Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro

sexta-feira, 16 de abril de 2010

à conversa com o mundo

Aqui fica um pouco do "miolo" do livro de Karla Cikánová, Let's talk with the world.
Mostrarei, noutro dia, os miolos dos outros livros. O importante é mesmo reparar que isto são trabalhos feitos com crianças checas de escola primária.
O segredo é mesmo alguém saber dizer numa aula ou em qualquer outro lugar onde pessoas grandes convivem com pessoas pequeninas "vamos lá conversar com o mundo". Faz toda a diferença.... do mundo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

falar, delicadamente, com imagens

Os últimos livros que chegaram à nossa caixa do correio são de Oliver Jeffers. Apaixonei-me pela delicadeza das suas imagens, das suas ideias, dos seus sentimentos. Comovente, sem lamechice. Delicado, sem maneirismo. Bem-humorado, sem ruído.
"The heart and the bottle" é quase mais que um livro, é um tratado das paixões da alma (para lembrar os dias da música, que cá em casa são todos os dias, porque no Porto é mais assim!).
Mas este "The great paper caper" é um tratado de ecologia, cidadania e amizade. E um manifesto de grande qualidade em matéria de picture books.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

para exprimir

Depois do post de ontem, cabe esclarecer que, embora não tenha nada contra os livros de colorir de qualidade, acho que não devem, definitivamente, ser usados nas escolas, nem sequer em consumo moderado. As escolas e jardins de infância têm a obrigação de espremer (a etimologia do verbo exprimir) as nossas crianças e não de entretê-las.
Ontem, estivemos na praia ao fim da tarde. A praia, nesta altura do ano, está cheia de pauzinhos esculpidos pelo mar. Com eles fizemos bichos sobre a areia e depois o F. quis trazer alguns paus para casa. Eu quis trazer todos e tenho um saco cheio de paus para levar comigo para o Porto, quando voltarmos ao trabalho.
Entretanto, comigo andam os últimos livros de Karla Cikánová, uma senhora checa, professora primária e formadora de professores, que tem publicados pelo menos cinco livros absolutamente excepcionais em matéria de prática de expressão plástica com crianças. O primeiro, "Teaching children to draw", comprei-o numa livraria em Exeter, em 1990, e tem sido, digamos, a minha bíblia pedagógica. Há dias chegaram os outros três que mandei vir pela Amazon.uk., agora que vou voltar a dar aulas.
Seria capaz de dizer que são livros indispensáveis para quem quer espremer o que de melhor há nas crianças!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

para colorir

Ontem, o F. adormeceu a colorir um livro. Um daqueles livros manhosos, de desenhos feios (ainda assim os menos feios que consegui encontrar na tabacaria de Moledo) e hoje de manhã estivemos os quatro, à volta da mesa, livros desfeitos em folhas soltas, a colorir desenhos feios.
Não há volta a dar-lhe. Há uma idade (que vai dos três aos... quarenta e três?) em que todos gostamos de colorir desenhos. Ao contrário de alguns fundamentalistas não tenho nada contra o colorir desenhos. Muito pelo contrário. Quando tinha seis anos, e ainda não havia fotocópias, o meu pai deu-me uma folha de vegetal Canson A3 e uma Rotring e disse-me para eu escolher um desenho de um livro que eu gostasse muito. Decalquei um desenho de uma cena doméstica complicadíssima de ursos antropomórficos e dois dias depois o meu pai trouxe-me da Faculdade um saco preto com um monte de cópias do meu desenho lá dentro. Não me lembro de ter colorido mais nenhum desenho na vida (nem sequer os de hoje de manhã!). Mas aquele, ainda era capaz de o descrever se os meus olhos falassem.
Houve uma altura, em que desenhei Tintins para o V. e o A. colorirem. Mas nem sempre me apetece desenhar, também. Há tempos resolvi gastar algum dinheiro em livros para colorir. E hoje, temos a casa cheia de desenhos de boa qualidade para colorir. Não os trouxemos de férias. Mas isso é normal.

O que não é normal é achar que temos de colorir como vem na página ao lado. Felizmente, o F., o V., o A. e eu sabemos isso! E os desenhos feios servem-nos, em dias de férias, coloridos muito bonitos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

a que cheiram as nuvens?

No carro, a caminho de Viana do Castelo, o F. inala o ar que entra pela janela:
- Cheira a nuvens!
Cheirava, de facto. E a que cheiram as nuvens?
Ao mesmo que sabe a lua...
Ou talvez não.
E se um dia o F. me pede para lhe ir buscar as nuvens para brincar com elas?
 Pego numa escada muito grande, ponho-a no cimo de uma montanha muito alta e trago-lhe as nuvens!
Assim como fez o pai da Monica com a lua.
Afinal, o cheiro a nuvens faz-nos pensar em livros com luas!

domingo, 4 de abril de 2010

és tu a Páscoa?

Desde hoje de manhã que o F. me pergunta:
- Mãe, vamos à Páscoa? Podemos ir à Páscoa?
Poder, podemos... Mas, onde é a Páscoa?
A Páscoa, como a Primavera e outras coisas, são entidades abstractas onde, para dizer a verdade, não sei ir.

O problema é que este ano a Páscoa não veio connosco. E, para eles, a Páscoa é a avó e, inevitavelmente, um almoço especial seguido da tão desejada caça aos ovos.
Este ano, a Páscoa ficou na cama, com tosse, porque está constipada e não pode andar ao sabor de uma Primavera caprichosa.
 Talvez eu devesse sair da toca e perguntar: És tu, a Páscoa? Faria, no mínimo, figura de ursa, que é sempre uma figura boa de se fazer! Mas, pela primeira vez, eu sei quem é a Páscoa... e calha, por acaso, de até ser minha mãe!

quarta-feira, 31 de março de 2010

a descoberta da existência

Ontem, na reunião de pais do grupo de três anos da escolinha, a mãe do D. contou a sua preocupação com a descoberta da existência por parte do filho. O D. deita-se e, em vez de adormecer tranquilamente, como fazia até aqui, deita-se e pede "Mamã, senta-te aqui que tenho muitas perguntas para te fazer!"
O F. também está nessa fase. Mas, em vez de fazer perguntas, resolveu as coisas de outra maneira. Sempre que nos referimos a qualquer coisa anterior ao seu nascimento ou à sua consciência de existência (memória?) declara:
- Pois, eu estava na tua bolsinha e via tudo.
A bolsinha é mesmo esse sítio confortável onde as preocupações não nos chegam. É, mais ou menos, como estar no colo da mãe, nos braços de quem se ama, ou, simplesmente, num estado de plena paz interior.
Aquele em que espero poder estar a maior parte de tempo possível.

domingo, 28 de março de 2010

vento do sul

Quinta-feira. O vento sopra generosamente. O F. está empoleirado no sofá a olhar pelos vidros da varanda.
- Está vento, mãe. Vai ficar sol!
- Depende... O vento do norte traz sol, o vento do sul traz chuva...
- O que é do sul?
- Do sul? Lá de baixo, do Algarve (onde por acaso nunca fomos!)...
- Ah, já sei! Da garagem, não é?
Claro, pois então! Vento lá de baixo é vento da garagem! De onde é que havia de ser?
Mas dos sete contos dos ratinhos o nosso preferido é mesmo "A viagem"
...mas na beira da estrada havia uma pessoa que vendia...pés! Assim, o rato comprou uns pés novos...
(Só me irrito mesmo é com as traduções tão literais do castelhano, como se falássemos todos a mesma língua, e as gralhas que denunciam uma indesculpável falta de revisão dos textos! Na escolha dos tradutores e na revisão editorial a Kalandraka devia ter mais critério... mas isso é outra história!)

quarta-feira, 24 de março de 2010

quando as coisas bonitas nos batem à porta, pela manhã

Depois de uma das muitas idas à prateleira-de-baixo (obrigada, Sal, pelas lições de vida), não resisti e ontem eles vieram bater-nos à porta, às 8h30m da manhã: esta é, sem dúvida, a melhor hora para receber livros novinhos, embrulhados num misterioso cartão! Desta vez, os livros eram todos para eles. Ou melhor, o pretexto tinham sido eles...
Por £26.63 (portes incluídos) desempacotámos 3 livros e 2 DVDs. Alguma coisa deve estar errada com o preço dos bems culturais no nosso país!


Este foi o primeiro a aparecer e aquele por que me apaixonara imediatamente...
...depois este era apetitoso...
 e como não tenho, em princípio,  nada contra a multimodalidade desde que tenha qualidade...
A seguir, este vinha mesmo a pretexto da matéria das aulas de inglês do A.
e ainda me entusiasmei com mais um Roald Dahl em DVD para ver se eles se habituam a ouvir histórias em inglês e não achar estranho. É que as dobragens vieram estragar o encanto dos originais e, além disso, não ajudam nada a ser poliglota.
Estamos todos felizes! E acho que já os convenci de que devemos ver muito para além do que se traduz e edita por cá.
Adormeceram os três ao som de Lost and Found. Porque a amizade traz bons sonhos!


segunda-feira, 22 de março de 2010

que te trouxe a primavera?

E a Regina Guimarães acrescentaria "embrulhada em céu azul e renda de chuva fina?"
A nós a Primavera trouxe-nos um embrulho com uma surpresa dentro.
Um fim-de-semana sonhado semanas a fio, a excitação do hotel (e sobretudo do pequeno-almoço!), o castelo, o paço dos duques, o vila-flor...
Eis senão quando uma janela de guilhotinha resolve pregar-nos uma (mão) partida.
Felizmente, há histórias para tudo, e hoje a caminho da escola conseguimos pôr o V. a rir. No carro foi só o princípio da história, mas agora vou pô-la toda aqui.
- Vamos, vamos! Está na hora! Aiii...! Uma chuvada enorme! Pronto, daqui já não saímos. Primavera maldita!
- Não fui eu! A culpa é da chuva que nos deixou metidos no hotel. Nós estávamos a tentar descansar e...
- Achas bem chuva insistente?
- Não fui eu! A culpa é do F. que se pôs na janela.
-Achas bem, F. curioso?
- Não fui eu! A culpa é do pai que não me deixava molhar a cabeça...
-Achas bem, pai zeloso?
- Não fui eu! A culpa foi do V. que me obedeceu e fechou a janela...
- Achas bem, V. obediente?
- Não fui eu! A culpa foi da janela teimosa. Eu tirei o suporte de um lado, ela não descia, tirei o suporte do outro e zás! ela caiu-me na mão...
-Achas bem, janela Antonieta?
- Não fui eu! A culpa é do inventor da guilhotina. Agora que não há cabeças, caio nas mãos de quem me apeteça!
- Já não há cabeças? Pois, já não há cabeças... Quem terá sido?
Foi mais ou menos isto que nos trouxe a Primavera. Quando cheguei de trabalhar, a história já estava completa e o V. com a mão engessada. Hoje, ardem-me os olhos das  sete lágrimas derramadas.
Nestas alturas, sinto-me como a Camila: uma espécie de mula branca com camisola às riscas. Mas isso já é outra história...

sexta-feira, 19 de março de 2010

come a sopa, F.!

Todas as noites à hora da sopa é a mesma coisa. (Desde que o Quino inventou a Mafalda o mundo deixou de ser o mesmo, e ainda bem!)
Cá em casa não haveria de ser diferente!
Mas, e se no fundo do prato estivesse mesmo... o Chico?
E, melhor ainda, se no fundo do prato estivesse o F. ou o V.? (O A. também tinha gostado mas acha que já é crescido de mais para isso.)
Afinal, é tudo uma questão de... imaginação? Ou talvez não!

quinta-feira, 18 de março de 2010

grandes invenções da humanidade

Ontem, o F. inventou a pirileca. Não sabemos exactamente o que é, mas parece-se com certeza com uma grua, um reboque e mais qualquer coisa. Levanta baldes com terra, pedras e automóveis. É cinzenta, preta, azul e cor-de-rosa como pode verificar-se na imagem.
Mas há outras grandes invenções da humanidade...
- Quando eu era pequenino, bebé, tu tinhas uma bolsinha e eu via tudo.
A bolsinha não é exactamente porque eu seja um marsupial (coisa de que não me importava nada!) mas porque a Rosa faz os mais lindos e confortáveis slings do mundo! (o desenho foi feito pelo V. em Janeiro de 2007)
Pirilecas ou slings, o mundo está cheio de grandes invenções da humanidade que nos fazem mais felizes!

terça-feira, 16 de março de 2010

ovos misteriosos II

- Sabes o fizemos hoje? - pergunta-me o F. quando o vou buscar à escolinha - Ovos de chococolate!
(o F. diz mesmo chococolate mas para compensar diz hiopótamo)
- A sério?
- A sério!
Ao jantar tentamos perceber como fizeram os ovos... mas não é fácil.
- Chococolate, leite... E tinha um fogão com pernas!
- E como é que fizeram o chocolate ficar redondo como os ovos? - quiseram saber os quatro pares de olhos curiosos, à volta da mesa.
- Com lápis... e caneta!
- Mas eram ovos assim lisinhos ou como os que temos no frigorífico, de pé? - perguntou um par de olhos.
- De pé!
- E fizeram com caneta? - inquiriu outro par de olhos.
- Caneta, lápis, cartão...
Não. Por ali, definitivamente, não chegaríamos lá.
O mistério dos ovos de chocolate merecia uma solução à altura da imaginação.
- Já sei! A única maneira simples de fazer ovos de chocolate... é arranjar uma galinha de chocolate! Uma galinha de chocolate põe ovos de chocolate!
Seria caso para dizer... "A minha mãe é óptima!"
Mas para dizer a verdade gosto muito mais de "O meu pai". E, afinal, ele também é óptimo!

segunda-feira, 15 de março de 2010

pequenas flores vermelhas


O F., ao meu colo, enquanto lemos um livro e a propósito, aparentemente, de nada:
- Sai uma asneirita e pumba! não tem piclo!
Eu explico. Na escolinha, às sextas-feiras, todos os meninos se juntam e fazem a avaliação do seu comportamento durante a semana. Depois, têm plico, ou não têm piclo, ou têm piclo emprestado. Os piclos são assim uma espécie de pequenas flores vermelhas.
Aliás, vimos o filme juntos e gostámos muito. O F. ainda não tinha os três anos feitos e viu-o três ou quatro vezes seguidas. O V. achou a professora mesmo má e o A. não se manifestou.
O filme é brilhante. Mas ainda mais brilhante foi a ideia da I. (a nossa  gambozina preferida que nos emprestou o filme) de lhe chamar "os pequenos picos de avaliação"!

sábado, 13 de março de 2010

o dia em que a mãe ficou com barriga de chaminé

No carro, os três no banco de trás. O V. e o A. contam que uma vez um cão de uma vizinha ficou com a cauda entalada na porta do elevador. A conversa estende-se, sobre caudas, e como as caudas são o prolongamento da coluna vertebral. Explico-lhes que nós próprios, na barriga da mãe, temos uma pequena cauda que depois enrola para dentro e se transforma no cóccix. O F. intervém, esclarecendo os irmãos em tom doutoral:
- Vocês estavam na barriga da minha mãe, a mãe C., tinha uma chaminé, depois vinha o pai com uma escada muito grande e desciam, desciam e nasciam! Era assim!
Bom, já tinha ouvido muitas teorias sobre técnicas de parto, mas confesso que a da chaminé me escapou!
Alguma semelhança entre uma mãe e um pai natal deverá ser mera coincidência, imagino...

sexta-feira, 12 de março de 2010

PNB

Eu leio, tu lês... ele não lê. A coisa era assim.
No presente, a conjugação é outra.
Eu leio, tu lês, ele não lia.
O A. não lia. Agora lê. Graças à Rosa e a uma coisa que vai rebentar de vez com o fascizante PNL.
O PNB. Plano Nacional de Bidé.
Não é piada. É um assunto muito sério. A ideia é da Rosa. E funciona!
Ontem de manhã o V. veio-me perguntar:
- Ó mãe, a regra do bidé não é que só pode ler quem está lá? É que o A. não sai de lá e eu também quero ler!
Exactamente. O A. agora senta-se e não pára de ler graças ao PNB.
A estratégia é simples: põem-se dois ou três livros no bidé e deixam-se lá ficar.
Eu leio, tu lês, ele lê, nós lemos, vós leis, eles lêem.

Porque, como toda a gente sabe, não há sítio mais sossegado para ler!

quinta-feira, 11 de março de 2010

ovos misteriosos



Às quartas feiras é dia de ACORDA. Os manos grandes divertem-se sob a orientação dos fantásticos alunos da Paula (a Carla, o João Pedro, o Hugo e a Rita) e o F. e o seu amigo P. brincam e correm alegremente pelo ginásio. Às vezes guerreiam...
Hoje, resolveram o problema com a minha sugestão de chocarem a bola verde que disputavam. E nada como chocar bolas de cores para fazer soltar as bolhas da imaginação. Dos ovos-bolas nasceram crocodilos, pintainhos, elefantes, gatos, sapos e andámos atrás deles pelo ginásio fora.
- Olha que gatinho tão fofinho! - dizia o P.
- Mãe, ouve, este está a fazer barulho... - acrescentava o F.


E, a certa altura, o P. pousou uma bola-ovo no chão e declarou:
- Olha, uma árvore! Nasceu uma árvore do meu ovo!
E uma enorme árvore medrou e medrou e medrou...

quarta-feira, 10 de março de 2010

cidade das maravilhas

Uma escavadora a fazer um buraco mesmo em frente ao portão da escolinha esperava-nos ontem pela manhã. À tarde não resisti a inquirir o F. sobre as obras do saneamento.
- Então, a escavadora?
- Sabes, mãe, estão a fazer uma piscina... uma não, duas: uma para pequeninos, outra para grandes!
- Ai é? E qual é a vossa?
- A dos pequeninos é esta, no passeio e a dos grandes... estás a ver, ali, onde está a outra escavadora? ali é a dos grandes! Sabes, tem muuuuita água!
E dali, seguimos para o parque para aproveitar o sol.
Finalmente, um parque com relva que se pode pisar e onde se deve rebolar, uma caixa de areia, equipamentos inovadores e seguros, um segurança omnipresente, wc auto-higienizado e... muito verde em volta.
Da próxima vez havemos de ir explorar a outra parte da quinta: a floresta. Quem sabe encontraremos criaturas maravilhosas à nossa espera, atrás das árvores ou mesmo penduradas nelas!
Este não é, definitivamente o país das maravilhas, mas tudo depende do campo de visão e, sobretudo, dos olhos que o vêem. E se o país não é, a cidade ainda pode sê-lo. O Porto ainda é, muitas vezes, aos olhos deles (e aos meus, também, sobretudo quando estou com eles) a cidade das maravilhas.

segunda-feira, 8 de março de 2010

o país das maravilhas


O A. e o V. nunca tinham ido ao cinema. Não é ver cinema, é ir ao cinema, mesmo.
Hoje faltaram à escola para entrarem numa sala de cinema, que abre as portas para a rua.
E o V. declarou:
- É isto um cinema? É muito melhor!!!
E estivemos sentados no hall de entrada, à espera do pai e da Sarita e da Emília que vieram connosco para entrar num buraco atrás de um coelho branco.
Tim Burton deixa-me sempre assim. Com a sensação de que caí na tentação de gostar que uma coisa de que não gosto. Pelo menos, completamente.
Mas é inevitável a rendição final ao passeio pelo país das maravilhas. Por mim, dispensava os óculos, as 3D, o som surround e os monstros modernos.
Só me preocupa que alguém vá ver o filme sem antes conhecer a Alice de Carroll e Tenniel. Verá muito menos que nós. As intertextualidades são talhadas à medida de cada um, é inevitável.
Ninguém pode viver os nossos sonhos por nós. Nem mesmo os que passam numa sala de cinema.

domingo, 7 de março de 2010

casa da música

Os Gambozinos são a outra casa deles.
Às vezes, transforma-se na nossa outra casa, também, onde podemos passar uma tarde inteira a ouvir pessoas pequeninas e pessoas menos pequeninas a fazer música.
De repente, transformamo-nos, assim, numa espécie de enorme família musical, graças à Suzana.