e os carrinhos num saquinho de pano e eu guardei-o na minha carteira. O F. continuava descrente.
- Não vais conseguir...
- Claro que vou!
- Se eu puser no bolso dos calções depois esqueço-me e blá, blá, blá.... (mentalidade da escassez!)
- Vais ver...
Entretanto, a conversa mudou.
Quando chegámos à escolinha o F. não estava com vontade nenhuma de me deixar, por várias razões.
Aproveitei a conversa com a S. (a professora com quem tem agora uma relação privilegiada) e meti-lhe o saquinho de pano na grande bolsa de praia.
- O que é isto?
- Depois vê!
Pisquei o olho ao F. e depois de muitos abraços deixei-o bem entregue.
À tarde estavamos felizes! Ele porque tinha brincado muito com o boneco e os carrinhos e eu...
Porque já sei como se faz para seguir o caminho da terceira alternativa!

domingo, 1 de julho de 2012

pintar, porque sim



Fim da tarde. Começo a preparar o jantar e o F. pede-me para pintar.
O lado adulto de mãe projectada no futuro manda logo dizer que não.
Não porque vou precisar da mesa.
Não porque não se mistura comida com tinta.
Não porque vais sujar tudo e a ti também e eu já tenho tão pouca vontade de arrumar a cozinha!
Mas o lado adulto de mãe que vive o presente diz que sim.
Sim porque pintar é bom.
Sim porque a vontade de nos exprimirmos não deve ser reprimida por necessidades menores (como comer).
Sim, porque é tão bom sujar tudo e depois lavar tudo.
Sim, porque não há nenhuma razão verdadeiramente razoável para não pintar agora.
Sim, porque as cores do açafrão, do pimentão doce e do chocolate em pó são fabulosas!

domingo, 24 de junho de 2012

são joão

O São João cresce todos os anos, como nós.
E a cascata dele também!



quarta-feira, 13 de junho de 2012

são antónio


Hoje é dia de São António, camisenteiro.
E por que razão há-de ser Santo António, casamenteiro?
Siga as rugas!