Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

a cozinha



O F. fez cinco anos e dei-lhe uma cozinha.
Não só a cozinha, mas tudo o resto em volta. Ou seja, o quarto novo todo só para ele, para poder brincar sem ter de arrumar caixotes antes de ir para a cama.
Foi bom! Foi muito bom!
Aliás, é sempre muito bom!

domingo, 16 de outubro de 2011

caixas


As caixas servem para quase tudo.
E, como os gatos, têm sete vidas.
Estas começaram por acomodar os candeeiros novos cá de casa e, ainda antes de se acenderem as luzes, já estavam transformadas em cavalo.
A felicidade do cavaleiro fica escondida pela sua identidade secreta, mas posso assegurar que se sentia no mínimo um D. Quixote, pronto a enfrentar gigantes.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

em olhos


O F. está quase com cinco anos, mas tenho por hábito pegar-lhe ao colo quando o vou buscar à escolinha para podermos falar, sem que ele tenha de olhar para cima e eu para baixo.
Ontem, porque fui buscá-lo com o A., as coisas não foram assim e ao final da tarde, estendeu-me os braços e disse:
- Hoje ainda não falámos em olhos!
Ergui-o para o meu colo e de olhos nos olhos trocámos algumas palavras de afecto para depois nos atirarmos para cima da cama e jogarmos jogos com a boca.
É que depois de um dia de trabalho e calor já não dava mesmo para mexer mais nada. Só a boca e mal!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

pensando melhor...


... prefiro os rapazes!
Domingo passámos a tarde em casa de uns tios para os manos conhecerem aqueles primos que já sabem que existem mas com quem nunca se encontraram.
Foi uma tarde inesquecível!
A M., que tem 3 anos mas o mesmo metro de comprimento que o F., está naquela fase obsessiva das princesas. Com um par de sapatos às bolinhas da avó não descansou enquanto não brinquei com ela à Cinderela. Sim, porque o F. não se mete nessas coisas!!!
Aliás, fez questão de deixar claro que não gostava dela, que a achava feiosa e que não estava mesmo para aturar meninas.
Só conseguimos que brincassem juntos na relva, com uma bola, o que valeu ao F. uma placagem daquelas de o deixar imobilizado no chão a reclamar para si próprio "Esta gaja!" (pois é, com quatro anos já fala assim, nada a fazer!) e, depois, com a avó às escondidas porque se meteram todos no guarda-vestido e, claro, foi uma festa.
Ah, e mesmo na hora de ir embora, pintaram juntos uma pobre boneca que ficou com ar de zombie. Mas foi mais o gozo da borradela do que interacção entre os dois!
A M. é um verdadeiro postal ilustrado, mas devo ser eu que já estou demasiado habituada a rapazes, porque... a verdade é que me aborreci um bocadinho por ter de brincar à Cinderela!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

o tempo imenso


As férias são este momento em que o tempo é imenso. Imenso para tudo, até para uma ida aos correios.
Da primeira vez, há uma semana atrás, o F., do meu colo, quando ouviu a D. Helena (chefe e funcionária única da estação de correios de Moledo) dar uma pancada vigorosa numa carta que acabara de lhe ser entregue, declarou, com ar de espanto:
- Mãe, ela tem um martelo!
Não era um martelo. Era o carimbo que, não sei por que razão, de facto, nas estações de correios e repartições públicas várias, as pessoas arremessam como martelos sobre os nossos documentos ou sobrescritos.
Começou aí o jogo de sedução entre o F. e a D. Helena. Ela achou-lhe graça. Ele achou-a... fascinante, provavelmente.
Hoje, numa nova visita, o F. e a D. Helena não só conversaram imenso, (o F. deitado sobre o balcão com a cabeça enfiada na secretária) como o F. colou o registo na minha correspondência, arrumou moedas, desformatou o computador (não foi exactamente desformatar, mas quase!) e aceitou o convite retórico da D. Helena para ficar a trabalhar com ela.
O s correios, as cartas, os selos, os envelopes, os carimbos e, finalmente, aquele pum! no fundo do marco continuam revestidos da mesma aura de mistério e fascínio que sempre tiveram. A literatura nunca vai esquecer-se deles. Eu e o F. também não. Pelo menos, enquanto houver férias. Isto é, enquanto houver um tempo imenso para saborear as coisas boas da vida.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

férias


O primeiro dia de férias sabe bem. Mesmo ainda na cidade.
O calor recua para nos deixar passar e eu e o F. brincamos o dia inteiro.
Cavaleiros e feiras medievais, de manhã. Pintura, antes do almoço.
Restaurantes, com o café. Legos, ao lanche. Desenhos, com o sono a puxar o corpo para o sofá
E um pouco de desenhos animados para terminar.
Fazem-nos falta os manos. Ao F. para jogar aqueles jogos na televisão em que já lhes ganhou.
A mim para serem mais dois a mimarem-me!
O silêncio nem sempre é de ouro...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

o sítio das coisas selvagens


Quando esteve no cinema, não conseguimos ir ver o filme. Sou sempre muito lenta a decidir-me em entrar num shopping para ver cinema (mas tenho sido capaz de acelerar bastante nos últimos tempos!).
Há dias, não resiti a comprar o DVD. E ainda bem.
Ao contrário da minha doce E., não fiquei nada decepcionada. Pelo contrrário. Apaixonei-me pelo Max, pelo Carol, pela KW e por todos os outros. (O Tim Burton não conseguiu isso com a Alice!)
O F. já viu o filme três. Os manos também. Só eu ainda não consegui ver-lhe o fim.
Mas um dia destes, quando eles já estiverem os três a murmurar sonhos, vou pôr sentar-me no sofá e ver o filme do princípio ao fim. Como se fosse no cinema!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

a flauta mágica


Comecei a tocar piano aos sete, flauta de bisel aos dez e flauta transversal aos doze.
Aos dezassete estudava quatro horas por dia, lia as partituras todas que encontrava, acompanhava os discos todos que comprava.
Depois entrei para o ensino superior, depois comecei a dar aulas, depois apaixonei-me e daí para a frente a flauta passou a ser aquilo que eu deveria ter continuado a estudar mas nunca tinha tempo.
Finalmente, agora, com três filhos, tenho tempo para aprender a tocar. Não para ler partituras, para acompanhar discos, mas para aprender a tocar como gente grande.
O meu professor é dezassete anos mais novo que eu e, pelo menos, dezassete anos mais sábio que eu na arte de fazer música com um tubo metálico cheio de buracos e tampas.
Ontem estivemos uma hora e meia a jogar o jogo que ele me tenta ensinar há mais de nove meses: chama-se "onde está o diafragma" (que é assim uma espécie da caça aos gambozinos!). É um jogo muito difícil de jogar. Para mim, que cada vez mais me convenço de que me tiraram o diafragma numa das três cesarianas que me fizeram, e, para ele, que não percebe como é possível viver sem uma membrana vital (vital para um flautista, entenda-se!).
Em nove meses ainda não consegui encontrar o meu diafragma, mas decididamente encontrei o mais persistente caçador de diafragmas do mundo!
E ainda por cima toca como Rampal, Galway e Fromanger todos juntos (além dos outros, claro!) .
É caso para dizer: ele há gajos do caraças!

terça-feira, 10 de maio de 2011

uma mãe nunca morre


O F. continua naquela fase encantadora de paixão pela mãe. Enquanto "namoramos", diz-me coisas do tipo:
- Já casaste com o pai?
E à minha resposta afirmativa, contrapõe:
- Não! Eu é que vou casar contigo!
Mas, estar apaixonado tem o reverso da medalha.
Durante um "namoro" no sofá, conversávamos sobre qualquer coisa que já não recordo e usei, a propósito, a expressão quando eu for velhinha.
O F. enrolou-se em mim, escondendo a cabeça e começou a soluçar, num choro preso, sufocado.
Quando percebi o que estava a acontecer, tentei averiguar a causa. E entre lágrimas. o F. explicou:
- Se tu ficares velhinha morres e eu não quero que tu morras, porque se tu morres eu fico sem mãe e eu não quero, porque fico muito triste.
Que fazer? Contra este tipo de angústias só conheço um antídoto: o humor. E foi o que usei:
- Eu? Velhinha? Não! Eu nunca vou ser velhinha, nem girafa, nem hipopótamo, nem elefante...
Chegados ao elefante, o F. já estava a rir.
Isto não significa que a angústia não esteja latente (em ambos, aqui  entre nós), ficou foi bastante apaziguada.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

como ser um explorador do mundo


Foi com um pé de partida nos três cantos que o três manos têm viajado por um mundo de música por descobrir. Primeiro, cada um dos protagonistas dos Cantos: o Sérgio, o Zé Mário (por quem, como Gambozinos, têm um carinho muito especial, sobretudo o A., que o conheceu pessoalmente no lançamento do Com quatro pedras na mão) e ainda o Fausto.
E, depois, como as canções são como as cerejas, vieram os Deolinda e a Adriana Calcanhoto, porque agora os discos e dvd's cá de casa saltaram todos para fora dos armários e andam espalhados pelo chão.
E cantam, e dançam, e decoram letras, e comentam, e acompanham com baterias improvisadas e guitarras electricamente invisíveis e... quase não querem ir para a escola porque lhes interrompe a sessão musical das sete da manhã!
É bom ter filhos assim, com quem se cantam as nossas canções.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

três cantos


O V. é o irmão do meio e, como tal, já fora presenteado com o cd do Sérgio. O A. passou-o todo para o seu MP3, que partilha com os irmãos. O F. já canta O coro das Velhas e o Galo é o Dono dos Ovos. O V. canta tudo e o A. cantarola Isto anda tudo Ligado, a toda a hora.
Ontem estivemos os quatro a ver/ouvir o "Três Cantos" que passou já tarde no canal 1, no dia 25, e que gravei numa velhinha VHS.
Os manos gostaram tanto do concerto que já combinámos que aquela cassete vai ter direito a etiqueta porque "fica para a vida"!
Para a vida ficara-me as canções do Ségio, do Zé Mário e do Fausto, que as tenho todas ainda na cabeça, naquela memória surpreendente que desperta com os primeiros acordes.
Para a vida, creio, vão ficar-lhes três cantos de canções e um entusiasmo enorme pela música que se faz no nosso país.
Assim, a história das nossas vidas fica ainda mais entrelaçada, com o FMI e os sons da revolução e da esperança a cruzarem-se de novo no meu (nosso) caminho, agora percorrido com mais três pares de pés.
Nós éramos da idade deles, assim mais coisa menos coisa, quando se ouviu a Grândola na rádio.
Eu acredito que a liberdade está a passar por aqui, de qualquer maneira!

sábado, 9 de abril de 2011

o mundo que eu gostava que existisse


O Zé Mário Branco escreveu a letra para uma canção que a Suzana Ralha musicou e O Bando dos Gambozinos canta, cujo refrão é:

Entre o vago e o profundo
Entre a dor e a malandrice
O Porto é sinal de um mundo
Que eu gostava que existisse

Os Gambozinos são o sinal da escola que eu gostava que existisse.
Ontem, O V. estava com dores de barriga na aula de história. Durante a aula de filosofia esteve deitado no banco. Porque nos Gambozinos pode aprender-se filosofia deitado num banco e com dores de barriga. Só que o V. adormeceu. E acordou quando caiu do banco abaixo. O Rui só lhe disse para ir dormir para "os segredos" (uns cantinhos de sotão onde as crianças brincam, descansam e têm aulas, também). E o V. foi. E dormiu. E quando o fui buscar já não tinha dores de barriga, nem sono. Mas tinha uma experiência de aula inesquecível!
De tal maneira que já hoje estivemos a conversar sobre o episódio da banheira de Arquimedes e de como o V. podia ter descoberto qualquer coisa interessantíssima ao cair do banco, não estivesse seco e a dormir numa aula de filosofia!

quarta-feira, 23 de março de 2011

páginas curiosas


Cada vez mais me convenço que a melhor forma de educarmos os nossos filhos para o que os espera é pela subversão.
Ser subversivo é o contrário de ser subserviente.
Felizmente, há imensa literatura que os pode ensinar a serem educadamente subversivos e darem cabo dos sistemas podres com um sorriso nos lábios. O riso é, com a cantiga, a melhor arma para enfrentar as adversidades. Uma boa gargalhada pode derrubar um governo, demitir uma administração, denunciar uma fraude, tirar o tapete a um convencido, dar uma bofetada de luva branca a um malcriado. Uma gargalhada pode causar a revolução.
Só é preciso que a gargalhada nos saia do fundo da alma e venha cheia de carácter e convicção.
Aqui http://curiouspages.blogspot.com/ uma completa biblioteca de livros que ajudam a crescer subversivamente, para o politicamente incorrecto.
Espero que os meus filhos venham a ser suficientemente esgrouviados para porem este mundo de cabeça para cima!

domingo, 13 de março de 2011

o povo unido jamais será vencido

Às duas da manhã, o meu namorado chegou a casa com um sorriso estampado na cara.
O povo estivera, finalmente, de novo, unido na rua. Entre cravos, cartazes e skinheads, foram milhares de pessoas que tranquilamente gritaram pela mudança.
As canções da nossa infância voltaram a ouvir-se.
Hoje, acordei com a esperança de um futuro melhor para os meus filhos.

sábado, 12 de março de 2011

a cantiga é uma arma

O meu namorado foi à luta porque a cantiga (ainda) é  uma arma e as revoluções sempre se fizeram na rua.
Fiquei em casa, com os três, que um dia serão homens para sair à rua e gritar, como tantas vezes eu gritei, ainda rapariguinha:
A LUTA CONTINUA!
E lutarem , também, eles, pelos seus sonhos.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

tarte de chila com nozes

Fazer tarte de chila começando pela chila é promessa de várias tardes bem passadas.
A tradição manda que seja tudo feito com as mãos, sob pena de a chila ficar a saber a peixe.
Portanto, primeiro há que atirar com a chila para o chão para que se parta. Grande diversão!


Estando a chila bem madura tira-se-lhe a casca com bastante facilidade... sobretudo se for com dez mãos!

 

Depois, há que tirar-lhe todas as sementes (que a ameaça do sabor a peixe é temível!)... e ninguém quer ficar doente!


E, finalmente, esfiar todo o miolo e deixá-lo em água de um dia para o outro., porque ninguém é tolo!


No dia seguinte, há que fazer a tarte.Faz-se doce de chila (roubando sempre 100g ao peso do acúcar!), juntam-se quatro ovos inteiros e 100g de nozes moídas, uma base de massa quebrada e...


Voilá! Uma tarte bem preparada!


É caso para dizer: uma verdadeira brincadeira de crianças!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

frágil

A vida é, decididamente, muito frágil. Mas o que fica dessa fragilidade tem uma força imensa, quando é expresso sob a forma de arte.
O Teatro de Marionetas do Porto é uma estrutura sólida... que deve ter sofrido um enorme abalo com a fragilidade da vida.
Mas a passadeira rolante segue e as caixas não acabam.
Cada momento de "Frágil" é... inesquecível. Como quem o criou.

sábado, 29 de janeiro de 2011

vaidades...

Quando uma mãe se sente realmente feliz, dá-se a algumas vaidades. Como, por exemplo, ter o privilégio de ter peças feitas especialmente para si.
A Sara das mãos de fada trabalha e (espero!) diverte-se com os desafios que lhe vou propondo.
E eu, por mim, fico ainda mais feliz!


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

11 coisas boas em 11 dias

1. O ano novo não parece igual ao velho.
2. O tempo estica quando gostamos de quem passa com ele.
3. Voltar a trabalhar não custa assim tanto.
4. Uma Sizzix não é essencial para nos entreter, mas ajuda.
5. A fada dos dentes existe mesmo.
6. Um abraço com cinco semanas de Tailândia dentro enche-nos a alma.
7. Ver um bom filme é sempre uma grande experiência.
8. Há tantas coisas boas que as pessoas não fazem porque vêem televisão...
9. A chuva traz-nos mais depressa os amigos para dentro de casa.
10. A Casa da Música mudou mesmo a cidade.
11. A M. vai casar com o F. depois de amanhã e eu vou ser a madrinha !