Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro

quinta-feira, 14 de abril de 2011

o erro como metáfora


Depois de uma reunião da escolinha em que uma mãe revelou que a filha dizia pico encostado em vez de pico emprestado, demonstrando uma capacidade metafórica de que nem todos os escritores (deveria dizer escrevedores, mais propriamente) são capazes, uma vez que os picos emprestados ficam, de facto, encostados ao cartão para onde deveriam ter saltado não tivesse alguma coisa corrido menos bem durante aquela semana.
Depois de a S. ter dado um saquinho de sementes de cores ao F., que ele comeu umas atrás das outras resistindo convictamente aos pedidos suplicantes dos irmãos de "Por favor, dá-me uma amêndoa, só uma, por favor!"
Depois de um novo filme de Miyzaki em que uma bruxa esformou um menino em porco e a transformação, tanto quanto pude perceber do que vi do filme foi definitiva.
Depois de pensar muito sobre a escola, o erro, os meus filhos, a vida em geral... Acho que vou inventar a pedagogia do erro. O erro ao poder como forma subversiva e criativa de esformar a escola num sítio mais encostado a nós, onde se lancem à terra sementes de cores para que o mundo se transforme num sítio mais colorido, perfumado e agradável para vivermos.
Além de tudo, como eu própria vou começar (ou já comecei) a dar erros ortográficos nada melhor que instigar o erro nos outros!
Viva o erro! O erro ao poder! Viva a subversão!

sábado, 9 de abril de 2011

o mundo que eu gostava que existisse


O Zé Mário Branco escreveu a letra para uma canção que a Suzana Ralha musicou e O Bando dos Gambozinos canta, cujo refrão é:

Entre o vago e o profundo
Entre a dor e a malandrice
O Porto é sinal de um mundo
Que eu gostava que existisse

Os Gambozinos são o sinal da escola que eu gostava que existisse.
Ontem, O V. estava com dores de barriga na aula de história. Durante a aula de filosofia esteve deitado no banco. Porque nos Gambozinos pode aprender-se filosofia deitado num banco e com dores de barriga. Só que o V. adormeceu. E acordou quando caiu do banco abaixo. O Rui só lhe disse para ir dormir para "os segredos" (uns cantinhos de sotão onde as crianças brincam, descansam e têm aulas, também). E o V. foi. E dormiu. E quando o fui buscar já não tinha dores de barriga, nem sono. Mas tinha uma experiência de aula inesquecível!
De tal maneira que já hoje estivemos a conversar sobre o episódio da banheira de Arquimedes e de como o V. podia ter descoberto qualquer coisa interessantíssima ao cair do banco, não estivesse seco e a dormir numa aula de filosofia!

terça-feira, 5 de abril de 2011

bochecho


Desde o terrível dia em que levámos de férias um dos três coelhos dos Gambozinos e, por uma desatenção tão estúpida como fatal, a minha mãe o encontrou a boiar, pela manhã, na água azul do tanque transformado em piscina.
Desde que o Peter passou a ser o coelho que ia substituir (porque ao contrário das pessoas os animais são substituíveis, dizia-me há dias a C., que teve vários cães e sabe do que fala) o Pinha (que por ventura era o Pinhão, mas isso não é importante).
Desde que o Peter, porque era muito pequenino e exigia muitos cuidados e conquistou o coração do A., primeiro, e depois o de todos nós cá em casa, ficou connosco até ter idade para ir para a escolinha, onde é muito mais feliz que aqui em casa, porque tem muitos meninos a pegarem-lhe ao colo e a mimá-lo.
Desde esses dias, nunca mais se comeu coelho cá em casa. Fui eu quem pediu. E o C. cumpriu.
Hoje fez um jantar delicioso, daqueles à Jamie Oliver, cheio de legumes deliciosos.
Os meninos perguntaram o que era.
- Bochecho - respondeu o pai.
- O que é? Nunca comemos... - as perguntas foram sucessivas e repetidas a três vozes.
- Bochecho... é uma espécie de... borrego...
- Anho... - ajudei eu.
Ao jantar lambemos todos os dedos.
O pai pergunta sempre vinte vezes se está bom, quando cozinha, e por vinte vezes respondemos todos (excepto o F. que ou por intuição ou por embirração resolveu comer só arroz e cenoura!):
- Está óptimo!
E o pai:
- É tão bom como borrego?
- Tão bom?! Muito melhor! - respondeu o A.
E foi mesmo bom termos comido bochecho!
Afinal a vida dos omnívoros é mesmo assim, não é?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

a Cagoa


No sábado, graças a uma preciosa amiga, trouxe para casa a caixa de um iMac de 27 polegadas, cujo destino era, fatalmente, o ecoponto.
Escusado será dizer que o F. passou o fim-de-semana dentro e fora da caixa e fez dela tudo o que a sua imaginação pôde inventar.
Mas o momento alto foi ontem ao fim da tarde quando se meteu com o V. dentro da caixa para irem os dois para a Cagoa.
Ir para a Cagoa significa simplesmente enfiarem-se os dois dentro da caixa e fazerem-na tombar até ficarem os dois deitados, à gargalhada, no chão, meios dentro meios fora.
Hoje, quando chegou a casa, depois de um bom lanche e dois livros, o F. perguntou-me muito naturalmente:
- Podemos brincar à Cagoa?
E lá estiveram os dois a brincar à Cagoa!

terça-feira, 29 de março de 2011

entre o oral e o escrito, o sentido prevalece


Não há dúvida que ouvir e ler (ou escrever) são actividades que em nada se assemelham, embora possa não parecer.
No ano passado, o A. passou uma vergonha na escola por ter escrito Jesusalém, em vez de Jerusalém. Nunca tendo visto a palavra escrita, fazia todo o sentido, para ele, que o topónimo fosse Jususalém!
Ontem, aconteceu o mesmo com o F.. Enquanto jantávamos, o V. contava os presentes que tinham sido oferecidos à sua amiga A., no domingo.
- Além de uma bolsinha com baton e essas coisas, não sei quem foi deu-lhe o livro do Ulisses.
- Do Tolices? - inquiriu logo o F.
Gargalhada geral, está-se a ver.
Mas, na verdade, não havia que rir.
Ulisses ainda não significa nada para o F. (a seu tempo lá chegará) e tolices é uma palavra com um sentido profundo na sua vida de quatro anos (e que quatro!).
Por mim, não vejo problema nenhum nestas confusões.
Afinal, antes de casar com o pai deles eu própria lhe perguntei uma vez, na frente do Atlas, que me dissesse onde era o Islão, que eu nunca tinha percebido. Naturalmente, ele riu-se. Mas casou comigo porque, na verdade, o conceito era bastante geográfico!
Em contrapartida, tive de lhe mostrar no mapa a Patagónia. É que ele achava que era a terra do Tio Patinhas... Fazia sentido!
A questão do erro é uma questão de conceito e preconceito. Digo eu!

sexta-feira, 25 de março de 2011

tapetes


O F. anda, como é costume aos 4 anos, à procura do sentido das palavras que vai ouvindo. E esse é um processo muito engraçado.
- Mãe, sabes o que é mesmo ridículo na nossa casa?
- Não! (ia lá eu imaginar que tinha coisas ridículas dentro de casa!)
- Os tapetes!
- Os tapetes?!
- Sim, quando queremos jogar futebol temos que enrolar-los para jogar.
- Pois... o teu tio até costuma dizer que os tapetes só servem para a gente tropeçar neles e cair.
- É verdade! Uma vez eu tropecei no tapete e caí.
- Se calhar nós é que somos ridículos por pormos tapetes em casa para cairmos...
- Realmente!
Será que depois desta conversa o significado da palavra ridículo ficou um pouco mais claro na cabeça de 4 anos?

quarta-feira, 23 de março de 2011

páginas curiosas


Cada vez mais me convenço que a melhor forma de educarmos os nossos filhos para o que os espera é pela subversão.
Ser subversivo é o contrário de ser subserviente.
Felizmente, há imensa literatura que os pode ensinar a serem educadamente subversivos e darem cabo dos sistemas podres com um sorriso nos lábios. O riso é, com a cantiga, a melhor arma para enfrentar as adversidades. Uma boa gargalhada pode derrubar um governo, demitir uma administração, denunciar uma fraude, tirar o tapete a um convencido, dar uma bofetada de luva branca a um malcriado. Uma gargalhada pode causar a revolução.
Só é preciso que a gargalhada nos saia do fundo da alma e venha cheia de carácter e convicção.
Aqui http://curiouspages.blogspot.com/ uma completa biblioteca de livros que ajudam a crescer subversivamente, para o politicamente incorrecto.
Espero que os meus filhos venham a ser suficientemente esgrouviados para porem este mundo de cabeça para cima!

terça-feira, 22 de março de 2011

ainda o cor-de-rosa


O A., talvez por ser o mais velho dos três, é o meu filho menos dado à cultura escrita. Foi, sem dúvida, aquele a quem li ou contei mais histórias e é aquele que não gosta de ler. Até o F., com os seus ainda fresco 4 anos, mostra mais vontade de ler que o A.
Mas isto foi até ao dia em que o A. conheceu Rohald Dahl. Agora lê freneticamente e só estamos com o problema de a Civilização ter passado a editar os livros que dantes tinham a chancela da Terramar e a sua distribuição ainda não ser efectivamente eficaz.
Depois de "Os tontos" e "O dedo mágico", o A. atirou-se a "Matilde", um livro bastante mais extenso e.... de capa cor-de-rosa. Resultado: quando, na aula de Português em que trocam livros entre si, o A. tentou convencer os amigos que "Matilde" era um livro fantástico, tropeçou no problema do preconceito. Como o livro se chamava "Matilde" e tinha a capa cor-de-rosa foi imediatamente catalogado de "para menina" e o A. viu as suas expectativas de entusiasmar os amigos goradas. Felizmente, houve uma menina que levou o livro. E gostou, claro!

sábado, 19 de março de 2011

o cor-de-rosa

Para dizer a verdade, apesar de ter sido sempre uma menina muito menina, nunca fui uma menina do género cor-de-rosa. Talvez por isso fui contemplada com três filhos e salva da terrível tarefa de conseguir evitar o cor-de-rosa na roupa e acessórios de recém-nascidos (tarefa deveras dífícil!).
O F. é o único dos meus três filhos que não gosta de cor-de-rosa. Pelo menos, é o que ele diz!
Claro que abre uma excepção para a Pantera... mas isso é porque ela é pantera, mãe! (acho que ele ainda não domina bem a função dos artigos definidos, senão teria dito a pantera!)
O A. e o V. nunca se incomodaram com o cor-de-rosa, mas o F. é peremptório.
Há dias comprei meias para todos. O F. perguntou logo:
- Não trouxeste cor-de-rosa para mim, pois não?
Perante a minha confirmação, respirou de alívio:
- Ainda bem!
Assim sendo, e uma vez que apesar de tudo o A. e o V. não se entusiamam com as meias cor-de-rosa, sou a única a usar meias cor-de-rosa cá em casa. Embora quando conheci o pai deles ele tivesse umas meias cor-de-rosa, que adorava e que tinham sido brancas antes de conviverem na máquina de lavar com um par de meias vermelhas!
Mas isso é outra história...

quinta-feira, 17 de março de 2011

a plasticidade da língua


O português é, efectivamente, uma língua plástica e divertida. Os portugueses é que nem tanto.
Mas cá em casa, como é público, cultivamos a plasticidade e o divertimento.
O F. hoje propos-se fazer-me uma arranjação na cozinha com uns canudos de cartão e o A., ao vir da escola, explicou-me que os indianos são vegetarianos porque acreditam no reencarnamento das pessoas nos animais.
Eu que, graças ao Sr. Pompeu, à minha avó e ao meu pai (todos juntos mais eu própria e o meu difícil feitio!) sou verdadeiramente insuportável em matéria de correcção linguística, acho péssimo que se corrijam vocábulos expressivos como estes e declaro em voz alta que os meus filhos falam muito bem, porque têm um vocabulário activo mais rico que o da média da população, exprimem-se com rigor e clareza e entendem bastante melhor o que eu digo que os meus alunos e colegas. Além disso, não sofrem de alexitimia, como muita gente que anda por aí à solta.

domingo, 13 de março de 2011

o povo unido jamais será vencido

Às duas da manhã, o meu namorado chegou a casa com um sorriso estampado na cara.
O povo estivera, finalmente, de novo, unido na rua. Entre cravos, cartazes e skinheads, foram milhares de pessoas que tranquilamente gritaram pela mudança.
As canções da nossa infância voltaram a ouvir-se.
Hoje, acordei com a esperança de um futuro melhor para os meus filhos.

sábado, 12 de março de 2011

a cantiga é uma arma

O meu namorado foi à luta porque a cantiga (ainda) é  uma arma e as revoluções sempre se fizeram na rua.
Fiquei em casa, com os três, que um dia serão homens para sair à rua e gritar, como tantas vezes eu gritei, ainda rapariguinha:
A LUTA CONTINUA!
E lutarem , também, eles, pelos seus sonhos.

terça-feira, 8 de março de 2011

de tudo um pouco

Desde pequena que gosto de fazer de tudo. Claro que nunca consegui especializar-me especificamente em nada! Sou daquelas pessoas que fazem tudo mais ou menos bem, quase nada mal e nada muito bem.
Se isso foi sempre um problema para mim, porque me sentia sempre como uma pessoa socialmente indefinida, desde que sou mãe que a minha perspectiva mudou. Afinal, sorte a deles, que têm uma mãe que faz de tudo um pouco!
Hoje, por exemplo, liguei a lixadeira eléctrica (presente sábio do meu pai no último aniversário) para começar a lixar o tampo de um velho estirador e... quem se divertiu foram eles.
E eu também!... Como de costume...

sexta-feira, 4 de março de 2011

e desenhar é desenhar


O F. está naquela fase deliciosa em que os seus desenhos são sempre novos. Desta vez, além de mim e do V., desenhou pela primeira vez um carro. Um carro não, o jipe do avô!
Dá vontade de ir já passá-lo para tecido e bordá-lo...

terça-feira, 1 de março de 2011

escrever é desenhar

Desde há uns meses largos (ainda com três anos, portanto), o F. decidiu que também queria saber escrever.
No dia de Natal surpreendeu a avó (porfessora primária aposentada) quando declarou que sabia escrever o seu nome. Perante o cepticismo da senhora, o F. foi peremptório:
- Lua, escadote, pau, lua, bola!
E escreveu o seu dimunivo, assim como quem desenha no ar.
A minha sogra ia tendo um chilique!
Desde esse dia, o F. continua a escrever, não só o seu nome, mas tudo o que quer. Só precisa de saber quais são os desenhos e a sua sequência.
Ontem, por exemplo, com um teclado velho e sem fio, esteve a escrever o nome de todos cá em casa e, sem darmos por isso, estava criado o alfabeto de desenhos do F.
Cabana com risco, pau com duas barrigas, lua, pau com uma barriga, pente, pente com pau, lua com cauda, escadote, pau, (falta), pau sentado, montanha, escorrega, bola, (falta), (falta), letra a andar, serpente, pau com pau em cima, bolso, cabana ao contrário, (falta) e (falta).
Assim como assim, já tem um alfabeto de dezoito letras, o que lhe permite escrever/desenhar tudo o que quer!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

a ranhada


Não consigo habituar-me à ideia de que em breve toda a gente (talvez excepto eu!) esteja a escrever com erros, isto é, em tácito acordo com o novo acordo ortográfico.
Lembro-me que a minha avó materna (que nascera em 1917) escrevia "assúcar" assim mesmo e lembro-me igualmente de achar que eram a idade e a sabedoria que lhe davam o estatuto de escrever açúcar assim e não como eu.
Por conseguinte, tenciono assumir a idade e a sabedoria da minha avó e continuar a escrever as palavras como o Sr. Pompeu me ensinou. Sem erros.
Entretanto, vou empenhar-me em que a nova geração desenvolva aquela capacidade mágica que o Mia Couto representa tão paradigmaticamente de inovar o vocabulário, tornando o português numa língua expressiva, criativa e, sobretudo, bem disposta.
Comecemos, pois, pela "ranhada", no respectivo contexto.
- Sabes, mãe, ontem é que foi, na casa de banho, aquela ranhada, tanta ranhada que até chegava até à boca e tinha uma catota no meio e tudo! - disse o F. hoje de manhã no meio de uma panqueca com canela e acúcar.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

marcadores para livros

Com uma Sizzix, ums restos de cartolinas coloridas e um filho com vontade de fazer coisas bonitas, nasceram estes marcadores.






As ideias nascem-nos das mãos!


domingo, 20 de fevereiro de 2011

mon amour

Destesto a importação de objectivos meramente capitalistas do Valentine's Day.
Além de tudo é expresso sob a forma da maior piroseira possível.
Podíamos adoptar modelos bem mais interessantes, ternos e capazes de promover o sentido do amor profundo (pareço o Daniel Sampaio a falar, mas que se lixe!).
"Mon Amour" de Beatrice Alemagna foi o último livro sobre o amor que comprei. E continuo a amá-lo, como no primeiro dia em que o abri.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

cabelos

O F. está decididamente diferente desde que fez anos em Dezembro.
Ontem, ao jantar, declarou de cima dos seus quatro anos:
- Estou pelas pontinhas dos cabelos com o T.P.! Só faz asneiras!
Pois bem, está no seu direito. Ele que passou uma semana a comer na cozinha porque se porta mal na escola, levantado o castigo, está no seu direito de reclamar do comportamento dos outros. Digo eu.
Quanto às pontinhas dos cabelos... como eu o entendo!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

zexágonos


Não tenho nada contra formas geométricas. Nem sequer contra hexágonos, em particular.
Ou melhor, se calhar tenho.
A verdade é que nunca percebi a necessidade de ensinar as formas geométricas às crianças pequenas.
Sempre que um dos meus filhos (e já falo do terceiro!) me aparece a recitar quadrados, triângulos, rectângulos e círculos, como quem papagueia a tabuada sem saber multiplicar, fico com os nervos em franja. Não consigo explicar porquê, mas irrita-me.
Mas, decididamente, a Ana é mais evoluída que as outras educadoras e conseguiu tirar-me do sério e destas minhas manias inexplicáveis.
No carro, e a propósito da grade de uma porta em frente à qual paramos, enquanto o sinal está fechado, o V. começa a descortinar as formas geométricas da grade:
- São... losangos... e triângulos e... hexágonos...
- Eu também sei o Zéxagono! - declara o F. do seu silêncio atento. 
- Não sabes nada! - avança o V., céptico.
- Sei, sei. O Zéxágono tem seis bicos.
- Pois... - recua o V. - Mas não é Zéxagono: é Josexágono!!!
A minha relação com as figuras geométricas nunca mais será a mesma, depois de hoje.
Efectivamente, são eles que mudam o mundo!