quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
bomba2
Largada da segunda bomba, ontem no carro, a propósito de o meu bisavô ter sido preso.
- Foi por causa do filho da mãe do Salazar, sabias, mãe? - pergunta o V..
E o bombista:
- Eu sei uma palavra mais perigosa que filho da mãe...
- Qual é? - dispara o curioso.
- Filho da puta!
No comment...
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
bomba1
Estamos na idade das palavras-bomba. Não só o F., mas sobretudo o F..
Ontem, uma vez mais, do fundo de uma caixa em que se enfiara com uns quantos dinossauros e um tacho de massa crua, lançou a bomba:
- Sexuais! O que é sexuais?
Fiz-me de lorpa, num sorriso cúmplice com o A., a quem massacrava com um ritmo na guitarra.
- Não sei...
- Não sabes?!
(Escandaloso, no mínimo.)
- Não, não sei... Tu sabes?
- Sei. Sexuais é namorados!
O sorriso cúmplice do A. transformou-se numa quase gargalhada muito silenciosa e discreta.
Ter cinco anos é, de facto, maravilhoso!
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
o tempo
Afinal o tempo do relógio não é só uma escada rolante.
É, também, uma estafeta.
A F., a educadora do F., deu-lhe uma imagem absolutamente encantadora do tempo.
Ele explica assim:
- O tempo dá sessenta passinhos, o ponteiro dos minutos bate na mão das horas e ela dá um passinho. Assim, como na estafeta. E sabes, mãe, os relógios a sério têm três ponteiros... Mostra o teu! Não é a sério!!!
Afinal, não só somos postos na escada rolante do tempo, ao nascer, como nos desafiam para uma estafeta de vida.
Quem é que pode achar que a vida não é emocionante?
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012
fantasmas
O F. sabe que os fantasmas não existem. Ou melhor, sabe que há coisas que existem porque acreditamos nelas e coisas que existem, simplesmente. Mais ou menos como o pai natal.
A casa da escolinha chama-se Casa dos Fantasmas e os ditos fantasmas fazem trinta por uma linha e convivem com os meninos através de cartas, surpresas, acontecimentos.
O F. sabe que os fantasmas não existem, mas esta noite acordou de um pesadelo e contou-me:
- Mãe, eu sei que os fantasmas não existem, mas no meu sonho existiam. Eu estava sozinho na escola e vinha um fantasma e levava-me.
- Foi só um sonho, F., já passou.
- Não foi um sonho, foi um pesadelo! E lá os fantasmas existiam!
Como dizia o outro: Yo no creo en las brujas, pero que las hay las hay!
Os fantasmas são da mesma raça...
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
filhos de mãe
o filho de mil homens é um livro absolutamente espantoso!
daqueles casos em que não há dúvida de que há pessoas diferentes, mesmo homens, ainda que isso de ser diferente (não) seja só para as mulheres.
a capacidade de perscrutação da natureza humana de valter hugo mãe é infinita.
e só não surpreende que seja capaz de escrever tais coisas, porque é capaz de tantas outras coisas.
só um filho poderia escrever coisas assim.
e também assim!
derreti-me. sem mais.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
cabelos
Não sei porquê, mas todas as crianças gostam de cortar os cabelos às bonecas.
Eu também o fiz, diversas vezes.
Às escondidas, claro!
Ontem, o F. pediu-me para cortar o cabelo à boneca que anda cá por casa há muitos anos.
Em vez de dizer que não, como fazem as mães, estive a ajudá-lo para que a pobre criatura não ficasse com uma crista, que era mesmo o que ele queria.
Não é melhor que eles façam estas coisas connosco do que às escondidas?
Claro que isto altera substancialmente a tradicional relação entre mães e filhos, mas não estará ela já bastante alterada?
se em alguns casos essas relações andam pelos cabelos, sejamos nós, então, os protagonistas da alteração, pelo menos!
Digo eu...
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
pausa
Ele tem cinco anos e dezasseis dias, exactamente. Ontem menos um dia, portanto, e disse assim, enquanto lanchava:
- Vou fazer uma pausa no leite!
E parou de beber para comer bolachas.
Depois, perguntou ao irmão mais velho:
- Vais tocar guitarra eléctrica ou acústica?
A falar assim aos cinco anos ainda temos esperança de que o português se safe da barbárie dos acordos ortográficos e quejandos!
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
nós em festa
Ou por outras palavras "wii party".
Há mais de um ano que o aparelho está cá em casa, mas só agora é que lhe damos verdadeiramente uso.
Até porque agora o F. também joga!
É absolutamente impressionante para uma criatura da minha idade, que nasceu virtualmente na idade da pedra, como uma criança de cinco anos pode dominar o mundo da tecnologia sem saber ler. O F. conhece todos os procedimentos necessários para começar, continuar, recuar, recomeçar, optar e concluir, não um, mas qualquer jogo.
Ele aprende exactamente como eu aprendi a fritar batatas com a minha avó: observando.
A minha avó fazia as melhores batatas fritas do mundo. Cortadas num instrumento que eu também tenho, dispunha-as sobre um pano como quem prepara as cartas para uma paciência e depois secava-as, com outro pano, e recolhia-as, num baralho que ia deslizando para dentro da sertã.
É o mesmo que acertar com a mãozinha no sítio certo, carregar A, ou B para voltar para trás, seleccionar o Mii, o número de jogadores, o jogo e jogar.
E a vitória sabe a batatas fritas da minha avó!
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
interessante...
Ontem, comprei umas sapatilhas novas ao V.
Como brinde trazem umas rodinhas de pôr e tirar no calcanhar.
Uma festa!
O V. deu meia dúzia de trambolhões e depois decidiu deixar as rodas em casa. Mas a vaidade saiu com ele!
No carro, não hesita em obter a aprovação do F..
- Olha, F., tenho umas sapatilhas novas! E têm aqui esta tampa para pôr umas rodinhas!
O F., de cima dos seus enormes cinco anos, com um ar sério e pensativo:
- Interessante... interessante para cair...
E não descansou enquanto não viu o irmão a estender-se ao comprido.
O A. também se ria, mas quando chegou a vez dele, catrapumba.
Ainda tentaram que eu experimentasse, mas o juízo ainda me serve para alguma coisa!
Como brinde trazem umas rodinhas de pôr e tirar no calcanhar.
Uma festa!
O V. deu meia dúzia de trambolhões e depois decidiu deixar as rodas em casa. Mas a vaidade saiu com ele!
No carro, não hesita em obter a aprovação do F..
- Olha, F., tenho umas sapatilhas novas! E têm aqui esta tampa para pôr umas rodinhas!
O F., de cima dos seus enormes cinco anos, com um ar sério e pensativo:
- Interessante... interessante para cair...
E não descansou enquanto não viu o irmão a estender-se ao comprido.
O A. também se ria, mas quando chegou a vez dele, catrapumba.
Ainda tentaram que eu experimentasse, mas o juízo ainda me serve para alguma coisa!
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
ler
Ler é uma das coisas boas da vida.
Sobretudo, quando é Manuel António Pina a escrever.
Ou a falar, neste caso.
A sua melancolia é contagiosamente um incentivo à felicidade, por incrível que pareça.
Mas a sua bondade é ainda melhor do que a sua poesia, é verdade.
A poesia é uma forma superior de bondade, digo eu.
Depois de M. A. Pina só mesmo uma boa história para adormecer.
Comecei a lê-la para os manos grandes. Eles cumpriram o objectivo, adormecer, e eu fiquei a ler o livro até ao fim.
Muito divertido!
O tio Rui é assim uma espécie de Manuel António Pina... de trazer por casa.
Imagino, agora, o seu bigode cheio de letras.
E a sua bondade a cair sobre nós, como poesia.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
TPCs
Primeira semana de aulas. Sem TPCs para o fim-de-semana.
O V. declara:
- Finalmente, os professores ganharam cérebro!
E eu que o diga! As Torturas Para Crianças (TPC) que os meus colegas prescrevem aos meus filhos deixam-me cabelos brancos de há três anos a esta parte.
Sim, porque o 1º ciclo está salvaguardado pelo bom senso da escolinha dos Gambozinos onde aprender é bom. Para os miúdos e para nós!
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Julie & Julia
A descoberta de um mito da cozinha, para todos.
O filme é absolutamente extraordinário, sobretudo quando comparado com os programas originais "The French Chef"! (Também já tenho o livro na mesa de cabeceira! Ando sempre com uns anos de atraso, mas é de propósito. As coisas saboreiam-se melhor depois de voltarem para a cozinha. Digo eu...)
O primeiro projecto de 2012 do A. é escrever um livro de receitas... nada menos!
No sábado, fez magret de pato, ao jantar, em casa do pai, e a aventura começou. A primeira página já está pronta!
O meu A. (ainda child para todos os efeitos!) vai dar que falar...
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sílabas à moda do Porto
O F. voltou à escola (lá tem de ser!) e logo, logo com novidades (está na fase esponjóide em que absorve tudo o que ouve aos meninos do 1º ano!).
- Como te chamas, mãe?
Despejei o meu nome completo.
- Não é isso! A E. é Maria E.. Com é o teu nome?
Lá despejei, com o respectivo Maria!
- Ma-ri-a-ê!Quatro síbalas!
Quatro síbalas! Que maravilha! E eu que pensava que as marias eram sempre três...
Sílabas à moda do Porto..., claro!
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
natal
O A. passou os dois primeiros dias de férias a fazer com que o natal fosse mais doce.
A máquina de costura ajudou.
E o natal foi em grande. (e o blogger continua a rodar fotografias quando lhe dá na bolha!)
domingo, 11 de dezembro de 2011
entre o escuro, as sombras
Ontem, pela primeira vez nos cinco anos de experiência de vida do F., faltou a luz cá em casa durante perto de uma hora.
Já era de noite lá fora e o apagão foi geral.
Depois do medo, veio o fascínio de descobrir nas paredes as sombras que as muitas velas que espalhámos pela sala projectavam.
Tantos objectos que nos são familiares e de que não conhecíamos a sombra!
Mas o F. estava preocupado com os manos, que tinham ido ao cinema com os tios. E perante a hipótese do tio, que já tinha luz no prédio dele aqui mesmo em frente, de a nossa ser uma situação mais grave, não hesitou em desabafar:
- A nossa deve ser uma avariação mais estragada, mãe!
Enqunto ele falar assim eu vou gostar muito. Porque ter um Mia Couto em casa não é para todos... nem para sempre, infelizmente!
Já era de noite lá fora e o apagão foi geral.
Depois do medo, veio o fascínio de descobrir nas paredes as sombras que as muitas velas que espalhámos pela sala projectavam.
Tantos objectos que nos são familiares e de que não conhecíamos a sombra!
Mas o F. estava preocupado com os manos, que tinham ido ao cinema com os tios. E perante a hipótese do tio, que já tinha luz no prédio dele aqui mesmo em frente, de a nossa ser uma situação mais grave, não hesitou em desabafar:
- A nossa deve ser uma avariação mais estragada, mãe!
Enqunto ele falar assim eu vou gostar muito. Porque ter um Mia Couto em casa não é para todos... nem para sempre, infelizmente!
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
a cozinha
O F. fez cinco anos e dei-lhe uma cozinha.
Não só a cozinha, mas tudo o resto em volta. Ou seja, o quarto novo todo só para ele, para poder brincar sem ter de arrumar caixotes antes de ir para a cama.
Foi bom! Foi muito bom!
Aliás, é sempre muito bom!
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
a porta
Cá em casa não entra caixa de cartão que não viva uma experiência radical antes de ir para a reciclagem.
Depois do cavalo, que o F. serrrou em bocados no sábado, uma porta.
Claro que temos todos, até ele, de nos baixar para a atravessar.
Fica sempre aquela sensação de termos sido convertidos em gatos... mas não deixa de ser divertido!
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
perguntas difíceis
Seis e meia da manhã. Entre uma caneca de leite e um biscoito, ainda no calorzinho do édredon, o F. dispara aquela que será, certamente, a primeira das inúmeras perguntas difíceis a que terei de responder no futuro:
- Mãe, o que é o tempo?
E não adianta fugir com o rabo à seringa:
- Qual tempo?
- Aquele que está dentro do relógio e tem aqueles tracinhos.
Bom, o tempo... o tempo, pensei com os meus botões, o tempo é assim uma espécie de escada rolante em que nos põem logo que nascemos e depois a nossa habilidade é subir ou descer quando nos dá mais jeito e, de vez em quando, deixarmo-nos levar sem nos mexermos.
Felizmente, o F. adormeceu enquanto eu pensava nesta resposta.
Para a próxima vou tê-la na ponta da língua!
Apanhei-o!
- Mãe, o que é o tempo?
E não adianta fugir com o rabo à seringa:
- Qual tempo?
- Aquele que está dentro do relógio e tem aqueles tracinhos.
Bom, o tempo... o tempo, pensei com os meus botões, o tempo é assim uma espécie de escada rolante em que nos põem logo que nascemos e depois a nossa habilidade é subir ou descer quando nos dá mais jeito e, de vez em quando, deixarmo-nos levar sem nos mexermos.
Felizmente, o F. adormeceu enquanto eu pensava nesta resposta.
Para a próxima vou tê-la na ponta da língua!
Apanhei-o!
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sábado, 5 de novembro de 2011
os piores momentos
Ter dez anos é assim como ser grande e pequenino ao mesmo tempo.
Mas, de repente, o grande torna-se grande, enorme, avassalador. Pela maturidade.O V. contava-nos ontem que os seus dois piores momentos na escolinha, no 1º ciclo, tinham sido quando a J. lhe tinha amarrado os pés com uma corda (porque ele não parava de saltar!) e quando tinha sabido que a J. estava com cancro.
É desta maneira que os laços entre as pessoas se transformam em nós. Umas vezes nos pés, outras na garganta.
A junção destes dois momentos, na mesma pessoa, pareceu-me, a mim, inequívoca de que o V. está mesmo a crescer. Para não dizer mesmo crescido.
E é bom vê-los crescer assim. Bem.
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sábado, 22 de outubro de 2011
a caixa táxi
O meu pai tem um amigo de infância, alemão, com quem mantém contacto desde sempre e, provavelmente, até sempre.
O G. é, para mim, que o conheço mais das narrativas do meu pai do que pessoalmente, mais que uma pessoa. É assim uma espécie de personagem da história da nossa família.
Durante o pós guerra, a mãe do G. tomava semanalmente chá com as amigas alemãs e, rotativamente, em casa de cada uma, havia também uma das senhoras que rotativamente oferecia uma caixa de bombons à anfitriã.
Um dia, chegou a vez da mãe do G. receber as amigas em sua casa e receber a dita caixa de bombons.
Mais tarde, a mãe do G. ganhou coragem e confessou a uma das amigas, em quem depositava maior confiança, que ao abrir a caixa verificara que os bombons estavam estragados, claramente muito para lá do prazo de validade e bom estado de conservação.
Exclamação da amiga:
- E tu abriste?
É que, ao que parece, a caixa circulava, de casa em casa, de mão em mão, sem nunca ser aberta.
Era uma caixa táxi, como lhe chamou o G.
É uma história bonita, não é?
O G. é, para mim, que o conheço mais das narrativas do meu pai do que pessoalmente, mais que uma pessoa. É assim uma espécie de personagem da história da nossa família.
Durante o pós guerra, a mãe do G. tomava semanalmente chá com as amigas alemãs e, rotativamente, em casa de cada uma, havia também uma das senhoras que rotativamente oferecia uma caixa de bombons à anfitriã.
Um dia, chegou a vez da mãe do G. receber as amigas em sua casa e receber a dita caixa de bombons.
Mais tarde, a mãe do G. ganhou coragem e confessou a uma das amigas, em quem depositava maior confiança, que ao abrir a caixa verificara que os bombons estavam estragados, claramente muito para lá do prazo de validade e bom estado de conservação.
Exclamação da amiga:
- E tu abriste?
É que, ao que parece, a caixa circulava, de casa em casa, de mão em mão, sem nunca ser aberta.
Era uma caixa táxi, como lhe chamou o G.
É uma história bonita, não é?
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