Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro

sábado, 8 de maio de 2010

crescer para cima com sensibilidade e bom senso

Na quinta-feira, os manos foram à primeira consulta de obesidade no Hospital de S. João. Se alguma vez eu podia imaginar vir a ter filhos com excesso de peso...
Mas há que assumir a realidade e fazer tudo o que podemos para que a vida deles seja saudável e, sobretudo, para que se sintam felizes.
O A., em especial, anda muito infeliz na escola. É terrível como os outros meninos o discriminam por não ser magro! Felizmente, arranjou um amigo leal, amoroso, tranquilo e... gordinho, também. Os dois juntos sentem-se bem. Mas a vida deles está a ser dura.
É espantoso como há profissionais de saúde que sabem falar com os nossos filhos e torná-los mais felizes em pouco minutos!
Os nossos jantares têm sido deliciosos, divertidos e, com esta brincadeira de aprender a comer, o A. já aprendeu a calcular a área dos círculos e atransformá-los em quadrados. É que a carne e o peixe do jantar são medidos pelos círculos mágicos que temos na cozinha e correspondem à palma da mão de cada um. E cortar carne e peixe em círculo não é a nossa especialidade!

A nossa verdadeira especialidade, cá em casa, é mesmo fazer da vida um lugar bonito para viver. E isso implica não passar por cima daquilo que é menos agradável e encarar os problemas de frente, com orgulho e sem preconceitos, com sensibilidade e bom senso.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

casa nova

Ontem de manhã, logo à saída de casa, demos com uma caixa de cartão enorme junto aos contentores do lixo. À tarde, quando regressámos ainda estava lá. Claramente, esperava por nós.
Eu e o F. olhamo-la bem da janela... Parecia mesmo chamar por nós e, portanto, fomos buscá-la. Surpresa das surpresas, não era uma caixa, mas duas! Duas caixas enormes de cartão!!! Arrastámo-las para dentro de casa e...




Os electrodomésticos já estavam prontos desde domingo, à espera da casa.
O único problema é que uma casa precisa de muita coisa e o F. quer tudo: cama, persianas, estores, cortinas, tapetes, coisas para limpar (pois claro! aspirador, esfregona, vassouras e pás...), relva no jardim (afinal o muro delimita o jardim para quê?) bicicleta (de cartão, pois então!), lâmpada (Porque à noite, mãe, fecho as janelas e fica escuro! como é óbvio...) e tudo o mais que está para vir.
Mas mesmo sem tudo o que é preciso, o F. e os manos brincaram até caírem de sono na casa nova.
O A., então, do alto do seu metro e quarenta e cinco, só repetia, quase extasiado:
- Oh mãe, nós nunca tínhamos tido uma casa em que até eu coubesse lá dentro!
O F., claro, entra e sai de pé, e ainda pode crescer uns bons pares de centímetros até que a cabeça lhe chegue ao tecto.
Ah, e a propósito de tecto, ainda falta pôr o fumo na chaminé, não me posso esquecer!

terça-feira, 4 de maio de 2010

McPhee

Depois do dia da mãe, acho que posso falar também um pouco da mãe deles...
Ando feliz! Ao fim de quase vinte anos de profissão tenho, finalmente, uma alcunha. Ou seja, uma identidade profissional.
Duas meninas de 5º ano, enquanto desenhavam padrões à la Klimt, confessaram-me que no dia em que me conheceram acharam que eu era muito má, mas que depois perceberam que eu afinal era fixe.
Que imagem passei eu quando, sentada em cima de uma das mesas, lhes disse em voz baixa e tranquila que havia apenas duas coisas que precisavam de saber sobre mim: que não tolerava barulho e não admitia faltas de respeito?
Simples: apresentei-me à McPhee, com o meu método de trabalho! E assim fiquei, para elas, com a alcunha.
Depois de uma rápida pesquisa na net, no fim-de-semana, corri a comprar o filme (para ser exacta a Sara correu a comprar-me o filme!) e... emocionei-me. Por três razões:
1. Porque o filme é brilhante.

2. Porque a Nanny McPhee é uma personagem humanamente muito mais interessante que a clássica Mary Poppins.

3. Porque as minhas meninas conseguiram ver muito mais fundo do que estou habituada.

Em suma, fiquei tão feliz que me apeteceu contar a toda a gente que me a minha alcunha profissional é Nanny Mcphee! (E, assim como assim, ser comparada com a Emma Thompson é sempre bom para um ego com 42 anos!)
O filme, vamos vê-lo dezenas de vezes. Até o meu Mr.Brown o achou um dos melhores filmes "para crianças" (como ele diz!) que viu nos últimos tempos. E a ele é difícil agradar! O V. e o A. adoraram. O F. andou distraído a fazer desenhos, mas um dia vai descobri-lo.
É muito bom, após quatro anos de retiro em investigação, concluir que ainda é um privilégio dar aulas... a crianças, claro!

domingo, 2 de maio de 2010

dia da mãe

O meu dia da mãe é, felizmente, todos os dias!
Por isso, hoje, não variámos muito programa e, como sempre, as conversas são a pérola do dia.
- Ontem, na escolinha, não foi leite, foi chá. O leite da escolinha é de soja.
- Só é de soja para alguns meninos, F.. Para ti é leite branco, de vaca.
- Leite de vaca é branco, mas a capa é verde...
Pois. Esta questão das cores tem que se lhe diga. Cá em casa o leite branco é branco para se distinguir do leite com chocolate. Mas o F. é ainda mais exacto na distinção.
Leite branco com capa verde!
Em dia da mãe será oportuno perguntar: E o leite materno? Tem capa de que cor?
Talvez dependa da cor da mãe...

sábado, 1 de maio de 2010

em Maio chega o carrapato

Ontem os Gambozinos andaram a pôr maias nas portas da Rua de Francos. Perguntei ao F. a razão.
- É para o rarrapato não entrar!
- O carrapato? O que é o carrapato?
- Tem umas mãos grandes e um rabo comprido...
- Quem?
- Esse, que tu disseste.
- O carrapato?
- Sim.
- Não pusemos maias na nossa porta...
- Não tens correio!
- O carrapato entra pela caixa do correio?
- Não. Mas a nossa é muito alta.
- Para quê?
- Para entrar...
- Quem?
- O... esse que tu disseste.
- Diz tu!
- Ra... não sei!(esconde a cara nas mãos) Rarrapato! (ri-se)
Quando eles não pronunciam as palavras correctamente e se apercebem disso significa que cresceram. Mas só um bocadinho, felizmente!
O carrapato é que já anda por aí há muitos anos... e até parece que está a crescer. Ainda bem que a nossa caixa do correio é alta!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

bibliotecas

No sábado, eu e o F. passámos o dia na Biblioteca Almeida Garrett a pretexto dos Gambozinos cantarem nos 1os Encontros de Literatura Infanto-Juvenil da SPA.
Hoje, na Faculdade de Desporto, enquanto os manos faziam exercício para gastarem calorias, o F., que estava cansado de mais para correr, pediu:
- Podemos ir à biotecla?
Podíamos e fomos. Mas foi uma enorme desilusão! A biblioteca não tinha almofadas, nem caixotes com livros e, pior que isso, não tinha livros com imagens. Além disso, nem sequer se podia falar lá dentro.
- Onde é a outra? A dos pequeninos? - perguntou o F., desapontado.
Não há! Nas Faculdades não há bibliotecas para pequeninos.
- Porquê não há, mãe?
Boa pergunta...
Alguém quer responder?

terça-feira, 27 de abril de 2010

um, dois, três... quarto!

Como na família somos todos mais ou menos professores, cá em casa não ensinamos os nossos filhos. Eles é que aprendem!
Como tal, a escola encarrega-se de lhes ensinar coisas.
O F. anda a aprender os números na escolinha, não porque precise, mas porque como não dorme vai trabalhar com os meninos de cinco anos. Sempre é melhor do que não deixar dormir quem precisa e quer!
Ontem, à noite, antes de mergulhar no sono, os olhos já semi cerrados, contava:
- Um, dois, três quarto, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, cartoze, vinte e um, vinte e três, dezanove... vinte e três, vinte e um... de... za...
E plof! mergulhou nuns sonhos que deviam estar cheios de bichinhos em formas de números.
Há uns meses atrás comprei uns livros do Charley Harper e achei que aprender números e letras pode ser uma coisa mesmo bonita!
Ainda assim, por favor, não ensinem os números e as letras aos meninos que precisam de brincar! (Podem dar-lhes livros boitos, claro! Ensinar é que não!)

 

Mas o meu número preferido é o seis!
6 WATER STRIDERS GLIDING!

domingo, 25 de abril de 2010

foi bonita a festa, pá!

Ontem, expliquei ao meu F. o 25 de Abril. Para explicar o 25 de Abril a uma criança de três anos é preciso alguma perícia.
- Amanhã, F., é um dia muito importante. A tua Mi faz anos e foi um dia em que os soldados puseram cravos dentro das espingardas e disseram que podíamos falar e não fazer tudo o que os homens maus mandavam.
- Diz isso outra vez! - retorquiu ele.
E eu disse, mas ele interrompeu.
Afinal só queria que eu disse outra vez "25 de Abril"!
É o hoje o dia! Pegue-se nas vassouras e trate-se de varrer o lixo das últimas décadas.
Cravos em punho, o coração na voz, voltarei a gritar com a energia da idade que tinha em 74.
E cantarei a Grândola, baixinho, para que só os bons ouvidos me ouçam.
Fascismo nunca mais, mesmo!

sábado, 24 de abril de 2010

herbário

Os poemas são palavras que nos entram pelos olhos e pelos ouvidos, com sabor, com cor e com cheiro.
Quando alguém magicamente os transforma em canções, os poemas envolvem-nos, revolvem-nos e tornam-se uma parte de nós.
Assim foi, mais uma vez, quando hoje os Gambozinos cantaram os poemas do Herbário de Jorge Sousa Braga, nos 1os Encontros de Literatura Infanto-Juvenil da SPA.
Já faziam falta uns encontros decentes, no Porto! É que os Luso-Galaicos estavam a tornar-se um "problema muito enorme", cheios de "criaturas medonhas"!
Obrigada, Álvaro!
Ah, e obrigada à Papa-Livros pelos infinitos jogos com os fantásticos flamingos da rainha!
Encontros entre pessoas são uma coisa muito diferente de encontros entre egos...
Com cravos vermelhos sobre o palco, um dia em que voltou a esperança de que as coisas estão a mudar, porque amanhã é dia de voltar a dizer as palavras de 74.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

a minha dupla imbatível

O V. anda a copiar Os Tontos num caderno de duas linhas, para alinhar a caligrafia que andava tonta!
Gosto tanto de livros com muitas (boas) imagens e pouco (bom) texto como de livros com muito (delicioso) texto e algumas (fantásticas) imagens. Aí, Roald Dahl e Quentin Blake ainda são a minha dupla imbatível.
Para não perder o treino, ando a ler Fantastic Mr. Fox, naquele tempo precioso que inventaram nas escolas chamado não lectivo. Há falta de serviço, leio. Hora e meia por semana para ler no local de trabalho não é propriamente motivo para reclamação sindical!
Mas também há outras hipóteses ...
Este enormous crocodile é absolutamente irresistível! E para os fins de tarde em que já nem apetece mexer os olhos... 
Ficamos ali os quatro a ouvir uma fabulosa narração em inglês e a ver as ilustrações a mexerem-se sozinhas! 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

à noite, a lua

(há livros que acabam sempre por voltar...)
Ontem, antes de se sentar à mesa, o F. espreitou o escuro da janela da cozinha:
- Eu vi a lua! Está ali! Olha, pai, está partida!
O pai foi ver... e estava, partida...
Também estava deitada e pequenina. Mas, primeiro que tudo, estava partida!
Esta exactidão expressiva com que as crianças de três anos falam é como a dos poetas.
Sempre que um dos meus filhos fala assim lembro-me de Pablo Neruda,  Vinicius de Moraes, WH Auden e dos outros todos que me povoam a memória.
É esta poesia que não quero que a escola lhes roube.
Como não quero que deixem de abensonhar...
E, se um dia algum deles me pedir a lua, terei de perguntar:
- Inteira ou partida?
  

domingo, 18 de abril de 2010

o novo tapete

Quando iniciei este blog o F. tinha feito o seu primeiro tapete de livros, que usei como imagem para o cabeçalho deste caderno.
Hoje surpreendeu-me com o pedido:
- Posso fazer outro tapete de livros?
Fiquei entusiasmada com a ideia!
O F. faz tapetes de livros como Klimt pintava. Escolhe criteriosamente os livros não apenas por tamanhos, mas por valor simbólico. Há livros de que o F. ainda (digo eu, por experiência) não gosta e esses, mesmo que de bom tamanho não lhe servem para a construção do tapete.
Ah, e o tapete é um tapete mesmo. Pode ser pisado, descalços, claro, ou com meias, e só é preciso cuidado para não o descoser. Normalmente, fica no quarto até à hora de dormir, quando a cama do F. sai de debaixo da cama do V. como uma gaveta que se abre para oferecer uma boa noite de sono.
A sensação de pisar um tapete de livros com os pés descalços é única!
Neste novo tapete há alguns livros novos de que vou gostar de falar. O primeiro será, sem dúvida, o da "Branca de Neve".

sexta-feira, 16 de abril de 2010

à conversa com o mundo

Aqui fica um pouco do "miolo" do livro de Karla Cikánová, Let's talk with the world.
Mostrarei, noutro dia, os miolos dos outros livros. O importante é mesmo reparar que isto são trabalhos feitos com crianças checas de escola primária.
O segredo é mesmo alguém saber dizer numa aula ou em qualquer outro lugar onde pessoas grandes convivem com pessoas pequeninas "vamos lá conversar com o mundo". Faz toda a diferença.... do mundo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

falar, delicadamente, com imagens

Os últimos livros que chegaram à nossa caixa do correio são de Oliver Jeffers. Apaixonei-me pela delicadeza das suas imagens, das suas ideias, dos seus sentimentos. Comovente, sem lamechice. Delicado, sem maneirismo. Bem-humorado, sem ruído.
"The heart and the bottle" é quase mais que um livro, é um tratado das paixões da alma (para lembrar os dias da música, que cá em casa são todos os dias, porque no Porto é mais assim!).
Mas este "The great paper caper" é um tratado de ecologia, cidadania e amizade. E um manifesto de grande qualidade em matéria de picture books.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

para exprimir

Depois do post de ontem, cabe esclarecer que, embora não tenha nada contra os livros de colorir de qualidade, acho que não devem, definitivamente, ser usados nas escolas, nem sequer em consumo moderado. As escolas e jardins de infância têm a obrigação de espremer (a etimologia do verbo exprimir) as nossas crianças e não de entretê-las.
Ontem, estivemos na praia ao fim da tarde. A praia, nesta altura do ano, está cheia de pauzinhos esculpidos pelo mar. Com eles fizemos bichos sobre a areia e depois o F. quis trazer alguns paus para casa. Eu quis trazer todos e tenho um saco cheio de paus para levar comigo para o Porto, quando voltarmos ao trabalho.
Entretanto, comigo andam os últimos livros de Karla Cikánová, uma senhora checa, professora primária e formadora de professores, que tem publicados pelo menos cinco livros absolutamente excepcionais em matéria de prática de expressão plástica com crianças. O primeiro, "Teaching children to draw", comprei-o numa livraria em Exeter, em 1990, e tem sido, digamos, a minha bíblia pedagógica. Há dias chegaram os outros três que mandei vir pela Amazon.uk., agora que vou voltar a dar aulas.
Seria capaz de dizer que são livros indispensáveis para quem quer espremer o que de melhor há nas crianças!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

para colorir

Ontem, o F. adormeceu a colorir um livro. Um daqueles livros manhosos, de desenhos feios (ainda assim os menos feios que consegui encontrar na tabacaria de Moledo) e hoje de manhã estivemos os quatro, à volta da mesa, livros desfeitos em folhas soltas, a colorir desenhos feios.
Não há volta a dar-lhe. Há uma idade (que vai dos três aos... quarenta e três?) em que todos gostamos de colorir desenhos. Ao contrário de alguns fundamentalistas não tenho nada contra o colorir desenhos. Muito pelo contrário. Quando tinha seis anos, e ainda não havia fotocópias, o meu pai deu-me uma folha de vegetal Canson A3 e uma Rotring e disse-me para eu escolher um desenho de um livro que eu gostasse muito. Decalquei um desenho de uma cena doméstica complicadíssima de ursos antropomórficos e dois dias depois o meu pai trouxe-me da Faculdade um saco preto com um monte de cópias do meu desenho lá dentro. Não me lembro de ter colorido mais nenhum desenho na vida (nem sequer os de hoje de manhã!). Mas aquele, ainda era capaz de o descrever se os meus olhos falassem.
Houve uma altura, em que desenhei Tintins para o V. e o A. colorirem. Mas nem sempre me apetece desenhar, também. Há tempos resolvi gastar algum dinheiro em livros para colorir. E hoje, temos a casa cheia de desenhos de boa qualidade para colorir. Não os trouxemos de férias. Mas isso é normal.

O que não é normal é achar que temos de colorir como vem na página ao lado. Felizmente, o F., o V., o A. e eu sabemos isso! E os desenhos feios servem-nos, em dias de férias, coloridos muito bonitos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

a que cheiram as nuvens?

No carro, a caminho de Viana do Castelo, o F. inala o ar que entra pela janela:
- Cheira a nuvens!
Cheirava, de facto. E a que cheiram as nuvens?
Ao mesmo que sabe a lua...
Ou talvez não.
E se um dia o F. me pede para lhe ir buscar as nuvens para brincar com elas?
 Pego numa escada muito grande, ponho-a no cimo de uma montanha muito alta e trago-lhe as nuvens!
Assim como fez o pai da Monica com a lua.
Afinal, o cheiro a nuvens faz-nos pensar em livros com luas!

domingo, 4 de abril de 2010

és tu a Páscoa?

Desde hoje de manhã que o F. me pergunta:
- Mãe, vamos à Páscoa? Podemos ir à Páscoa?
Poder, podemos... Mas, onde é a Páscoa?
A Páscoa, como a Primavera e outras coisas, são entidades abstractas onde, para dizer a verdade, não sei ir.

O problema é que este ano a Páscoa não veio connosco. E, para eles, a Páscoa é a avó e, inevitavelmente, um almoço especial seguido da tão desejada caça aos ovos.
Este ano, a Páscoa ficou na cama, com tosse, porque está constipada e não pode andar ao sabor de uma Primavera caprichosa.
 Talvez eu devesse sair da toca e perguntar: És tu, a Páscoa? Faria, no mínimo, figura de ursa, que é sempre uma figura boa de se fazer! Mas, pela primeira vez, eu sei quem é a Páscoa... e calha, por acaso, de até ser minha mãe!

quarta-feira, 31 de março de 2010

a descoberta da existência

Ontem, na reunião de pais do grupo de três anos da escolinha, a mãe do D. contou a sua preocupação com a descoberta da existência por parte do filho. O D. deita-se e, em vez de adormecer tranquilamente, como fazia até aqui, deita-se e pede "Mamã, senta-te aqui que tenho muitas perguntas para te fazer!"
O F. também está nessa fase. Mas, em vez de fazer perguntas, resolveu as coisas de outra maneira. Sempre que nos referimos a qualquer coisa anterior ao seu nascimento ou à sua consciência de existência (memória?) declara:
- Pois, eu estava na tua bolsinha e via tudo.
A bolsinha é mesmo esse sítio confortável onde as preocupações não nos chegam. É, mais ou menos, como estar no colo da mãe, nos braços de quem se ama, ou, simplesmente, num estado de plena paz interior.
Aquele em que espero poder estar a maior parte de tempo possível.

domingo, 28 de março de 2010

vento do sul

Quinta-feira. O vento sopra generosamente. O F. está empoleirado no sofá a olhar pelos vidros da varanda.
- Está vento, mãe. Vai ficar sol!
- Depende... O vento do norte traz sol, o vento do sul traz chuva...
- O que é do sul?
- Do sul? Lá de baixo, do Algarve (onde por acaso nunca fomos!)...
- Ah, já sei! Da garagem, não é?
Claro, pois então! Vento lá de baixo é vento da garagem! De onde é que havia de ser?
Mas dos sete contos dos ratinhos o nosso preferido é mesmo "A viagem"
...mas na beira da estrada havia uma pessoa que vendia...pés! Assim, o rato comprou uns pés novos...
(Só me irrito mesmo é com as traduções tão literais do castelhano, como se falássemos todos a mesma língua, e as gralhas que denunciam uma indesculpável falta de revisão dos textos! Na escolha dos tradutores e na revisão editorial a Kalandraka devia ter mais critério... mas isso é outra história!)