Das histórias nascem histórias

Das histórias nascem histórias
um poema visual de Fernanda Fragateiro
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

rien à déclarer



um verdadeiro jeune homme circula atualmente pelas aulas de francês dos mais velhos.
o A. já tinha falado dele.
hoje foi o V.
- os meus colegas tiveram que pedir à professora para lhe perguntar se em Paris nevava.
- e tu?
- eu estive a falar com ele sobre Les Choristes e Rien à Declarer...
- e ele conhecia os filmes?
- claro! achas?
eu acho. acho que é baba de mãe. pura. da mais peganhenta!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

piratas e amigos



As férias de uma mãe só terminam com o fim das férias dos filhos. É uma vantagem!
A reentrada no quotidiano das horas, das obrigações e das exigências do mundo do trabalho na escola (para eles e para mim) tem-se feito devagarinho e sempre com um intenso sabor a cinema.
A descida da imaginação para a realidade, das férias para as não férias, do prazer para o dever não deve ser bruca, mas feita suavemente como uma daquelas aterragens em que não sentimos as rodas do avião tocarem o chão. Porque a fronteira entre o céu e a terra somos nós, apenas.
Depois de "Os Piratas", uma fabulosa animação stop motion que nos entusiasmou aos quatro, não apenas pelo resultado final mas quase sobretudo pelo acesso ao processo de realização (é também por isso que vale a pena comprar DVDs), os "Amigos Improváveis" esperaram que o F. adormecesse e deram-nos uma lição de vida, aos três, recheada de gargalhadas.
É para isto que serve a arte. A primeira, a segunda (sejam elas quais forem) e a sétima.
Digo eu, claro.

sábado, 26 de maio de 2012

o fabuloso destino de Amélie


É um filme. Vale a pena rever.
Só a colecção de imagens da folha de rosto (não sei como se chama nos filmes...) é inspiradora.
E, depois, há sempre a ideia feliz e maluca de nos intrometermos agradavelmente (ou não!) na vida dos outros.
Há quem pratique.
A mim, parece-me bem a ideia de surpreendermos o nosso destino!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Julie & Julia


A descoberta de um mito da cozinha, para todos.
O filme é absolutamente extraordinário, sobretudo quando comparado com os programas originais "The French Chef"! (Também já tenho o livro na mesa de cabeceira! Ando sempre com uns anos de atraso, mas é de propósito. As coisas saboreiam-se melhor depois de voltarem para a cozinha. Digo eu...)
O primeiro projecto de 2012 do A. é escrever um livro de receitas... nada menos!
No sábado, fez magret de pato, ao jantar, em casa do pai, e a aventura começou. A primeira página já está pronta!
O meu A. (ainda child para todos os efeitos!) vai dar que falar...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

o sítio das coisas selvagens


Quando esteve no cinema, não conseguimos ir ver o filme. Sou sempre muito lenta a decidir-me em entrar num shopping para ver cinema (mas tenho sido capaz de acelerar bastante nos últimos tempos!).
Há dias, não resiti a comprar o DVD. E ainda bem.
Ao contrário da minha doce E., não fiquei nada decepcionada. Pelo contrrário. Apaixonei-me pelo Max, pelo Carol, pela KW e por todos os outros. (O Tim Burton não conseguiu isso com a Alice!)
O F. já viu o filme três. Os manos também. Só eu ainda não consegui ver-lhe o fim.
Mas um dia destes, quando eles já estiverem os três a murmurar sonhos, vou pôr sentar-me no sofá e ver o filme do princípio ao fim. Como se fosse no cinema!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

pina


Ontem fui ao cinema.
E durante 103 minutos deixei-me invadir pela densidade das imagens.
O meu corpo estremeceu por diversas vezes e, tal como os corpos na tela, senti que as emoções nos percorrem da ponta dos dedos das mãos à ponta dos dedos dos pés.
Fiquei com a pergunta de Pina a latejar no corpo. E ando, desde ontem, à procura da resposta.
O que anseio eu?
E a única resposta que encontro em mim é: dançar.
Dançar a dança da vida, em todas as idades.
Na Primavera, no Verão, no Outono, no Inverno.
Todos os dias.
Dançar.
Até que do corpo só me reste a essência.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

o peixe

O A. descobriu o cinema. No domingo viu o Big Fish, de Tim Burton comigo. Agora está a vê-lo com o V. e com o pai.
- Um bom filme, mãe, pode-se ver muitas vezes que não cansa!
Contei-lhe da minha tia A. que foi ao cinema sete vezes ver o Amadeus.
- A sério?
A sério. É um filme que havemos de ver. Até porque na sexta-feira passada, o F. lembrou-se que já não via o Papageno há muito tempo e entrámos numa nova temporada de Flautas Mágicas. O F. conhece-as e lembra-se de todas. Mas continua a preferir os cenários de Hopper e o filme do Bergman. Com três anos dir-se-ia que tem critérios exigentes de selecção.
E quanto ao grande peixe, a vida é mesmo assim: tornamo-nos nas nossas próprias histórias.
A mim parece-me bonito...

sábado, 9 de outubro de 2010

o cavalo

O A. e o V. sabem e gostam de mitologia. Ontem, deitaram-se os dois à meia-noite (o V. enfiado na cama do A.!) para poderem ver até ao fim um filme que o meu irmão lhes deu: Troy.
Acho que o facto de tratarem Aquiles por tu lhes vai ser útil, de qualquer forma, no futuro.
Os bons livros ilustrados que se vão fazendo por aí foram, muito antes dos filmes, os responsáveis pela paixão dos dois pelos deuses.

terça-feira, 4 de maio de 2010

McPhee

Depois do dia da mãe, acho que posso falar também um pouco da mãe deles...
Ando feliz! Ao fim de quase vinte anos de profissão tenho, finalmente, uma alcunha. Ou seja, uma identidade profissional.
Duas meninas de 5º ano, enquanto desenhavam padrões à la Klimt, confessaram-me que no dia em que me conheceram acharam que eu era muito má, mas que depois perceberam que eu afinal era fixe.
Que imagem passei eu quando, sentada em cima de uma das mesas, lhes disse em voz baixa e tranquila que havia apenas duas coisas que precisavam de saber sobre mim: que não tolerava barulho e não admitia faltas de respeito?
Simples: apresentei-me à McPhee, com o meu método de trabalho! E assim fiquei, para elas, com a alcunha.
Depois de uma rápida pesquisa na net, no fim-de-semana, corri a comprar o filme (para ser exacta a Sara correu a comprar-me o filme!) e... emocionei-me. Por três razões:
1. Porque o filme é brilhante.

2. Porque a Nanny McPhee é uma personagem humanamente muito mais interessante que a clássica Mary Poppins.

3. Porque as minhas meninas conseguiram ver muito mais fundo do que estou habituada.

Em suma, fiquei tão feliz que me apeteceu contar a toda a gente que me a minha alcunha profissional é Nanny Mcphee! (E, assim como assim, ser comparada com a Emma Thompson é sempre bom para um ego com 42 anos!)
O filme, vamos vê-lo dezenas de vezes. Até o meu Mr.Brown o achou um dos melhores filmes "para crianças" (como ele diz!) que viu nos últimos tempos. E a ele é difícil agradar! O V. e o A. adoraram. O F. andou distraído a fazer desenhos, mas um dia vai descobri-lo.
É muito bom, após quatro anos de retiro em investigação, concluir que ainda é um privilégio dar aulas... a crianças, claro!

segunda-feira, 15 de março de 2010

pequenas flores vermelhas


O F., ao meu colo, enquanto lemos um livro e a propósito, aparentemente, de nada:
- Sai uma asneirita e pumba! não tem piclo!
Eu explico. Na escolinha, às sextas-feiras, todos os meninos se juntam e fazem a avaliação do seu comportamento durante a semana. Depois, têm plico, ou não têm piclo, ou têm piclo emprestado. Os piclos são assim uma espécie de pequenas flores vermelhas.
Aliás, vimos o filme juntos e gostámos muito. O F. ainda não tinha os três anos feitos e viu-o três ou quatro vezes seguidas. O V. achou a professora mesmo má e o A. não se manifestou.
O filme é brilhante. Mas ainda mais brilhante foi a ideia da I. (a nossa  gambozina preferida que nos emprestou o filme) de lhe chamar "os pequenos picos de avaliação"!

segunda-feira, 8 de março de 2010

o país das maravilhas


O A. e o V. nunca tinham ido ao cinema. Não é ver cinema, é ir ao cinema, mesmo.
Hoje faltaram à escola para entrarem numa sala de cinema, que abre as portas para a rua.
E o V. declarou:
- É isto um cinema? É muito melhor!!!
E estivemos sentados no hall de entrada, à espera do pai e da Sarita e da Emília que vieram connosco para entrar num buraco atrás de um coelho branco.
Tim Burton deixa-me sempre assim. Com a sensação de que caí na tentação de gostar que uma coisa de que não gosto. Pelo menos, completamente.
Mas é inevitável a rendição final ao passeio pelo país das maravilhas. Por mim, dispensava os óculos, as 3D, o som surround e os monstros modernos.
Só me preocupa que alguém vá ver o filme sem antes conhecer a Alice de Carroll e Tenniel. Verá muito menos que nós. As intertextualidades são talhadas à medida de cada um, é inevitável.
Ninguém pode viver os nossos sonhos por nós. Nem mesmo os que passam numa sala de cinema.