Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

diospiros, laranjas e margaridas

Os fins-de-semana parecem ser agora o nosso maior desejo.
E as semanas vão ficando tão pequeninas que nem dá tempo para escrever os posts!
Foi o primeiro fim-de-semana de Novembro.
Com o disopireiro carregado de enormes bolas cor-de-laranja...
O cheiro das laranjas que ficaram por colher...
A cor das margaridas a conversarem aos molhos...



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

fim-de-semana p'ra ganhar coragem


No sábado começámos o nosso tão esperado fim-de-semana em Lisboa. Eu e os três manos.
Depois de uma viagem de comboio de filme, com aquela chuva imparável a pintar de aguarela a paisagem deslizante, fomos para dentro das histórias da Paula, na casa dela.
Não sei do que gostei mais. Se da chuva, se dos bonecos, se da casa, se das salas do Victor.
Acho que gostei mais de tudo, como os meus filhos costumam dizer.
No domingo, em Oeiras, as bruxas sairam à rua.
O A., de cara branca, o V., de pirata, o F. de Shrek (foi que o se arranjou quentinho para o tamanho dele..) e a M. de propriamente bruxa. Os quatro, sozinhos, de noite, percorreram a rua da mãe d'água de lá para cá, tocando a cada uma das portas, sistematicamente.
A colheita do dia foi generosa e as dores de barriga de segunda-feira também!
Foi um fim-de semana absolutamente inesquecível... para todos, creio.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

palavras

O F. está a crescer (só enquanto dorme, claro!) o que quer dizer que as palavras que usa estão a crescer com ele.
Anteontem, ao jantar, perguntou-me:
- Sabes o que é uma mocidade?
E nem esperou pela resposta:
- Uma mocidade é muitas pessoas!
Tive alguma pena de ter de lhe explicar que muitas pessoas é uma multidão. É por estas e por outras que não temos um vocabulário criativo como o do abensonhado Mia Couto.
Mas, felizmente, o F. ainda diz:
- Eu estava muito sugadinho e veio o A. e inrompeu-me!
Ah, e a pirileca entrou definitivamente no nosso vocabulário. Ainda assim nem tudo se perde!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

livros nos bolsos

O F. tem a alcunha de rato Xico na escolinha. E como não tínhamos o livro, tivemos que o trazer.
Depois, havia os bolsos da Marta, cheios de coisas que geralmente se tiram mesmo dos bolsos. Também veio. (E eu feliz, porque continuo viciada nos desenhos de Quentin Blake!)
 
Ficaram os porquinhos do Anthony Browne. (Com quem continuo a ter uma relação muito ambígua...)
A capacidade selectiva do meu filho continua a surpreender-me. Eu não teria feito melhor!
Não sei se quando ele crescer vou conseguir comprar livros com tanto critério e, sobretudo, ser capaz de dizer a mim mesma o que lhe digo a ele:
- Não podemos levar todos!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

o peixe

O A. descobriu o cinema. No domingo viu o Big Fish, de Tim Burton comigo. Agora está a vê-lo com o V. e com o pai.
- Um bom filme, mãe, pode-se ver muitas vezes que não cansa!
Contei-lhe da minha tia A. que foi ao cinema sete vezes ver o Amadeus.
- A sério?
A sério. É um filme que havemos de ver. Até porque na sexta-feira passada, o F. lembrou-se que já não via o Papageno há muito tempo e entrámos numa nova temporada de Flautas Mágicas. O F. conhece-as e lembra-se de todas. Mas continua a preferir os cenários de Hopper e o filme do Bergman. Com três anos dir-se-ia que tem critérios exigentes de selecção.
E quanto ao grande peixe, a vida é mesmo assim: tornamo-nos nas nossas próprias histórias.
A mim parece-me bonito...

sábado, 9 de outubro de 2010

o cavalo

O A. e o V. sabem e gostam de mitologia. Ontem, deitaram-se os dois à meia-noite (o V. enfiado na cama do A.!) para poderem ver até ao fim um filme que o meu irmão lhes deu: Troy.
Acho que o facto de tratarem Aquiles por tu lhes vai ser útil, de qualquer forma, no futuro.
Os bons livros ilustrados que se vão fazendo por aí foram, muito antes dos filmes, os responsáveis pela paixão dos dois pelos deuses.

domingo, 3 de outubro de 2010

leves fardos são estes

A convite da própria Mafalda (a do desenho) fomos ontem ao CLP.
Para todos, foi uma experiência única, aquele Génesis dito pelo Luís Carvalho.
Acho que depois de ontem, a teoria do Big Bang nunca mais vai convencer-nos!

O GÉNESIS


Jeová por alcunha - o Padre Eterno,
Deus muitíssimo padre e muito pouco eterno,
Teve uma ideia suja, uma ideia infeliz:
Pôs-se a esgravatar co’o dedo no nariz,
Tirou desse nariz o que o nariz encerra,
Deitou isso depois cá baixo, e fez-se a Terra.
Em seguida tirou da cabeça o chapéu.
Pô-lo em cima da Terra, e zás, formou o céu.
Mas o chapéu azul do Padre Omnipotente
Era um velho penante, um penante indecente,
Já muito carcomido e muito esburacado,
E eis aí porque o Céu ficou todo estrelado.
Depois o Criador (honra lhe seja feita!)
Achou a sua obra uma obra imperfeita,
Mundo sarrafaçal, globo de fancaria,
Que nem um aprendiz de Deus assinaria,
E furioso escarrou no mundo sublunar,
E a saliva ao cair na Terra fez o mar.
Depois, para que a igreja arranjasse entre os povos
Com bulas da cruzada, alguns cruzados novos,
E Tartufo pudesse inda dessa maneira
Jejuar, sem comer de carne à sexta-feira,
Jeová fez então para a crença devota
A enguia, o bacalhau e a pescada-marmota.
Em seguida meteu a mão pelo socavo,
Mais profundo e maior que a caverna de Caco,
E arrancando de lá parasitas estranhos,
De toda a qualidade e todos os tamanhos,
Lançou-os sobre a Terra, e deste modo insonte
Fez ele o megatério e fez o mastodonte.
Depois, para provar em suma quanto pode
Um Criador, tirou dois pêlos do bigode,
Cortou-os em milhões e milhões de bocados,
(Obra em que ele estragou quatrocentos machados)
Dispersou-os no globo, e foi desta maneira
Que nasceu o carvalho, o plátano e a palmeira.
Por fim com barro vil, assombro da olaria!,
O que é que imaginais que o Criador faria?
Um pote? não; um bicho, um bípede com rabo,
A que uns chamam Adão e outros Simão. Ao cabo
O pobre Criador sentindo-se já fraco,
(Coitado, tinha feito o universo e um macaco
Em seis dias!) pensou: Deixemo-nos de asneiras,
Trago já uma dor horrível nas cadeiras,
Fastio... Isto dá cabo até de uma pessoa...
Nada, toca a dormir uma sonata boa!-
Descalçou-se, tirou os óc’los e o chinó,
Pitadeou com delícia alguns trovões em pó,
Abriu, para cair num sono repentino,
O alfarrábio chamado o livro do Destino,
E enflanelando bem a carcaça caduca,
com o barrete azul-celeste até à nuca,
Fez ortodoxamente o seu sinal da cruz
Como qualquer de nós, tossiu, soprou à luz,
E de pança pró ar, num repoiso bendito,
Espojou-se, estirou-se ao longo do infinito
Num imenso enxergão de névoa e luz doirada.
E até hoje, que eu saiba, inda não fez mais nada.

                                                Guerra Junqueiro

terça-feira, 28 de setembro de 2010

o sabor dos dias

O A. tem uma nova professora de Língua Portuguesa e anda entusiasmado com o facto de ela não se limitar ao manual escolar e apresentar propostas pessoais que o estão, claramente, a entusiasmar.
No sábado começou o seu diário. E está a descobrir o sabor dos dias através dos pequenos registos que faz no seu novo caderno azul, todos os fins de tarde.
Ainda bem que há professores assim!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

lanches

À quinta-feira, eu e o F. lanchamos juntos para podermos estar algum tempo a sós, sem irmãos, antes de voltarmos todos para casa.
Ontem, comemos "bolachas com chapéu", da família dos húngaros, e quando tirámos a última o F. pediu-me "engordar o saco de plástico para depois arrebentar"!
Os nossos lanches são assim!

domingo, 19 de setembro de 2010

coelhices

Depois de um acidente nas férias (que não vou relatar) temos agora um animal de estimação.
O F. anda fascinado com as capacidades do Peter. O pai anda simplesmente babado. O A. e o V. entusiasmados e responsáveis e eu...
Que mais poderia desejar que ter em casa uma das mais famosas personagens da história dos livros ilustrados para crianças?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

cores

No fim-de-semana passado, o A. pediu-me para o ensinar a tecer no tear.
Já tinha experimentado o tear de cartão, mas a ideia da máquina não lhe passava.
Como não temos um tear a sério, ajudei-o a montar uma teia num pequeno e rudimentar tear que guardei da minha infância.
E durante uma tarde inteira teceu.
Entretanto, o V. coloria desenhos...
E o F. brincava com as molas da roupa...
Cada um passou a tarde a brincar com as cores, à sua maneira.
Eu, por mim, tive uma tarde tranquila e muito colorida!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

pirileca II

Ontem o F. foi com a escolinha à Casa da Música.
Os grandes foram munidos de trotinetas e skates.
Os pequeninos levaram os cinco sentidos apurados.
Quando o fui buscar, perguntei-lhe como tinha sido.
- Nem me fales de pirilecas, por amor de Deus! Era só para cima e para baixo, para cima e para biaxo...
É que parece que estava uma pirileca com dois homens a limpar os vidros da Casa.
AH, e o V. informou-me que são os homens que têm um comando para accionar a pirileca. Não está nenhum homem cá em baixo.
Extraordinário mundo das pirilecas!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

água de vaca

Parados no semáforo. Um camião frigorífico à nossa frente com publicidade ao leite Vigor.
Pelo retrovisor aprecio a concentração do F. a observar o camião. E depois o sorriso daquela lâmpada que aparece na BD por cima da cabeça das personagens.
- Mãe, vou-te contar uma coisa engraçada. Este camião é de água de vaca!
E o sorriso dele espalha-se numa gargalhadinha tímida.
Afinal não é tão mau como isso não ser do tempo dos leiteiros e das padeiras. O mundo ainda tem o seu encanto!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ceci n'es pas une pomme

Magritte tê-lo-ia dito assim.
O F., ontem ao jantar, com uma banana disse de outra maneira:
-É um barco... uma lua... um arco-íris!
E como ele estava muito cansado eu comi aquilo tudo com compota de abóbora!
Não era uma maçã, mas soube-me mesmo bem.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

férias

Não desaparecemos do mapa... mas quase.
Estamos de férias no nosso pequeno paraíso e este ano a máquina de costura está no sítio do computador e o tricot no saco dos artigos e livros de estudo.
Fazer férias este ano significa não fazer aquilo que fiz o ano inteiro.
Portanto...
Até Setembro!

domingo, 25 de julho de 2010

bolas de sabão

Hoje o F. esteve a fazer bolas de sabão sentado na beira da piscina, enquanto eu nadava.
Eram oito e meia da manhã e a água estava azul e morna e as bolas deslizavam sobre a superfície lisa luminosa que eu tentava não agitar.
- Olha, as bolas a nadar, mãe! Plof! Rebentou...
A vida é, de facto um mistério maravilhoso.
Compreendo agora como a minha mãe, com setenta anos, ficou perturbada quando o V., espontaneamente e sem qualquer intuito de maldade (creio que pelo contrário...), lhe perguntou se quando morresse queria ser enterrada ou cremada. A minha mãe, como todas as mães (imagino) não quer morrer. Ponto final. O resto não lhe interessa, na verdade.
Mas a vida é, quer queiramos quer não, uma bola de sabão largada pela manhã, que voa, flutua e um dia...
- Plof! Rebentou...
Parece-me que é disto que deve tratar a filosofia que alguns fazem com crianças.
Eu, por mim, limito-me a deixá-los fazer bolas de sabão. Acho que não é preciso muito mais.

domingo, 18 de julho de 2010

o bebé

O F. já repetiu várias vezes a história de, perante uma situação que lhe conto, dizer que viu tudo da minha bolsinha.
Há, dias, porém, a coisa foi mais longe.
Estava eu a contar-lhe, já não me lembro o quê, de quando tinha a idade dele.
- Eu vi, eu estava na tua bolsinha e vi! - declarou.
- Não, F., desta vez ainda não estavas não minha bolsinha, eu era assim pequenina como tu...
- Então onde estava? Estava na tua barriga?
- Não, F., eu era uma menina pequenina, ainda não tinha bebés na barriga...
- Então... Estava na barriga do avô, não era?
Ups! E o que se diz depois disto? Eu só fui capaz de um vago...
- Mais ou menos...
Para mim um bebé é sempre um bebé. Esteve sempre lá, desde que o vi assim (ver as imagens em "fora de cartel").

sexta-feira, 16 de julho de 2010

a pintura generosa

Há dias, no carro de regresso a casa, o F.:
- Mãe, hoje tenho de lavar os pés. Estão muito sujos!
- Ai sim?
- Estive a pintar.
- Com os pés?
- Não - retorquiu o V. - com o pincel, só que deixou cair os pincel nos pés!
- Ah, não há problema , isso sai tudo no banho.
- A L. é que estava... parecia uma macieira!
E, eu a vê-lo pelo retrovisor, com as mãos a apontar vários pontos nas bochechas:
- Verde, azul... preto...
Parecia uma macieira...

sábado, 10 de julho de 2010

há dias para lembrar


Há dias para esquecer.
Há dias para lembrar. Ontem foi mais um deles, entre os tantos destas últimas semanas.
Foi a festa das quatro bandeirinhas. A minha, que me doutorei, a da Sara, que se mestrou, a da Manela, que me orientou e orientou pela primeira vez e a da Paula, que também orientou e doutorou ontem pela primeira vez. O V. fez as bandeirinhas, com os nossos retratos, o A. as quiches e eu a mousse de chocolate. O meu irmão fez a sangria e... bom, foi a melhor festa dos últimos vinte anos, seguramente.
Além de nós, as propriamente embandeiradas, tínhamos entre nós uma estrela.
Cantámos noite dentro e o céu ficou mais brilhante. Os miúdos brincaram até caírem de cansaço. Primeiro o V. no colo da Carla, depois o A., vestido em cima da sua cama e.... o F. só depois de toda a gente ter ido embora e de me ter ajudado a acabar de arrumar a sala! As meninas aguentaram a pé firme, cheias de sono e o P. saiu como se fosse quase tão fresco como se fosse da manhã!
Há dias cheios de amigos. Há dias coloridos. Há dias que esticam.Há dias que deviam durar para sempre.
Há dias que ficam para a história.
É por isso que é muito bom que haja pessoas que percebem de dias e escrevam e ilustrem um livro para todos os dias!



sábado, 3 de julho de 2010

dias felizes

Nem dá para acreditar que numa única semana se possam juntar tantas emoções!
Na segunda-feira, prestei provas de doutoramento, na Faculdade.
Na terça,levei os manos a colher sangue, fui assistir à defesa da dissertação de mesrado da Sara (e essa sim foi uma defesa!) e à tarde montámos e desmontámos a exposição dos quintArtistas.
Na quarta estive pendurada nos formalismos buroráticos do encerramento do ano lectivo, mas ainda fui comer um sorvete (com ou sem panqueca) ao Café Progresso com os meus três filhotes.
Na quinta tentei meter numa mala tudo o que uma mulher precisa para não se sentir infeliz fora de casa eà noite deitei os três, um a um, com umas boas noites muito especiais.~
Na sexta, levantei-me às quatro e meia da manhã e cheguei a Oxford ao meio dia, depois de um voo, dois combois e um metro.Nada mau!
A cidade é fascinante, sobretudo porque tem uma livraria absolutamente delirante chama Blackwell! E ainda por cima hoje é o dia da Alice! Livros para crianças aos molhos e em saldos.... Por que raio hei-de ter e respeitar as restrições dos voos lowcost?






Embora extenuante, até a Conferência está a ser uma história bem contada, bem escrita, cheia de personagens interessantes e beissímimas ilustrações do que ainda há de mais bonito na Humanidade.