Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

ler perdidamente

(como amar)
estavam ambos nas prateleiras de literatura infanto-juvenil.
brilhavam. como se pudessem dizer-me que eram aqueles que precisava de ler.

a história de um beijo.

a história de uma linha desenhada pelo senhor da Caneta.

 
ainda bem que sei que literatura é só literatura e que gosto especialmente quando os livros são ilustrados.
são para ter na mesinha de cabeceira, junto com Julian Barnes, Valter Hugo Mãe, Flaubert, Afonso Cruz, Henry James e Manuel António Pina, claro.


domingo, 17 de novembro de 2013

desumanização

o último livro de Valter Hugo Mãe é absolutamente espantoso.
não que os anteriores não o sejam.
mas conseguir transformar a experiência de um irmão morto numa obra de literatura não é para qualquer um.
a profundidade do tema convoca a boca do inferno.
a dor metamorfiza-se na terra islandesa.
a solidão evoca o paradoxo dos gémeos.
e, no entanto, o livro não magoa, não dói.
pelo contrário, alivia.
só lamento não gostar da capa, ainda que da magnífca Cristina Valadas.
ninguém é perfeito.


sábado, 16 de novembro de 2013

livros



a minha paixão por livros não é coisa da infância, creio.
foi uma coisa que se foi construindo ao longo das páginas
das letras e das imagens sulcadas nos vários momentos da vida.
se tivesse muito dinheiro construia
uma biblioteca.
inteira.
forrada de livros do chão ao teto.
forrada de histórias.
forrada de vida.
e passava lá muitos dias.
dias inteiros.
só a ler.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

filhos de mãe


o filho de mil homens é um livro absolutamente espantoso!
daqueles casos em que não há dúvida de que há pessoas diferentes, mesmo homens, ainda que isso de ser diferente (não) seja só para as mulheres.
a capacidade de perscrutação da natureza humana de valter hugo mãe é infinita.
e só não surpreende que seja capaz de escrever tais coisas, porque é capaz de tantas outras coisas.
só um filho poderia escrever coisas assim.
e também assim!


derreti-me. sem mais.

quarta-feira, 23 de março de 2011

páginas curiosas


Cada vez mais me convenço que a melhor forma de educarmos os nossos filhos para o que os espera é pela subversão.
Ser subversivo é o contrário de ser subserviente.
Felizmente, há imensa literatura que os pode ensinar a serem educadamente subversivos e darem cabo dos sistemas podres com um sorriso nos lábios. O riso é, com a cantiga, a melhor arma para enfrentar as adversidades. Uma boa gargalhada pode derrubar um governo, demitir uma administração, denunciar uma fraude, tirar o tapete a um convencido, dar uma bofetada de luva branca a um malcriado. Uma gargalhada pode causar a revolução.
Só é preciso que a gargalhada nos saia do fundo da alma e venha cheia de carácter e convicção.
Aqui http://curiouspages.blogspot.com/ uma completa biblioteca de livros que ajudam a crescer subversivamente, para o politicamente incorrecto.
Espero que os meus filhos venham a ser suficientemente esgrouviados para porem este mundo de cabeça para cima!

terça-feira, 22 de março de 2011

ainda o cor-de-rosa


O A., talvez por ser o mais velho dos três, é o meu filho menos dado à cultura escrita. Foi, sem dúvida, aquele a quem li ou contei mais histórias e é aquele que não gosta de ler. Até o F., com os seus ainda fresco 4 anos, mostra mais vontade de ler que o A.
Mas isto foi até ao dia em que o A. conheceu Rohald Dahl. Agora lê freneticamente e só estamos com o problema de a Civilização ter passado a editar os livros que dantes tinham a chancela da Terramar e a sua distribuição ainda não ser efectivamente eficaz.
Depois de "Os tontos" e "O dedo mágico", o A. atirou-se a "Matilde", um livro bastante mais extenso e.... de capa cor-de-rosa. Resultado: quando, na aula de Português em que trocam livros entre si, o A. tentou convencer os amigos que "Matilde" era um livro fantástico, tropeçou no problema do preconceito. Como o livro se chamava "Matilde" e tinha a capa cor-de-rosa foi imediatamente catalogado de "para menina" e o A. viu as suas expectativas de entusiasmar os amigos goradas. Felizmente, houve uma menina que levou o livro. E gostou, claro!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

mon amour

Destesto a importação de objectivos meramente capitalistas do Valentine's Day.
Além de tudo é expresso sob a forma da maior piroseira possível.
Podíamos adoptar modelos bem mais interessantes, ternos e capazes de promover o sentido do amor profundo (pareço o Daniel Sampaio a falar, mas que se lixe!).
"Mon Amour" de Beatrice Alemagna foi o último livro sobre o amor que comprei. E continuo a amá-lo, como no primeiro dia em que o abri.

sábado, 11 de dezembro de 2010

não há 3 sem 4...


Pois é, o F. fez mesmo 4 anos e fez questão de nos lembrar isso quase todos os dias desde aí.

A sua festa foi muito feliz. A pantera cor-de-rosa também foi convidada, o que dá sempre uma tonalidade menos azul à casa!
Os presentes foram simplesmente fantásticos!






Melhor que isto era difícil! Obrigada a todos... (esta frase soa-me familiar...)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

livros nos bolsos

O F. tem a alcunha de rato Xico na escolinha. E como não tínhamos o livro, tivemos que o trazer.
Depois, havia os bolsos da Marta, cheios de coisas que geralmente se tiram mesmo dos bolsos. Também veio. (E eu feliz, porque continuo viciada nos desenhos de Quentin Blake!)
 
Ficaram os porquinhos do Anthony Browne. (Com quem continuo a ter uma relação muito ambígua...)
A capacidade selectiva do meu filho continua a surpreender-me. Eu não teria feito melhor!
Não sei se quando ele crescer vou conseguir comprar livros com tanto critério e, sobretudo, ser capaz de dizer a mim mesma o que lhe digo a ele:
- Não podemos levar todos!

sábado, 9 de outubro de 2010

o cavalo

O A. e o V. sabem e gostam de mitologia. Ontem, deitaram-se os dois à meia-noite (o V. enfiado na cama do A.!) para poderem ver até ao fim um filme que o meu irmão lhes deu: Troy.
Acho que o facto de tratarem Aquiles por tu lhes vai ser útil, de qualquer forma, no futuro.
Os bons livros ilustrados que se vão fazendo por aí foram, muito antes dos filmes, os responsáveis pela paixão dos dois pelos deuses.

domingo, 19 de setembro de 2010

coelhices

Depois de um acidente nas férias (que não vou relatar) temos agora um animal de estimação.
O F. anda fascinado com as capacidades do Peter. O pai anda simplesmente babado. O A. e o V. entusiasmados e responsáveis e eu...
Que mais poderia desejar que ter em casa uma das mais famosas personagens da história dos livros ilustrados para crianças?

domingo, 18 de julho de 2010

o bebé

O F. já repetiu várias vezes a história de, perante uma situação que lhe conto, dizer que viu tudo da minha bolsinha.
Há, dias, porém, a coisa foi mais longe.
Estava eu a contar-lhe, já não me lembro o quê, de quando tinha a idade dele.
- Eu vi, eu estava na tua bolsinha e vi! - declarou.
- Não, F., desta vez ainda não estavas não minha bolsinha, eu era assim pequenina como tu...
- Então onde estava? Estava na tua barriga?
- Não, F., eu era uma menina pequenina, ainda não tinha bebés na barriga...
- Então... Estava na barriga do avô, não era?
Ups! E o que se diz depois disto? Eu só fui capaz de um vago...
- Mais ou menos...
Para mim um bebé é sempre um bebé. Esteve sempre lá, desde que o vi assim (ver as imagens em "fora de cartel").

sexta-feira, 16 de julho de 2010

a pintura generosa

Há dias, no carro de regresso a casa, o F.:
- Mãe, hoje tenho de lavar os pés. Estão muito sujos!
- Ai sim?
- Estive a pintar.
- Com os pés?
- Não - retorquiu o V. - com o pincel, só que deixou cair os pincel nos pés!
- Ah, não há problema , isso sai tudo no banho.
- A L. é que estava... parecia uma macieira!
E, eu a vê-lo pelo retrovisor, com as mãos a apontar vários pontos nas bochechas:
- Verde, azul... preto...
Parecia uma macieira...

sábado, 10 de julho de 2010

há dias para lembrar


Há dias para esquecer.
Há dias para lembrar. Ontem foi mais um deles, entre os tantos destas últimas semanas.
Foi a festa das quatro bandeirinhas. A minha, que me doutorei, a da Sara, que se mestrou, a da Manela, que me orientou e orientou pela primeira vez e a da Paula, que também orientou e doutorou ontem pela primeira vez. O V. fez as bandeirinhas, com os nossos retratos, o A. as quiches e eu a mousse de chocolate. O meu irmão fez a sangria e... bom, foi a melhor festa dos últimos vinte anos, seguramente.
Além de nós, as propriamente embandeiradas, tínhamos entre nós uma estrela.
Cantámos noite dentro e o céu ficou mais brilhante. Os miúdos brincaram até caírem de cansaço. Primeiro o V. no colo da Carla, depois o A., vestido em cima da sua cama e.... o F. só depois de toda a gente ter ido embora e de me ter ajudado a acabar de arrumar a sala! As meninas aguentaram a pé firme, cheias de sono e o P. saiu como se fosse quase tão fresco como se fosse da manhã!
Há dias cheios de amigos. Há dias coloridos. Há dias que esticam.Há dias que deviam durar para sempre.
Há dias que ficam para a história.
É por isso que é muito bom que haja pessoas que percebem de dias e escrevam e ilustrem um livro para todos os dias!



sábado, 3 de julho de 2010

dias felizes

Nem dá para acreditar que numa única semana se possam juntar tantas emoções!
Na segunda-feira, prestei provas de doutoramento, na Faculdade.
Na terça,levei os manos a colher sangue, fui assistir à defesa da dissertação de mesrado da Sara (e essa sim foi uma defesa!) e à tarde montámos e desmontámos a exposição dos quintArtistas.
Na quarta estive pendurada nos formalismos buroráticos do encerramento do ano lectivo, mas ainda fui comer um sorvete (com ou sem panqueca) ao Café Progresso com os meus três filhotes.
Na quinta tentei meter numa mala tudo o que uma mulher precisa para não se sentir infeliz fora de casa eà noite deitei os três, um a um, com umas boas noites muito especiais.~
Na sexta, levantei-me às quatro e meia da manhã e cheguei a Oxford ao meio dia, depois de um voo, dois combois e um metro.Nada mau!
A cidade é fascinante, sobretudo porque tem uma livraria absolutamente delirante chama Blackwell! E ainda por cima hoje é o dia da Alice! Livros para crianças aos molhos e em saldos.... Por que raio hei-de ter e respeitar as restrições dos voos lowcost?






Embora extenuante, até a Conferência está a ser uma história bem contada, bem escrita, cheia de personagens interessantes e beissímimas ilustrações do que ainda há de mais bonito na Humanidade.

terça-feira, 22 de junho de 2010

feira do livro

No sábado, fomos à feira do livro, depois de tomarmos um lanche matinal na belíssima Ateneia.
 Não bastando a Avenida dos Aliados não ter uma única árvore, ou seja, um único palmo de sombra, os expositores das barraquinhas foram certamente concebidos para povos nórdicos ou então para equipas de basquetebol.
Quer isto dizer que passei o tempo todo com o F. ao colo, salvo quando ele descobriu que conversar com polícias é uma actividade de enorme interesse. Não sei o nome do senhor agente, mas prestou um grande serviço ao F. e às minhas costas! Ah, e eu fiquei a saber que ainda há polícias que preferem o Winnie de Pooh aos modernos e horríveis Gormitis (falamos de desenhos animados na televisão, claro!), o que é sempre entusiasmante.
Como temos aquele vício frenético de frequentar livrarias, a feira não nos mostrou nada de muito novo.
Por isso, à parte os Geronimos Stiltons a preço mais proporcional ao tempo de leitura dos manos, o F. comprou apenas dois livros:
Este...

E este...
Dois livros muito bonitos, com aqueles detalhes tão importantes como, para o primeiro, poder e dever virar-se de pernas para o ar e, para o segundo, poder ser facilmente transformado num fabuloso livro para colorir.
Eu, por mim, fiquei-me por uma onda mais didáctica, agora que estou a um saltinho da grande apresentação dos trabalhos dos meus alunos inspirados em Klimt.
O pai, infelizmente, está doente e não pôde ir connosco. Ele teria certamente muito mais livros para comprar, mas pelo menos o F. leu-lhe os dele.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ler para crer


Na semana passada, o V. e o A. passaram os serões sentados no sofá a lerem um ao outro, em voz alta e alternadamente, capítulos de um livro de Geronimo Stilton.
Foi bonito vê-los, entretidos, a lerem um para o outro.
Ontem, depois do jantar, sentaram-se os dois, cada um no seu sofá e leram, silenciosamente, em conjunto.
A partilha é, de facto, um grande método de aprendizagem!

sábado, 8 de maio de 2010

crescer para cima com sensibilidade e bom senso

Na quinta-feira, os manos foram à primeira consulta de obesidade no Hospital de S. João. Se alguma vez eu podia imaginar vir a ter filhos com excesso de peso...
Mas há que assumir a realidade e fazer tudo o que podemos para que a vida deles seja saudável e, sobretudo, para que se sintam felizes.
O A., em especial, anda muito infeliz na escola. É terrível como os outros meninos o discriminam por não ser magro! Felizmente, arranjou um amigo leal, amoroso, tranquilo e... gordinho, também. Os dois juntos sentem-se bem. Mas a vida deles está a ser dura.
É espantoso como há profissionais de saúde que sabem falar com os nossos filhos e torná-los mais felizes em pouco minutos!
Os nossos jantares têm sido deliciosos, divertidos e, com esta brincadeira de aprender a comer, o A. já aprendeu a calcular a área dos círculos e atransformá-los em quadrados. É que a carne e o peixe do jantar são medidos pelos círculos mágicos que temos na cozinha e correspondem à palma da mão de cada um. E cortar carne e peixe em círculo não é a nossa especialidade!

A nossa verdadeira especialidade, cá em casa, é mesmo fazer da vida um lugar bonito para viver. E isso implica não passar por cima daquilo que é menos agradável e encarar os problemas de frente, com orgulho e sem preconceitos, com sensibilidade e bom senso.

terça-feira, 27 de abril de 2010

um, dois, três... quarto!

Como na família somos todos mais ou menos professores, cá em casa não ensinamos os nossos filhos. Eles é que aprendem!
Como tal, a escola encarrega-se de lhes ensinar coisas.
O F. anda a aprender os números na escolinha, não porque precise, mas porque como não dorme vai trabalhar com os meninos de cinco anos. Sempre é melhor do que não deixar dormir quem precisa e quer!
Ontem, à noite, antes de mergulhar no sono, os olhos já semi cerrados, contava:
- Um, dois, três quarto, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, cartoze, vinte e um, vinte e três, dezanove... vinte e três, vinte e um... de... za...
E plof! mergulhou nuns sonhos que deviam estar cheios de bichinhos em formas de números.
Há uns meses atrás comprei uns livros do Charley Harper e achei que aprender números e letras pode ser uma coisa mesmo bonita!
Ainda assim, por favor, não ensinem os números e as letras aos meninos que precisam de brincar! (Podem dar-lhes livros boitos, claro! Ensinar é que não!)

 

Mas o meu número preferido é o seis!
6 WATER STRIDERS GLIDING!

domingo, 25 de abril de 2010

foi bonita a festa, pá!

Ontem, expliquei ao meu F. o 25 de Abril. Para explicar o 25 de Abril a uma criança de três anos é preciso alguma perícia.
- Amanhã, F., é um dia muito importante. A tua Mi faz anos e foi um dia em que os soldados puseram cravos dentro das espingardas e disseram que podíamos falar e não fazer tudo o que os homens maus mandavam.
- Diz isso outra vez! - retorquiu ele.
E eu disse, mas ele interrompeu.
Afinal só queria que eu disse outra vez "25 de Abril"!
É o hoje o dia! Pegue-se nas vassouras e trate-se de varrer o lixo das últimas décadas.
Cravos em punho, o coração na voz, voltarei a gritar com a energia da idade que tinha em 74.
E cantarei a Grândola, baixinho, para que só os bons ouvidos me ouçam.
Fascismo nunca mais, mesmo!