segunda-feira, 30 de abril de 2012
25 de Abril
Faltou um cravo aqui, mas cá em casa multiplicaram-se.
E o F. aprendeu a andar de bicicleta!
25 de Abril SEMPRE!
sábado, 21 de abril de 2012
palagens
Digo para mim mesma, há uns anos, que só me falta ser educadora de infância.
Ainda serei capaz?
A E., que tem a sorte de passar os dias com nossos filhos e que anda atenta, contou-me, na quinta-feira, a propósito de um menino que se veio queixar de ter levado um chutapé, que o João (um desses nossos filhos) lhe tinha pedido, uma vez, durante a leitura de um livro, se depois podia "mostrar as palagens".
Acho que ficou finalmente inventada a palavra que nos faltava para designar aquilo a que, imprecisamente, andamos a chamar ilustrações.
Era preciso alguém de quatro anos para a inventar!
Etiquetas:
coisas de criança,
coisas de educadora,
educação de infância,
ilustração,
palagens,
palavras
sexta-feira, 20 de abril de 2012
o nosso filho
O F. vai estrear-se a cantar com os Gambozinos na segunda-feira em Aveiro.
Quando o comuniquei durante o jantar aos manos, debaixo do olhar brilhante do F., o V. declarou:
- Temos de ir ver, mãe, ele é nosso filho!
Infelizmente não vamos ver e ouvir o nosso filho, porque outras obrigações nos chamam.
Sinto-me cada vez mais no meio de gigantescas pequenas coisas. Todos os dias!
Etiquetas:
cantar,
coisas boas,
coisas de manos,
filhos,
gambozinos
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Preposições 2
Terça-feira. Três da manhã. Olhos fechados com o chichi a deslizar pela sanita abaixo.
- Mãe, hoje sonhei em ti!
Enquanto está salvaguardado de professores a quererem ensiná-lo, o F. vai aprendendo a exprimir-se como um literato.
De preposições já ele sabe tudo o que é preciso.
Não é tão lindo sonhar em mim?
Sonhar em é muito mais do que sonhar com.
É preciso ser mãe para ouvir coisas destas.
É preciso ser um filho de mil homens para dizer coisas destas!
Preposições 1

Perante a minha cara e pergunta dele "O que é que eu aprendo com isso?", convertemos o trabalho em escrever uma frase para cada uma das preposições. Rimo-nos durante mais de quinze minutos, o V. aprendeu tudo o que havia para aprender e terminámos assim:
Trás: Trás-os-Montes! Traz tu!
Enquanto os professores não pensarem no que querem que os alunos aprendam este mundo não anda para a frente.
Mas há volta a dar-lhe, como ficou provado!!!
Etiquetas:
aprender,
ensino,
escola,
língua portuguesa,
preposições,
tpc
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Gandhi aos 13
Ontem o A. fez 13 anos e o presente da passagem de criança a teenager que me pediu foi para acabarmos de ver o "Gandhi" juntos. Ele só vira a parte da África do Sul. Um quase nada muito importante, portanto.
Revi, com ele, o portentoso filme de Attenborough, o gigantesco Kingsley (não esquecendo as duas mãos cheias de fabulosos actores ingleses e indianos) e o verdadeiramente reencarnado Gandhi.
Já vi o filme mais de dez vezes e nunca me canso.
(Acho que já sei quase metade das deixas de cor!)
O V. viu-o aos dez anos, digo, aos nove (no 4º ano), na escola, e reviu já algumas partes comigo.
Até o F., debaixo do sono dos seus cinco anos, já mostrou curiosidade em ver com mais atenção o filme do "velho sem fome" (que é como os irmãos lhe chamam!).
Acho que ainda podemos construir um mundo em condições se começarmos assim.
Digo eu.
sexta-feira, 30 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
quarto escuro
Já não é a primeira vez.
- Hoje, F., ficas um bocadinho até mais tarde na escolinha que eu tenho uma reunião... Não sei é se vai dar para jogares ao quarto escuro que agora só fica noite bastante tarde...
- Não faz mal... temos os estores... E o quarto escuro é sempre com os olhos fechados. Mesmo quando está escuro!
Já ruminei este quarto escuro quase um mês. E continuo!
O pensamento é como as flores!
Etiquetas:
coisas de criança,
flores,
pensamento,
qurto escuro
quarta-feira, 14 de março de 2012
ainda o tempo
Sete e dez da manhã.
- Mãe, hoje só vou beber uma caneca de leite por ano. (faz uma pausa e começa a coantarolar) O ano novo parece igual ao velho... (uma canção dos Gambozinos) O que é ano?
- Ano é todos os meses... é o que tens de esperar para fazer anos outra vez...
- Hum... E quando é que te vais levantar?
- Às sete e vinte.
- O que é isso?
- Sete horas e vinte minutos. Daqui a dez minutos...
- Quanto tenho de contar?
- Dez vezes até sessenta!
(Vira-se para o lado e começa a susssurrar.)
Sete e um quarto da manhã.
- Já está! Já contei dez vezes até sessenta.
- Ok. Foi um bocadinho depressa...
- Eu contei: um, dois, três (rápido), tchc, thc, tchc...
- Ok, vamos levantar!
Etiquetas:
ano,
coisas de criança,
levantar,
tempo
segunda-feira, 12 de março de 2012
Pulotão
- Mãe, sabes o que é maior que a Terra?
- ...
- O espaço! E maior que o espaço? A cidade!
- Hum... a cidade é na Terra...
- Pois, o planeta... Há mais planetas?
- Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno, Plutão!
(ri-se e levanta-se começando a saltar pela cozinha fora)
- Pulotão! É para dar muitos pulos!
(continua a rir e a saltar)
- Saltitão, pulotão...
Etiquetas:
coisas de criança,
Plutão,
saltitão,
Terra
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
naturais e inteiros
Já foi há mais de uma semana, quase duas, e ainda estou a digerir...
- Mãe, zero mais zero é um?
- Não, F., zero mais zero é zero.
- Então um mais um é um!
- Pois, mas um mais um é dois, queres ver (e mostro-lhe um indicador de cada mão).
Deitado no chão da cozinha, estica os indicadores e coloca o direito sobre o esquerdo.
- Um mais um é T!
- Pois é!
Abre um V com os dedos da mão direita e cruza-o com o indicador da mão esquerda.
- E dois mais um é A!
- É verdade!
(já escrevi um ror de páginas sobre os traços distintivos entre letras e algarismos, entre números e palavras, e o F., de repente, mostra-me como é tão fácil e bom brincar com ambos!)
Ao jantar, o A., que ouviu a conversa pelo canto da orelha, reclama:
- F., zero mais zero não é um! É lógico! Se não tens nada mais nada é nada. Zero não é nada.
- Não é assim tão lógico, A. O zero não é um número natural, é inteiro. Não é natural somar quantidades zero, já pensaste?
- Pois, mas zero mais zero só pode ser zero!
- E pela lógica, como disse o F., um mais um será um...
- Claro que não!
- Claro para quem?
Ando a digerir esta conversa há muitos dias e resolvi que este ano não vou ensinar geometria aos meus alunos. Vou fazer com que eles descubram e aprendam. Porque a escola anda a dar cabo da riqueza do pensamento dos meus filhos e a formatá-los para não pensarem. E eu não quero, decididamente, contribuir para isso. Quero que eles continuem a saber pensar e a querer pensar sobre as coisas fantásticas da vida, sejam pessoas, números, letras, ou outra coisa qualquer... Tudo, de uma maneira geral!
Este ano vou pôr os meus alunos a ver coisas bonitas através da minha colecção de caleidoscópios. E eles vão aprender muito mais geometria do que alguma vez lhes conseguiram ensinar. Digo eu...
Etiquetas:
aritmética,
coisas de criança,
ensino,
escola. pensa,
geometria,
letras,
números
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
all you need is love
Ontem:
- O que é romântico, mãe?
- Romântico?! É... assim uma coisa do amor, muito forte.
- Então porque é que fizeste "ahh" (suspiro)?
- Não sei, filho. Fiz?
- Romântico é uma coisa do amor?
- Romântico é...
Hoje:
- O que é love, mãe?
- Love é amor.
- E all you need is love?
- Tudo o que precisamos é de amor.
- ...
Cinco anos, a pensar muito e a fazer pensar mais ainda.
Etiquetas:
all you need is love,
amor,
cinco anos,
coisas de criança,
romântico
sábado, 18 de fevereiro de 2012
amanhã
- Hoje é sábado, não é?
- É.
- Então hoje é amanhã!
- ...
- Eu estou a fazer de conta que hoje é sexta-feira e ontem eu disse amanhã é sábado. E hoje é amanhã, não é?
- Parece que sim...
E aquela coisa da máquina de fazer passado torna-se ainda mais complicada. Porque, afinal, o presente também é uma máquina de (não?!) fazer futuro.
Sim, porque hoje é amanhã, está visto!
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
logo
- Logo é agora, mãe?
- Não... logo é mais tarde...
- Mas tu à tarde disseste logo se vê. É agora?
- É... acho que sim...
- Logo é agora?
- Logo é agora. Sim.
O valter inventou a máquina de fazer espanhóis. O Oliveira (o Manoel de) dizia que o presente é uma máquina de fazer passado.
E nós talvez tenhamos descoberto que logo é uma espécie de agora adiado.
Isto do tempo tem muito que se lhe diga...
Etiquetas:
agora,
coisas de criança,
hugo,
logo,
tempo
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
bandidos e fantasmas
Carlos Drummond de Andrade
- Mãe, os bandidos não existem, pois não?
- Claro que existem! A maior parte está no governo...
- Mas os ladrões não existem, pois não?
- Esses geralmente vão para ministros das finanças...
- Mas aqui no Porto não há, pois não?
- A concentração é maior em Lisboa, mas também temos alguns jeitosos...
- Mas os fantasmas não existem!
- Os fantasmas não, só as avantesmas!
- O que é avantesmas?
- Uma espécie de fantasmas, umas coisas muito grandes.
- Mas não existem fantasmas... Não existem coisas estranparentes que andam...
- Pois, os fantasmas não, só mesmo as avantesmas...
(A palavra "avantesmas" aparece no libreto, de Carlos Tê, para uma ópera encomendada por Guimarães Capital da Cultura 2012 a um amigo meu compositor que a queria substituir por "fantasmas" antes de lanchar comigo. Depois do lanche as avantesmas ficaram lá e o telefonema de reclamação ao Tê foi adiado. Ele vai dedicar-me o compasso, mas espero que a minha alcunha não passe a ser Avantesma! Não há bela sem senão...)
Etiquetas:
avantesmas,
Carlos Tê,
coisas de criança,
coisas de mãe,
educação política,
fantasmas,
guimarães 2012,
lanche,
ópera
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
bomba2
Largada da segunda bomba, ontem no carro, a propósito de o meu bisavô ter sido preso.
- Foi por causa do filho da mãe do Salazar, sabias, mãe? - pergunta o V..
E o bombista:
- Eu sei uma palavra mais perigosa que filho da mãe...
- Qual é? - dispara o curioso.
- Filho da puta!
No comment...
Etiquetas:
coisas de criança,
filho da mãe,
filho da p...,
palavras perigosas,
palavras-bomba
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
bomba1
Estamos na idade das palavras-bomba. Não só o F., mas sobretudo o F..
Ontem, uma vez mais, do fundo de uma caixa em que se enfiara com uns quantos dinossauros e um tacho de massa crua, lançou a bomba:
- Sexuais! O que é sexuais?
Fiz-me de lorpa, num sorriso cúmplice com o A., a quem massacrava com um ritmo na guitarra.
- Não sei...
- Não sabes?!
(Escandaloso, no mínimo.)
- Não, não sei... Tu sabes?
- Sei. Sexuais é namorados!
O sorriso cúmplice do A. transformou-se numa quase gargalhada muito silenciosa e discreta.
Ter cinco anos é, de facto, maravilhoso!
Etiquetas:
coisas de criança,
cumplicidades,
namorados,
palavras-bomba,
sexuais
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
o tempo
Afinal o tempo do relógio não é só uma escada rolante.
É, também, uma estafeta.
A F., a educadora do F., deu-lhe uma imagem absolutamente encantadora do tempo.
Ele explica assim:
- O tempo dá sessenta passinhos, o ponteiro dos minutos bate na mão das horas e ela dá um passinho. Assim, como na estafeta. E sabes, mãe, os relógios a sério têm três ponteiros... Mostra o teu! Não é a sério!!!
Afinal, não só somos postos na escada rolante do tempo, ao nascer, como nos desafiam para uma estafeta de vida.
Quem é que pode achar que a vida não é emocionante?
Etiquetas:
coisas de criança,
escada rolante,
relógio,
tempo,
vida
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
fantasmas
O F. sabe que os fantasmas não existem. Ou melhor, sabe que há coisas que existem porque acreditamos nelas e coisas que existem, simplesmente. Mais ou menos como o pai natal.
A casa da escolinha chama-se Casa dos Fantasmas e os ditos fantasmas fazem trinta por uma linha e convivem com os meninos através de cartas, surpresas, acontecimentos.
O F. sabe que os fantasmas não existem, mas esta noite acordou de um pesadelo e contou-me:
- Mãe, eu sei que os fantasmas não existem, mas no meu sonho existiam. Eu estava sozinho na escola e vinha um fantasma e levava-me.
- Foi só um sonho, F., já passou.
- Não foi um sonho, foi um pesadelo! E lá os fantasmas existiam!
Como dizia o outro: Yo no creo en las brujas, pero que las hay las hay!
Os fantasmas são da mesma raça...
Etiquetas:
acreditar,
bruxas,
coisas de criança,
fantasmas
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
filhos de mãe
o filho de mil homens é um livro absolutamente espantoso!
daqueles casos em que não há dúvida de que há pessoas diferentes, mesmo homens, ainda que isso de ser diferente (não) seja só para as mulheres.
a capacidade de perscrutação da natureza humana de valter hugo mãe é infinita.
e só não surpreende que seja capaz de escrever tais coisas, porque é capaz de tantas outras coisas.
só um filho poderia escrever coisas assim.
e também assim!
derreti-me. sem mais.
Etiquetas:
arte,
coisas boas,
coisas de mãe,
filhos,
livros,
valter hugo mãe
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















